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Everolimus e axitinibe para câncer de rim são propostos pela SBOC à ANS

Notícias Quarta, 10 Maio 2017 17:14
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Entre os medicamentos propostos pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, via Associação Médica Brasileira (AMB), à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em março, estão o everolimus e o axinitibe para carcinoma de células renais após falha da primeira linha de tratamento. A SBOC solicitou que essas drogas orais sejam incorporadas ao rol de cobertura obrigatória dos planos de saúde. A lista é atualizada a cada dois anos. A nova versão está prevista para 2018.

Segundo estudo publicado no New England Journal of Medicine, o carcinoma de células renais é a forma mais comum de câncer de rim. São mais de 330 mil casos diagnosticados e mais de 140 mil mortes atribuídas à doença por ano em todo o mundo. Aproximadamente um terço dos pacientes apresenta doença metastática no momento do diagnóstico. Cerca de 30% daqueles tratados com doença localizada têm recidivas.

O Dr. Fabio Kater, oncologista clínico de São Paulo que representou a SBOC na apresentação do everolimus, destaca que a discussão sobre a oferta desses medicamentos aos pacientes de planos de saúde não pode ser uma escolha entre um ou outro. “Ambos têm respostas significativas, ainda que limitadas, na sequência do tratamento. E são as opções que temos aprovadas no Brasil”, sustenta.

O estudo Record 1, publicado no Lancet em 2008, mostrou sobrevida livre de progressão de 4,9 meses com everolimus, em comparação a 1,87 mês no grupo que recebeu placebo. A sobrevida global foi de 14 meses para ambos. Contudo, conforme explica o Dr. Fabio Kater, apenas 21% dos participantes usaram everolimus na segunda linha e os outros 79% receberam na terceira, quarta ou quinta linha. “Esses dados permitem um posicionamento importante do everolimus a partir da segunda linha para pacientes com progressão”, acredita Kater.

Por sua vez, a eficácia do axitinibe foi comparada ao sorafenibe no estudo Axis, um ensaio randomizado de fase 3 que envolveu 723 pacientes. A mediana da sobrevida livre de progressão foi de 6,7 meses com axitinibe versus 4,7 meses com sorafenibe. O tratamento foi descontinuado devido a efeitos tóxicos em 4% dos pacientes tratados com axitinibe e em 8% do braço sorafenibe.

As duas drogas são necessárias

Hoje, a sobrevida global em países mais desenvolvidos está em torno de 30 meses. “Este benefício se deve ao acesso dos pacientes a todas as ferramentas terapêuticas nas várias linhas de tratamento”, reforça Kater. “Precisamos de todo este arsenal terapêutico para alcançar esses quase três anos de sobrevida global”, conclui.

O Dr. André Fay, oncologista clínico do Rio Grande do Sul que fez a apresentação do axitinibe à ANS em nome da SBOC, está de pleno acordo. “Axitinibe e everolimus nunca foram comparados entre si para carcinoma de células renais. Na ausência de dados definitivos e resultados semelhantes do ponto de vista da eficácia, não é acertado estabelecer qual o melhor dos dois, pois cada um tem o seu papel e beneficia um subgrupo específico de pacientes”, situa. “As duas drogas devem ser incorporadas. Disponibilizar as duas é o que se faz no mundo inteiro. O desafio é identificar quem são os pacientes que irão responder a cada uma das terapias”, defende.

Os dados atuais não respondem, antecipadamente, quais pacientes serão mais responsivos a cada uma dessas drogas. “Algumas características clínico-patológicas e questões relacionadas à toxicidade de cada medicamento nos ajudam, de forma indireta, a optar por uma ou outra, mas isso ainda é muito empírico”, relata Fay. Artigo do Lancet de 2011 pontua que o desenvolvimento de biomarcadores validados poderia ajudar neste sentido. Fatores como perfil de toxicidade, duração e resposta da primeira linha de tratamento são citados como importantes na seleção, mas requerem estudos aprofundados. “Ensaios clínicos translacionais adicionais são necessários para compreender os mecanismos de resposta e resistência à terapia direcionada no câncer de células renais metastático para avançar o cuidado do paciente”, diz o texto.

Na opinião do Dr. Fabio Kater, as evidências disponíveis hoje são suficientes para justificar a incorporação das duas drogas e o futuro dirá qual o melhor sequenciamento. “Defendemos a manutenção de todas as drogas e não a seleção de uma delas”, reforça. “Não se pode resolver a segunda linha somente. Após poucos meses de tratamento, não podemos deixar de oferecer medicamentos aos pacientes”, pondera.

O Dr. André Fay lembra que uma nova droga da mesma classe do axitinibe – o cabozantinibe, um inibidor oral de pequenas moléculas de tirosina cinases, incluindo MET, receptores de VEGF e AXL – já alcançou resultados superiores, mas ainda não está aprovada no Brasil. Comparado ao everolimus, o cabozantinibe resultou em 7,4 meses de média de sobrevida livre de progressão versus 3,8 meses. A redução de progressão foi 42% menor com cabozantinibe (HR de 0,58). A taxa de resposta objetiva foi de 21% com cabozantinibe e  de 5% com everolimus. Os eventos adversos também foram reduzidos com o novo medicamento. “Infelizmente, ainda levará anos até o cabozantinibe estar disponível no nosso país. Estamos sempre correndo atrás e com atraso”, conclui o oncologista gaúcho.

Os associados da SBOC podem acessar os estudos mencionados neste texto pela Biblioteca Virtual, no menu Serviços, com seu login e senha.

Última modificação em Quarta, 10 Maio 2017 17:45

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