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A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) apoiou o Getting Ready – III Programa Roche para Residentes em Oncologia Clínica e Hematologia, que reuniu 300 médicos em seu último ano de formação nessas especialidades e 40 palestrantes. O evento ocorreu de 11 a 13 de maio, em São Paulo (SP). A programação englobou orientação profissional e atualização científica. “Para a SBOC, é uma ótima oportunidade de nos aproximar dos residentes. Para eles, é um momento especial para discutir os problemas e os dilemas da vida real”, descreve o Dr. Gustavo Fernandes, presidente da SBOC. “Refletir, por exemplo, sobre as vias de entrada no mercado de trabalho e como se posicionar. ”

“Vocês nunca aprenderão tanto quanto no primeiro ano pós-residência”, disse aos jovens médicos o Dr. Paulo Hoff, diretor do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) e diretor do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês. “Serão as suas primeiras condutas sem ter um preceptor para consultar”, lembrou. “Para chegar aqui vocês foram obrigados a fazer muitas escolhas e as decisões continuam. ”

Para o Dr. Gustavo Fernandes, ninguém precisa ter medo de não encontrar seu espaço no mercado de trabalho. “Às vezes uma cidade ou um centro está lotado, mas o país certamente precisa de muitos oncologistas”, afirma. “Talvez o espaço não seja aquele que você queria num primeiro momento. ” O presidente da SBOC considera importante que o residente trace os seus objetivos de carreira e os persiga. “É preciso ter um ‘olhar de leão’. Escolha seus caminhos em vez de outros escolherem por você”, aconselha.

Perspectivas

Sobre complementar a formação no exterior, o Dr. Paulo Hoff classificou o ganho como limitado de forma geral. “A formação em Oncologia Clínica no Brasil hoje tem qualidade excelente, comparável à de qualquer país do mundo, inclusive Estados Unidos. Só aconselho complementar a formação no exterior se quiser se aprofundar em uma área muito específica ou como experiência pessoal”, afirma.

O diretor do Icesp considera benéfico participar da vida associativa. “É importante para a defesa profissional e para defendermos o que consideramos importante para os nossos pacientes”, explica Hoff. Como exemplo, o especialista cita a participação em discussões nacionais e internacionais para elaborar diretrizes, indispensáveis na disseminação do conhecimento prático baseado em evidências científicas.

A respeito da vida acadêmica, ele relata ser “muito gratificante”. Professor titular de Oncologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Hoff recomenda que os residentes não percam os laços com o ensino. “É possível participar de grupos de estudo”, exemplifica. “Nada nos obriga mais a estudar e nos manter atualizados do que um residente ou um colega nos fazendo perguntas”, define.

“Quando estiverem diante de uma oportunidade e tiverem que decidir entre ganho financeiro e perspectiva de crescimento na carreira, escolham alguém mais experiente para se aconselhar”, sugere.

Na opinião do Dr. Paulo Hoff, não existem respostas certas ou erradas. “Procurem trabalhar em um lugar em que se sintam bem e empolgados, pois o comprometimento terá de ser 24 horas por dia”, resume.

Teve início nesta segunda-feira (15) a votação eletrônica para escolha da Diretoria, Comissão de Ética e Conselho Fiscal da SBOC Nacional no biênio 2017/2019. Os membros titulares da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica aptos a votar podem fazê-lo a partir de qualquer dispositivo com acesso à internet (celular, desktop ou tablet) pelo link www.votoeletronicosboc.org.br. Uma chapa está concorrendo à eleição (veja a composição abaixo).

O login a ser utilizado na votação é o mesmo do sistema SBOC. Se o eleitor não se lembrar, pode consultá-lo com seu nome completo no item Colégio eleitoral do site. A senha individual foi enviada por e-mail no dia 4 de maio, mas pode ser recuperada ou trocada no site também.

A participação é bem rápida e intuitiva. Em caso de qualquer dúvida, o associado deve entrar em contato, em horário comercial, pelo telefone 0800 27 72985 ou pelo chat, clicando na opção Fale conosco. A votação estará aberta até 4 de junho, 24 horas por dia.

O objetivo da iniciativa é facilitar a participação dos associados de modo a garantir maior representatividade aos eleitos. “Quanto maior o número de votos, mais representativa e democrática é a Sociedade”, afirma o Dr. Gustavo Fernandes, atual presidente da SBOC.

Segurança e agilidade

Esta é a primeira vez que a SBOC realiza uma eleição eletrônica. A empresa contratada para a operacionalização do pleito é a Scytl. Já a The Perfect Link está auditando todo o processo de votação. Ambas são especializadas em suas respectivas áreas.

A Scytl trabalha com criptografia avançada e certificação digital conforme os padrões do ICP-Brasil, sistema nacional que assegura a autenticidade de documentos eletrônicos. A empresa informa que os dados registrados não podem ser alterados e qualquer tentativa de modificação é rastreada. Além disso, o sigilo do voto é garantido.

A Dra. Lúcia Freitas, gerente jurídica da SBOC, esclarece que todas as medidas foram tomadas para garantir a segurança e a lisura do processo eleitoral. “A votação sempre foi auditada e agora contratamos uma auditoria especializada em eleição digital”, reforça a advogada.

O resultado da eleição será divulgado no dia 7 de junho e os novos diretores tomarão posse em 27 de outubro, durante o XX Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica.

Chapa “Diálogo”

 

Presidente:

Dr. Sérgio Daniel Simon

 

Vice-presidente para Relações Nacionais e Internacionais:

Dr. Gustavo dos Santos Fernandes

 

Vice-presidente de Organização, Planejamento e Administração:

Dr. Sérgio Jobim de Azevedo

 

Vice-presidente de Assistência Médica e Defesa Profissional:

Dr. Roberto de Almeida Gil

 

Vice-presidente para Pesquisa Clínica e Estudos Corporativos:

Dr. Fábio André Franke

 

Vice-presidente para Ensino da Oncologia:

Dr. Rodrigo Ramella Munhoz

 

Secretária Geral:

Dra. Clarissa Maria de Cerqueira Mathias

 

Tesoureiro:

Dr. Volney Soares Lima

 

Vice-tesoureiro:

Dr. Eriberto de Queiros Marques Junior

 

Secretária de Comunicação Social:

Dra. Clarissa Seródio da Rocha Baldotto

 

Comissão de Ética:

Dr. Rui Fernando Weschenfelder

Dra. Anelisa Kruschewsky Coutinho Araújo

Dra. Aline Lauda Freitas Chaves

 

Conselho Fiscal:

Dr. Luciano Henrique Pereira dos Santos

Dr. Duílio Reis da Rocha Filho

Dra. Andréia Cristina de Melo

Os membros da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) Andréia Melo, Angélica Nogueira Rodrigues e Eduardo Paulino, que também pertencem ao Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA), estiveram no encontro anual da Society of Gynecologic Oncology, em Washington (EUA), em março, e destacam a seguir alguns estudos clínicos internacionais, apresentados no evento, com potencial de impactar a prática clínica do câncer ginecológico.

O tratamento de manutenção com olaparibe em pacientes que apresentaram recidiva de carcinoma epitelial de ovário platino-sensível foi avaliado pela primeira vez no estudo de fase III SOLO2, envolvendo 294 pacientes com mutação em um dos genes BRCA. Os resultados mostraram que a sobrevida livre de progressão (SLP) foi de 19,1 meses no grupo olaparibe versus 5,5 meses no grupo placebo (HR 0,30; 95 IC, 0,22-0,41; p < 0,0001). De acordo com revisão cega central, o benefício foi ainda maior, observando-se uma SLP nas pacientes randomizadas para olaparibe de 30,2 meses, enquanto no braço placebo esse intervalo foi de apenas 5,5 meses (HR 0,25; IC de 95%, 0,18-0,35; p < 0,0001). Chamou a atenção o fato de 40% das pacientes terem recebido três ou mais linhas prévias de quimioterapia.

O tempo para início da primeira terapia subsequente ou morte, objetivo secundário do estudo, foi de 27,9 meses no braço do tratamento comparado a 7,1 meses no braço placebo (p < 0,0001). Portanto, houve uma redução de 70% do risco de progressão ou morte com o uso do inibidor de PARP olaparibe na dose de 300 g BID comparado ao placebo1. Com a formulação de 300 mg, as pacientes receberam neste estudo duas pílulas ao dia, comparadas a 16 pílulas (no total 400 mg BID) ao dia no estudo de fase II que o antecedeu (N Engl J Med. 2012;366:1382-1392).

Já em primeira linha, o estudo GOG 212 falhou em demonstrar benefício para o tratamento de manutenção com paclitaxel em pacientes que tiveram resposta completa com o tratamento inicial, além de o braço de tratamento ter apresentado maior toxicidade que o controle2.

Em câncer de colo do útero avançado, foram apresentados os resultados de eficácia do estudo fase II de braço único GOG 265, que avaliou o imunoterápico axalimogene filolisbac em pacientes politratadas: 38% das pacientes estavam vivas em 12 meses, valor superior aos 24,5% previstos em um modelo logístico que considerava fatores prognósticos apresentados pelas pacientes e resultados de estudos prévios do GOG em cenário semelhante3. Os autores anunciaram para breve o início do estudo de fase III mundial neste contexto.

Com foco na doença inicial, foi apresentado o estudo Senticol 2 (linfonodo sentinela em câncer de colo uterino inicial). Esse estudo tinha como objetivo primário morbidade cirúrgica. Foram randomizadas as pacientes para linfonodo sentinela (azul patente mais tecnécio) com ou sem linfadenectomia pélvica. Apenas pacientes com captação em ambas as hemi-pelves foram incluídas. Das 206 pacientes elegíveis, 105 realizaram PLS apenas e 101 PLS seguido de linfadenectomia. O valor preditivo negativo foi de 100% no braço seguido de linfadenectomia. Como resultado, foi demonstrada uma melhor qualidade de vida (SF 36) para o braço da PLS apenas, incluindo menos morbidade linfática (31,4 versus 51,5%, p = 0,0046) e neurológica após um mês de controle (7,8 versus 20,6%, p = 0,01). Não foi observada diferença com significado estatístico em relação à sobrevida livre de recorrência e global em três anos4.

Referências:

  1. Pujade Lauraine E. Treatment with olaparib monotherapy in maintenance stting significantly improves progression-free survival in patients with platinum-sensitive relapse ovarian câncer: Results from the phase III solo2 study. Presented at Scientific Plenary VI: Late Breaking Abstract, on March 14th, 2017

  2. Copeland L. A phase III trial of maintenance therapy in women with advanced ovarian/Fallopian tube/peritoneal câncer (O/PC/FT) after a complete clinical response (CCR) to first-line therapy- na NRG Oncology Study. Presented at Scientific Plenary VI: Late Breaking Abstracts on March 14th, 2017

  3. Aghajanian C. A prospective phase 2 trial of listeria-based HPV immunotherapy axalimogene filolisbac (AXAL) in second and third-line metastatic cervical câncer: A NRG Oncology Group trial. Presented at Scientific Plenary VI: Late Breaking Abstracts on March 14th, 2017

  4. Manthevet P. Results of a randomized prospective, miulticenter study (Senticol 2) comparing adding pelvic lymph node dissection vs sentinela node biopsy only. Presenset at Scientific Plenary Session I on March 12, 2017. Abstract 2

A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) convidou oncologistas de todo o país para construir suas novas diretrizes para os principais tipos de câncer que acometem a população brasileira. Os oncologistas convidados foram selecionados por serem líderes de opinião em suas áreas de atuação e também por manter considerável produção acadêmica e científica. Agora, as primeiras diretrizes começam a ser disponibilizadas no site da entidade para que todos os associados possam ler, avaliar e enviar comentários e sugestões, que serão analisados e considerados para incorporação nos documentos. “Ao elaborar as novas diretrizes estamos cumprindo uma obrigação estatutária da SBOC. E ao convocar os associados para participar, queremos que as diretrizes sejam resultado da discussão da SBOC como um todo, não somente de sua diretoria”, afirma o Dr. Gustavo Fernandes, presidente da SBOC.

Baseadas em evidências clínicas

As recomendações terapêuticas foram inteiramente baseadas em evidências clínicas e o objetivo é que possam ser aplicadas tanto no Sistema Único de Saúde (SUS) quanto na saúde suplementar. “Buscamos desenvolver algo que pudesse ser um guia de consulta simples, com orientações fáceis de serem lidas, compreendidas e aplicadas no dia a dia por todos os oncologistas”, explica o Dr. André Sasse, responsável por coordenar o trabalho do grupo que elaborou os documentos preliminares.

A iniciativa da SBOC inova ao apresentar as diretrizes num novo formato e ao abrir espaço para a participação de todos os associados. “Quanto mais tivermos a participação de quem vai utilizar as diretrizes no cotidiano, melhor. A intenção é que elas sejam um instrumento importante para todos, tornando-se a base da oncologia clínica brasileira”, diz o Dr. Gustavo Fernandes. “Também acredito que ajudará na discussão sobre incorporação de tratamentos e medicamentos no SUS”, avalia o Dr. André Sasse.

Cada nova diretriz publicada no site da SBOC estará disponível para apreciação durante um mês. Acesse os documentos e participe de sua construção!

Guilherme Nader Marta, Renata Rodrigues da Cunha Colombo Bonadio e Virginia Moreira Braga são os três residentes selecionados pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) para o programa internacional “Oncogenética em foco”. Cada um receberá uma bolsa que inclui passagens aéreas e hospedagem de 1 a 9 de junho em Chicago (EUA). Eles participarão de atividades específicas no The University of Chicago Center for Global Health e também do Congresso da American Society of Clinical Oncology (ASCO, 2 a 6 de junho), quando terão uma agenda exclusiva com líderes da área.

Na visão da SBOC, os cânceres hereditários são altamente relevantes, já que compreendem de 5% a 10% de todos os tumores malignos atualmente diagnosticados. Segundo o edital do programa, o aconselhamento genético tem um papel fundamental no manejo desses casos, tornando a Oncogenética um ramo notável da Oncologia.

A Dra. Cinthya Sternberg, diretora executiva da SBOC explica que, no Brasil, a abordagem multidisciplinar em genética clínica tem recebido pouca atenção, tanto no sistema de saúde público como no privado. “O número de serviços genéticos brasileiros atuando na Oncogenética é extremamente baixo e a concentração desses serviços nas capitais de alguns Estados dificulta o acesso da população”, afirma. “Dentro desse contexto, a SBOC se propôs a despertar nos residentes o interesse pelo tema e estimular a formação de especialistas nessa área, colaborando com o aumento de massa crítica de profissionais que possam atuar efetivamente para prevenção, redução de risco, diagnóstico e tratamento do câncer hereditário”, destaca a diretora executiva.

Palavra dos vencedores

O Dr. Guilherme Nader Marta, residente do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) é de Bauru, no interior do Estado, graduou-se na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e está na capital há quase dez anos. Aos 27 anos, ele está convencido da importância da Oncogenética e feliz com a oportunidade oferecida pela SBOC. “Acompanhei um caso de câncer hereditário na residência e isso me motivou a buscar um treinamento formal específico”, conta. “As expectativas são bem altas, tanto do ponto de vista assistencial quanto da área de pesquisa”, diz, referindo-se ao programa. “Quero aprender mais sobre o manejo dos pacientes e dos familiares e aprofundar o conhecimento na área. Os campos de pesquisa são enormes”, afirma entusiasmado.

Natural de Minas Gerais, mas em São Paulo há uma década, a Dra. Renata Bonadio, de 28 anos, também fez FMUSP e é residente do Icesp. “A Oncogenética tem proporcionado um melhor entendimento da carcinogênese. São inúmeras pesquisas. Isso determinará como será o tratamento do câncer no futuro de forma geral”, avalia a médica. “Este assunto é de grande interesse de todo oncologista”, classifica. “Programas com esse foco são ainda mais raros para residentes brasileiros. É uma oportunidade muito bacana e estou superanimada”, relata, acrescentando ter interesse também na atuação clínica e em pesquisa.

A cearense Virginia Moreira Braga, de 31 anos, é a terceira bolsista. Nascida em Fortaleza, fez graduação na Universidade Federal de Alagoas e Clínica Médica no Hospital Walter Cantídio da Universidade Federal do Ceará. Agora está no último ano da residência em Oncologia Clínica no Hospital da Beneficência Portuguesa de São Paulo (BP), completando três anos na cidade. Ela foi incentivada por seus preceptores a inscrever-se no programa da SBOC. “É uma oportunidade maravilhosa, que vai me proporcionar um crescimento profissional extremamente relevante”, destaca. “A Oncogenética é hoje a base dos estudos em Oncologia, com importantes descobertas que repercutem na prática clínica”, observa. “Pretendo conhecer os avanços genéticos para colocá-los em prática, além de desenhar possíveis projetos de pesquisa”, planeja.

Sobre o Congresso da American Society of Clinical Oncology, os três participarão pela primeira vez e estão animadíssimos. “É um adicional muito positivo do programa”, diz o Dr. Guilherme. “Todo residente quer ir para o ASCO”, sentencia a Dra. Virginia.

A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) solicitou à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em parceria com a Associação Médica Brasileira (AMB), a incorporação de oito medicamentos: axitinibe, cobimetinibe, crizotinibe, dabrafenibe, enzalutamida, everolimus para pacientes com tumores neuroendócrinos (NET), everolimus para pacientes com carcinoma de células renais (RCC) e regorafenibe. As apresentações ocorreram em março.O objetivo é que essas drogas orais sejam incluídas no rol de cobertura obrigatória dos planos de saúde a ser publicado em 2018. A atualização da lista ocorre a cada dois anos.

Dois desses medicamentos, dabrafenibe e cobimetinibe, são terapias-alvo indicadas para o tratamento de melanoma em pacientes com a mutação genética BRAF, que ocorre aproximadamente em 50% do total de pessoas atingidas pela doença. As justificativas da disponibilização deles aos pacientes cobertos pelos planos de saúde foram apresentadas à ANS pelo representante da SBOC Dr. Rodrigo Munhoz, oncologista do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo e do Hospital Sírio-Libanês.

Durante a apresentação, o Dr. Rodrigo Munhoz lembrou que essas mutações-alvo ocorrem em uma proporção significativa de casos. Estima-se que metade dos 5.670 novos casos (Inca, 2016) poderiam ser tratados com essas drogas.

De acordo com o membro da SBOC, não há medicamentos equivalentes para uso endovenoso e as indicações do dabrafenibe e do cobimetinibe em comparação a imunoterapias podem ser afetadas pelo contexto clínico ou apresentação. “A incorporação do dabrafenibe provavelmente não resultará em impacto orçamentário adverso, dado que o vemurafenibe já faz parte do rol da ANS”, avalia.

Dabrafenibe: alta taxa de resposta

O dabrafenibe foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para melanoma metastático em janeiro de 2016. O estudo fase 2, com 92 pacientes, publicado no Journal of Clinical Oncology, apresentou alta taxa de resposta: 60% de redução do tumor e 7% de desaparecimento das lesões. A mediana de sobrevida livre de progressão da doença foi de 6,3 meses. O medicamento também apresentou boa tolerância: 64% dos pacientes não apresentaram toxicidades graves.

O estudo fase 3 do dabrafenibe publicado no The Lancet, randomizado, aberto, envolvendo 250 pacientes, mostrou aumento significativo da sobrevida, em comparação com a dacarbazina, de 2,7 meses para 5,1 meses. Também houve 70% de redução do risco de progressão em comparação com o quimioterápico (HR de 0,30). Outro resultado importante foi a taxa de resposta: 50% versus 6%. Não houve acréscimo significativo de pacientes com toxicidades graves.

Cobimetinibe combinado com vemurafenibe dá mais resultado

Na segunda apresentação, a SBOC argumentou que não se justifica mais o uso isolado do vemurafenibe sendo que a combinação com o cobimetinibe é mais eficaz e menos tóxica. A utilização dos dois medicamentos combinados para o tratamento do melanoma foi aprovada pela Anvisa em maio do ano passado.

O estudo randomizado fase III, publicado no New England Journal of Medicine, mostrou que a média de sobrevida livre de progressão foi de 9,9 meses no grupo de combinação e de 6,2 meses no grupo controle (HR de 0,51). A taxa de resposta completa ou parcial de vemurafenibe mais cobimetinibe foi de 68% em comparação com 45% no grupo de controle, incluindo as taxas de resposta completa de 10% ante 4%. As análises provisórias da sobrevida global mostraram taxas de sobrevida de 81% no grupo de combinação e 73% no grupo controle, aos nove meses.

É importante salientar que a combinação de vemurafenibe e cobimetinibe não resultou em maior incidência de eventos adversos de grau 3 ou superior em comparação ao vemurafenibe em monoterapia (65% vs. 59%). Além disso, o número de tumores cutâneos secundários diminuiu com a terapêutica combinada.

Após avaliação interna da ANS, a incorporação dos medicamentos ao rol de cobertura obrigatória pelos planos de saúde em 2018 será colocada em consulta pública.

Os associados da SBOC podem acessar os estudos mencionados neste texto pela Biblioteca Virtual, no menu Serviços, com seu login e senha.

Assista à entrevista do Dr. Gustavo Fernandes, presidente da SBOC, sobre as submissões à ANS. 

Até o dia 2 de maio estão abertas as consultas públicas da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) sobre a incorporação ao Sistema Único de Saúde do trastuzumabe e pertuzumabe para câncer de mama HER2-positivo metastático em primeira linha de tratamento. A recomendação do órgão técnico do governo foi favorável à incorporação do trastuzumabe mediante negociação de preço com a empresa fabricante do medicamento, mas desfavorável, preliminarmente, à incorporação do pertuzumabe associado ao trastuzumabe e docetaxel, considerado o tratamento padrão pelos oncologistas.

O presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, Dr. Gustavo Fernandes, e o membro da SBOC, Dr. André Sasse, defenderam a incorporação dos dois medicamentos na Conitec, em Brasília (DF), no Dia da Mulher, 8 de março. “Ficamos felizes com a recomendação favorável da Conitec ao trastuzumabe, tratamento que vem sendo negado à população brasileira há 20 anos”, afirma o Dr. Gustavo Fernandes. “A incorporação corrigirá um erro histórico”, completa.

Quanto ao pertuzumabe, o presidente da SBOC conclama os oncologistas a se mobilizarem por meio de suas instituições e participarem da consulta pública. “Mesmo a manifestação preliminar da Conitec sendo contrária, já houve casos de o órgão rever a sua posição após a repercussão e os argumentos da comunidade científica e da população”, incentiva, por sua vez, o Dr. André Sasse.

“Também é importante a participação favorável na consulta pública do trastuzumabe para que a decisão final seja realmente pela incorporação”, destaca o Dr. Gustavo Fernandes.

Custo-efetividade

O parecer técnico da SBOC apresentado à Conitec, cujas informações estão disponíveis nas consultas públicas, englobou revisão sistemática da literatura, avaliação de custo-efetividade e análise de impacto orçamentário. “Este tipo de apresentação feita por uma sociedade médica traz mais transparência e credibilidade ao processo”, ressalta o Dr. André Sasse, ao lembrar que a abordagem foi inédita por envolver também a discussão dos preços praticados no mercado e eventuais descontos possíveis de serem negociados com a indústria farmacêutica.

De acordo com dados de estudos publicados no Journal of Clinical Oncology e no Journal of Global Oncology, em 2015 e 2016, respectivamente, a incorporação ao SUS do trastuzumabe e do pertuzumabe salvaria 768 vidas de mulheres com câncer de mama metastático HER2-positivo no Brasil.

Do total de 2 mil pacientes diagnosticadas com este subtipo da doença em 2016, apenas 808 estarão vivas, após dois anos, se forem tratadas somente com quimioterapia. Caso recebessem a combinação de quimioterapia e trastuzumabe, o número de sobreviventes subiria para 1.408. Com a associação de quimioterapia, trastuzumabe e pertuzumabe, 1.576 pacientes sobreviveriam.

O diretor geral do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) e do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, Paulo Hoff, tomou posse como membro da Academia Nacional de Medicina (ANM), em março. Ao ocupar a cadeira 58, torna-se o quarto oncologista clínico entre os atuais 100 acadêmicos vitalícios. O primeiro foi Gilberto Schwartsman, seguido por Daniel Tabak e José Carlos Valle.

A cerimônia foi prestigiada por autoridades como o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin; o secretário de Estado da Saúde, David Uip; o presidente da Associação Médica Brasileira, Florentino Cardoso; e o presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Gustavo Fernandes.

“A Academia Nacional de Medicina é o órgão máximo que o médico pode alcançar; a maior aspiração para o seu currículo”, define o Dr. Valle, acadêmico há 11 anos e ex-presidente da SBOC (1989-1991). Fundada em 1829 como Academia Imperial de Medicina, é a mais antiga instituição cultural e científica do Brasil. Sua missão é contribuir para o estudo, a discussão e o desenvolvimento das práticas da medicina, cirurgia, saúde pública e ciências afins e também serve como órgão de consulta do governo brasileiro sobre questões de saúde e de educação médica. O Dr. Valle comenta que o processo para integrar a ANM é longo e difícil. “Muitos tentam e poucos conseguem.” Até hoje, somente 665 médicos foram ou são acadêmicos.

sboc hoff fernandes

Em seu discurso de posse, após citar desafios como a falta de médicos em locais mais afastados dos grandes centros, a abertura de escolas médicas sem garantia de ensino de qualidade, os custos de incorporação de tecnologias e a judicialização da saúde, Hoff colocou que a Academia tem uma posição ímpar para colaborar em todas essas discussões: “Esta instituição bicentenária reúne expoentes de todas as correntes ideológicas da medicina brasileira. As deliberações deste colegiado ressoam com força nos gabinetes da República por sua seriedade, tradição e competência. Trata-se do fórum ideal para discussões profundas sobre a medicina que queremos hoje e no futuro”.

Segundo o professor Gilberto Schwartsman, primeiro oncologista clínico a ingressar na Academia Nacional de Medicina, a história da ANM confunde-se com a do Brasil. Fundada ainda no Império, é a mais antiga instituição cultural do país. E a distribuição dos membros da Academia deve refletir também a importância das várias especialidades. “O câncer é a segunda causa de morte na maioria dos países e, nos próximos anos, deve tornar-se a primeira. É natural que a oncologia ganhe maior representatividade e a presença do Dr. Hoff me parece óbvia e muito nos orgulha”, diz Schwartsman.

Mais informações sobre Paulo Hoff como acadêmico aqui

Acesse aqui o vídeo da posse de Paulo Hoff.

O estudo sobre a fosfoetanolamina, propagada erroneamente no Brasil como “pílula de cura do câncer”, foi suspenso na semana passada pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) diante dos resultados iniciais, que não indicaram o benefício clínico esperado aos pacientes. “O que é preciso deixar claro, neste momento, é que esse produto não tem uma eficácia que justifique o seu uso em substituição aos tratamentos que já tenham sua ação reconhecida. As pessoas não devem parar seus tratamentos para substituir pela fosfoetanolamina sintética”, disse o Dr. Paulo Hoff, diretor geral do Icesp, ao site da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC).

Dos 72 pacientes tratados no estudo, compreendendo 10 grupos de tumores (cabeça e pescoço, pulmão, mama, intestino, colo uterino, próstata, melanoma, pâncreas, estômago e fígado), 59 já foram reavaliados. Somente um deles, do grupo de melanoma, apresentou resposta.

Na segunda fase da pesquisa clínica, o plano era incluir 20 participantes em cada um dos grupos. O objetivo primário seria a observação de pelo menos dois pacientes em cada grupo com resposta objetiva, ou seja, diminuição do tumor. De acordo com o Icesp, como os resultados ficaram aquém do esperado, a inclusão de novos pacientes está suspensa e o protocolo será reavaliado antes de qualquer continuidade. Conforme informação da assessoria de imprensa, o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo era o único centro a desenvolver a pesquisa.

A polêmica e a importância da pesquisa

A pesquisa teve início em julho de 2016, a pedido do governo do Estado de São Paulo, após grande polêmica em torno da fosfoetanolamina. A substância vinha sendo sintetizada e distribuída a pacientes com neoplasias malignas há anos pelo químico Gilberto Orivaldo Chierice, ligado ao Instituto de Química de São Carlos, da Universidade de São Paulo. Duas patentes da substância registradas por ele datam de 2008. A substância vem sendo utilizada pela população há mais de 20 anos, fora de protocolos de pesquisa, sem qualquer controle sobre seus efeitos.

Segundo nota do órgão da USP, o professor Chierice, já aposentado, estudava a fosfoetanolamina de forma independente e doava a droga a pacientes “em ato oriundo de decisão pessoal”. Em 2014, o Instituto editou a Portaria IQSC 1389 proibindo a fabricação, em suas dependências, de medicamentos sem as devidas licenças e registros expedidos por órgãos competentes. Desde então, pessoas com câncer que faziam uso da substância e familiares passaram a protestar nas redes sociais e na mídia contra a interrupção do fornecimento da fosfoetanolamina, além de acionar o Estado para obtê-la. Há mais de 20 mil ações na Justiça exigindo que a fosfoetanolamina seja liberada.

A comoção levou o Congresso Nacional a aprovar a Lei 13.269/2016, sancionada pela ex-presidente Dilma em abril do ano passado, autorizando o uso da substância fosfoetanolamina sintética por pacientes diagnosticados com neoplasia maligna. Logo em seguida, a Associação Médica Brasileira (AMB), com apoio da SBOC, entrou com uma ação direta de inconstitucionalidade para suspender a lei. Em maio, o Supremo Tribunal Federal deferiu a ação da AMB e proibiu a produção da fosfoetanolamina por falta de evidências científicas que comprovem os resultados prometidos.

As expectativas voltaram-se, então, para a pesquisa clínica iniciada pelo Icesp dois meses depois e suspensa uma semana atrás. “A substância continua sendo um tratamento puramente experimental até agora, sem nenhuma evidência forte que dê suporte ao seu uso rotineiro como tratamento do câncer”, afirmou o Dr. Paulo Hoff, depois da decisão de suspender o estudo.

O Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica (GBOT), em parceria com o Latin American Cooperative Oncology Group (LACOG), lançou o 1º Prêmio Ronaldo Ribeiro de Pesquisa Clínica GBOT/LACOG, voltado a residentes de oncologia clínica e jovens oncologistas. Os interessados podem inscrever projetos de pesquisa clínica de sua autoria, direcionados a oncologia torácica, até 11 de julho. A iniciativa tem o apoio da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC).

Os autores dos três melhores projetos serão premiados. O primeiro lugar ganhará a inscrição e a logística necessária para participação na 19th World Conference of Lung Cancer, de 23 a 26 de setembro de 2018, em Toronto, Canadá. O segundo colocado receberá a inscrição e a logística necessária para participação no Pós Mundial de Pulmão 2018 / Simpósio GBOT 2018. Por sua vez, o terceiro terá acesso virtual ao Board Review Einstein. Os três contarão com auxílio no desenvolvimento e disponibilidade da estrutura do LACOG para execução do projeto.

A Comissão Científica é formada pelos oncologistas Ana Gelatti, Clarissa Baldotto, Giuliano Borges e Luiz Araujo. A classificação final será divulgada durante o Congresso da SBOC, em outubro, no Rio de Janeiro (RJ).

Um dos objetivos do Prêmio é estimular o pensamento científico, o contato com todas as etapas de um projeto de pesquisa clínica, assim como o conhecimento dos desafios enfrentados para o desenvolvimento de novas tecnologias no progresso da área oncológica.

Mais informações e inscrições:

www.gbot.med.br/edital-premio-gbot

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