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Um quarto dos tumores acomete pacientes de 19 a 40 anos, diz levantamento

Notícias Sexta, 17 Fevereiro 2017 17:54

Levantamento do A.C. Camargo Cancer Center mostra que os tipos de câncer mais incidentes na faixa de 19 a 40 anos em mulheres são mama, tireoide e colo de útero, somando 64% dos casos; e em homens testículo, tireoide e melanoma, que representam 50% da amostra.

Foram coletados dados dos pacientes atendidos na instituição entre 2000 e 2012. Do total de 17.871 pessoas avaliadas, 4.332 (24,2%) tinham entre 19 e 40 anos e 1.149 (6,4%) estavam com 18 anos ou menos. “Ao contrário do que muitos pensam, câncer não é doença somente de idoso”, ressalta o vice-presidente do A.C. Camargo, Dr. Ademar Lopes. “É preciso estar atento a fatores externos de risco e à possível predisposição hereditária para que o diagnóstico precoce seja alcançado entre os adultos jovens”, aponta.

Sabe-se que 10% dos tumores, em média, têm origem hereditária. Segundo o Dr. Lopes, um número significativo desses casos compreendem pacientes de até 40 anos. “Se duas ou mais pessoas da mesma família apresentam um certo tipo de câncer, com idade inferior a 40 anos, todos os demais devem passar por investigação, pois é alta a chance de a doença ser herdada. O tratamento precoce aumenta a probabilidade de cura”, recomenda o vice-presidente.

Fatores externos causadores de câncer

Os outros 90% dos casos de câncer são causados por agentes físicos, químicos e biológicos. O aumento da incidência de tumor mamário – o mais prevalente entre as pacientes desta casuística – ao longo dos anos é creditado pelo especialista a mudanças no comportamento das mulheres. “Hoje muitas se tornam mães mais maduras do que há décadas atrás, têm menos filhos e amamentam menos. Sabemos que a amamentação, por exemplo, diminui o risco do desenvolvimento do câncer de mama”, afirma.

Sobre o tumor na tireoide, o segundo mais prevalente em ambos os sexos, a maior acurácia das técnicas de diagnóstico nos últimos anos é, segundo o médico, que é cirurgião oncológico, a hipótese mais adequada para explicar o aumento do número de casos.

Já o câncer de colo de útero está ligado diretamente à contaminação pelo papilomavírus humano (HPV), transmitido sexualmente, enquanto o melanoma, que em geral se origina em um nevo (pinta preta), tem seu risco aumentado pela exposição excessiva ao sol.

O câncer de testículo, por sua vez, aparece com destaque no levantamento pelo fato de o A.C. Camargo ser uma referência neste tipo de tumor. “Esta é uma casuística própria da nossa instituição. O fato de sermos um hospital especializado certamente condiciona o perfil dos pacientes tratados aqui”, pondera o Dr. Lopes, ao lembrar que os dados da amostra não correspondem, necessariamente, aos da população como um todo.

A importância do diagnóstico precoce

As chances de sucesso no tratamento podem chegar a 90% quando o diagnóstico é precoce, em qualquer momento da vida. “As taxas de tratamento sem mutilação e com baixo custo não dependem da faixa etária e sim do estadiamento”, explica o médico. “Contudo, esta faixa dos 19 aos 40 anos não pode ser negligenciada. Jovens adultos obesos, fumantes, que se alimentam mal, são sedentários ou têm incidência de câncer na família precisam passar por oncocheck-up periódico”, defende.

Na opinião do especialista, os médicos generalistas que atuam na rede básica de saúde precisam estar atentos a esta necessidade. “O diagnóstico precoce depende desses profissionais, que precisam ser capacitados para pensar ‘oncologicamente’, solicitar os exames corretos, analisar os fatores de risco e o histórico familiar, mesmo entre pacientes jovens”, conclui.

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