Oportunidades para Oncologistas

Fabiana Rocha

Fabiana Rocha

O Congresso da ESMO (European Society for Medical Oncology), o principal evento de oncologia da Europa e o segundo mais importante do mundo, aconteceu de 27 de setembro a 1º de outubro, em Bracelona, na Espanha, e contou com mais de 22 mil participantes de diferentes países. Um programa desenvolvido por mais de 300 especialistas internacionais trouxe os mais recentes avanços na pesquisa e no tratamento do câncer. Foram apresentados 2.218 trabalhos (abstracts) e expostos mais de 800 posteres.

De acordo com especialistas ouvidos pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), os tumores ginecológicos foram o grande destaque do congresso. Dentre os estudos apresentados nessa área, podemos destacar quatro que mostraram resultados positivos e impactantes, três deles relacionados a câncer de ovário e um a câncer de endométrio. Essa é a avaliação da Dra. Angelica Nogueira, oncologista clíncia membro da SBOC e presidente do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA).


Inibidores de PARP no tratamento inicial do câncer epitelial de ovário

Três estudos com importantes implicações para a prática clínica foram apresentados, tendo em comum serem estudos de fase III que avaliaram o uso de inibidor de PARP em pacientes com carcinoma epitelial de ovário de alto grau tipo seroso ou endometrióide após quimioterapia de primeira linha.

O estudo PRIMA avaliou o uso do inibidor de PARP niraparib em pacientes com câncer de ovário seroso avançado (estágio III com doença residual ou estágio IV ) recém-diagnosticado. Dra. Angelica conta que o estudo mostrou um ganho muito significativo em sobrevida livre de progressão. “O ganho na população de intenção de tratamento foi de aproximadamente cinco meses (hazard ratio 0,6); e o ganho na população com déficit de recombinação homóloga (dRH), foi de cerca de um ano (hazard ratio 0,4). O estudo PRIMA foi o único dos três estudos que demonstrou benefício, menor, porém estatisticamente significativo, também na população proficiente em RH (pRH)”, explica a oncologista.

O estudo PAOLA-1 é o primeiro de fase III a examinar a eficácia e a segurança de um inibidor PARP, no caso o olaparib, associado ao bevacizumab, que é um inibidor de angiogênese, em pacientes com câncer de ovário, estágios III e IV, com e sem mutação BRCA. Os resultados mostraram que a combinação, comparada ao uso de bevacizumab isolado, aumentou a sobrevida livre de progressão de maneira significativa. O ganho foi de aproximadamente 12 meses na população com dRH (hazard ratio 0,4); e de cerca seis meses na população de intenção de tratamento – proficientes e deficientes em RH (hazard ratio 0,6). Dra. Angelica comenta que falta nesse estudo um braço que avalie apenas o olaparib em manutenção. “Temos a resposta de que nas pacientes com dRH a combinação de bevacizumab com inibidor de PARP é segura e melhor que bevacizumab isolado, mas a magnitude do benefício do sinergismo não fica clara sem um braço com inibidor de PARP utilizado isoladamente, aos moldes de um estudo anterior chamado SOLO1”, diz a médica. A população do estudo PAOLA é menos selecionada que a do estudo PRIMA, pois, nesse último, as pacientes estágio III precisavam ter doença residual pós-cirurgia para serem incluídas e precisavam ter respondido à platina pós, um teste de sensibilidade indireto para benefício de iPARP.

Já no estudo VELIA, foi avaliada a combinação de quimioterapia com o inibidor de PARP veiliparib, seguida ou não de manutenção com veliparib. Uma particularidade do estudo foi a randomização em três braços: quimioterapia em associação com placebo nas fases de tratamento e manutenção; quimioterapia com veliparib e manutenção com placebo; e quimioterapia em associação com veliparib e manutenção com veliparib. A combinação durante a quimioterapia seguida de manutenção apresentou resultados positivos tanto na população com dRH, com sobrevida livre de progressão, quanto na população BRCA mutada, com benefícios aproximados de cerca de 12 meses para os dois grupos. “Tanto nesse quanto nos dois outros estudos, vimos que a utilização do inibidor de PARP em primeira linha traz benefícios e isso consolida dados que já tínhamos no estudo SOLO 1, que também mostra um grande impacto na sobrevida livre de progressão”, conta Dra. Angelica.

Para ela, o que o ESMO 2019 traz de novidade nesses estudos é que foram testadas pacientes independentemente de mutação no gene BRCA e de déficit de recombinação. Já era esperado que o acréscimo de inibidor de PARP apresentaria bons resultados em pacientes BRCA mutadas, mas o benefício para as pacientes com dRH independentemente dessa mutação específica foi uma novidade. Isso significa que a indicação que era para cerca de 21% das pacientes com câncer de ovário passa a ser para 50% das pacientes com essa neoplasia. Apenas um estudo mostrou benefício nas pacientes pRH. Essa coorte merece ser mais estudada para esclarecer quem de fato deriva benefício. “Esses três estudos são um marco para as pacientes. Após longo período sem avanços, enfim temos resultados como esses, que prolongam significamente a sobrevida livre de progressão”, afirma a especialista.


Nova conduta no tratamento de câncer de endométrio

Dados preliminares do estudo KEYNOTE-146 já haviam sido publicados no início deste ano, no The Lancet Oncology, e, no ESMO 2019, foram apresentados os dados do estudo completo, com 108 pacientes com carcinoma de endométrio avançado, que já tinham sido expostas à terapia sistêmica com quimioterapia.

Nesse estudo de braço único, as pacientes receberam a combinação do inibidor de quinase lenvatinib com a imunoterapia pembrolizumab. Todas as pacientes, independentemente da instabilidade do microssatélite (MSI) ou do status de reparo por incompatibilidade (MMR), apresentaram resultados positivos. De acordo com a Dra. Angelica, já haviam dados anteriores com bons resultados para pacientes deficientes em MMR com imunoterapia, mas o KEYNOTE-146 mostrou também um resultado positivo para pacientes proficientes, com uma taxa de resposta de 36%, e respostas duradouras. “As taxas de resposta com os tratamentos atualmente disponíveis habitualmente não chegam a 20% neste grupo de pacientes. É um tratamento bastante promissor, com respostas acima do encontrado anteriormente e que muda a conduta do câncer de endométrio nas pacientes com estabilidade de MSI e proficientes em MMR ”, explica a Dra.

E outro dado relevante desse estudo é que, das pacientes que apresentaram resposta positiva, 80% não tiveram progressão em seis meses de uso da medicação. Mas, é importante ressaltar que essa combinação tem uma toxicidade significativa. O estudo apresentou episódios de hipertensão arterial, hemorragia fatal intracraniana e houve dois óbitos relacionados ao tratamento.


Imunoterapia para câncer de colo do útero

O estudo CHECKMATE-358 testou o efeito da combinação de nivolumab e ipilimumab em 91 pacientes com câncer de colo uterino metastático recidivado, em primeira ou segunda linha de tratamento.

Enquanto os imunoterápicos apresentam taxa de resposta de cerca de 20% quando utilizados isoladamente, o estudo mostrou que a combinação de nivolumab e ipilimumab levou à taxa de resposta da doença avançada de 35%. Um resultado promissor, mas que não muda a conduta de tratamento, já que o estudo não foi randomizado.

A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) promoveu um sorteio entre os associados que estiveram presentes no Annual Congress of the European Society for Medical Oncology (ESMO 2019). O requisito para participar era postar uma foto com a hashtag #SBOCnaESMO2019 nas redes sociais.

O ganhador da promoção foi o Dr. Rodrigo José de Vasconcelos Valença, de 44 anos, oncologista clínico do Hospital da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e da Clínica Oncobem, em Teresina. O oncologista é membro da SBOC há 15 anos e é a segunda vez que participa do congresso da ESMO. Para ele foi uma grande surpresa ter ganhado a promoção. “Eu não esperava. Meu maior objetivo em postar a foto com a moldura da ação foi reforçar a presença dos oncologistas da SBOC na ESMO. Mas fiquei muito feliz por ter sido sorteado.”

O prêmio foi um iPad 32 GB (Modelo Ipad Apple 2018 6ª Geração Space Gray). Perguntado se o prêmio será útil, Dr. Rodrigo explica que o iPad já tem um destino certo. “Vou presentear o meu filho de 10 anos, que é autista e que utiliza o equipamento para terapia e entretenimento. O dele é antigo e essa atualização aconterá em um ótimo momento”.

O especialista ficou sabendo da promoção por meio das redes sociais da SBOC, que ele acompanha com frequência. Ele conta que está sempre participando das atividades promovidas pela Sociedade. “Já estou contando os dias para o Congresso da SBOC, que acontece ainda este mês. Para mim é muito importante estar presente nesses eventos que só contribuem para a evolução da especialidade”. O evento ao qual o médico se refere é o XXI Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica, que acontece de 23 a 26 de outubro, no Rio de Janeiro.


SBOC na ESMO 2019

O congresso da ESMO, considerado o principal evento de oncologia da Europa e o segundo mais importante do mundo, aconteceu de 27 de setembro a 1º de outubro, em Barcelona, na Espanha, e contou com mais de 22 mil participantes de diferentes países.

Pelo terceiro ano consecutivo, a SBOC teve um estande no evento. Além de saber mais sobre os benefícios da entidade e sobre o Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica, os visitantes do estande puderam obter informações sobre o acordo de reciprocidade estabelecido entre a SBOC e a ESMO desde 2016, que permite que associados ESMO se tornem membros da SBOC, bem como associados SBOC tenham valores reduzidos e oportunidades únicas em relação à área educacional da ESMO.

SBOC na ESMO 2019

Notícias Sexta, 27 Setembro 2019 21:53

Pelo terceiro ano consecutivo, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) tem um estande no Congresso da ESMO (European Society for Medical Oncology), o principal evento de oncologia da Europa e o segundo mais importante do mundo.

O congresso acontece de 27 de setembro a 1º de outubro, em Barcelona, na Espanha, e conta com mais de 22 mil participantes de diferentes países. O programa, que traz os mais recentes avanços da oncologia, foi desenvolvido por um comitê composto por mais de 300 especialistas internacionais, sob a liderança dos Co-Presidentes Científicos, Jean-Yves Blay, da ESMO, e Anton Berns, da EACR (European Association for Cancer Research).

O estande da SBOC estará na Society Village, entre os Halls 4 e 5. Além de saber mais sobre os benefícios da SBOC e sobre o Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica, que acontece em outubro deste ano, os visitantes do estande também poderão obter informações sobre o acordo de reciprocidade estabelecido entre a SBOC e a ESMO desde 2016, que permite que associados ESMO se tornem membros da SBOC, bem como associados SBOC tenham valores reduzidos e oportunidades únicas em relação à área educacional da ESMO.

Também haverá promoção neste ano. Os associados adimplentes da SBOC que postarem no Facebook, Instagram ou Linkedin uma foto sua com a moldura digital da ação, com a hashtag #SBOCnaESMO2019, concorrerão a um iPad 32G. A moldura traz a frase “Eu sou SBOC e estou na ESMO 2019” para marcar a presença dos associados nesse importante evento. Clique aqui para acessar a moldura ou saber mais sobre a promoção.

Participe!

Confira abaixo quais foram os três casos selecionados pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) para apresentações orais na sessão Cancer Expert Now Forum do XXI Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica, que acontecerá em outubro, no Rio de Janeiro.

Selecionados CEN 24.09

 

Além de se apresentar em um dos maiores eventos de oncologia da América Latina, o apresentador de cada caso escolhido ganhará o pacote completo para participar do Congresso, incluindo inscrição, passagem aérea e hospedagem. Caso já tenha se inscrito no Congresso ou comprado passagem aérea e hospedagem, os valores serão reembolsados integralmente pela SBOC, mediante apresentação dos comprovantes.

O Cancer Expert Now é um serviço gratuito, oferecido com exclusividade aos membros da SBOC. O objetivo da plataforma é balizar a tomada de decisões por meio da discussão de casos reais propostos pelos próprios membros. A discussão é individualizada e confidencial, e pode ser utilizada de forma ilimitada.

Parabéns aos selecionados por utilizarem essa importante ferramenta e pelo prêmio!

 

A evolução do conhecimento científico em oncologia é rápida e constante, e impacta diretamente a prática clínica. Nesse contexto, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) promove encontros que visam a atualização sobre os principais tipos de câncer.

E nos dias 21 e 22 de setembro, aconteceu, no Maksoud Plaza Hotel, em São Paulo, o último Board Review SBOC do ano, que tem justamente esse objetivo. O evento, voltado a jovens oncologistas e residentes, concentrou a revisão de tudo o que é tido como padrão no tratamento de pacientes oncológicos no Brasil, nas áreas de rastreamento, prevenção e síndromes hereditárias; tumores geniturinários; neurológicos; ginecológicos; gastrointestinais; de pulmão; de cabeça e pescoço; de pele; e de mama. O conteúdo abordado no evento foi organizado em módulos que foram conduzidos de forma objetiva e dinâmica.

A diretora da SBOC e palestrante do módulo de tumores de cabeça e pescoço no evento, Dra. Aline Lauda Chaves, considera o Board Review uma ferramenta de reciclagem para todos os oncologistas, tanto os recém-formados quanto os mais antigos. “Com a quantidade impressionante de informações que temos em mãos hoje, não há como ser especialista em tudo. No Brasil ainda é muito incipiente a subespecialidade na oncologia. Na maioria das vezes, principalmente longe dos grandes centros, o oncologista trata todos os tipos de tumores. Então, o Board Review é uma oportunidade única para a revisão dos principais conceitos, além de possibilitar a discussão de novos estudos”, disse a médica.

E é em busca de atualização, que o Dr. Alessandro Henrique Previde Campos, oncologista de Cuiabá (MT), participou do encontro na capital paulista. “O que me trouxe para o Board Review foi a atualização de conteúdo e o conhecimento de novas práticas na oncologia. O evento foi muito bem planejado com aulas objetivas, focadas no que realmente importa na prática clínica e com embasamento nos principais estudos”, contou o especialista. Já a Dra. Bruna Raphaeli Silva Mattos, residente do A.C.Camargo Cancer Center (SP), se disse impressionada com a atualidade do conteúdo apresentado. “Algumas palestras comentaram sobre estudos publicados há 10 dias. Então, é evidente que o curso traz um conteúdo que realmente agrega e solidifica o conhecimento que adquirimos na residência em oncologia”. E para o Dr. Guilherme Nader Marta, oncologista de São Paulo (SP), o diferencial do evento foi a programação, a estrutura das aulas e o conteúdo. “A qualidade das aulas, dos materiais e dos palestrantes foi de altíssimo nível. Uma oportunidade imperdível de atualização nas principais áreas da especialidade”.

Para o vice-presidente da SBOC para ensino da oncologia, Dr. Rodrigo Munhoz, o encontro também é uma forma de padronizar as condutas num país que é tão heterogêneo quanto o Brasil. “É natural que se tenha variações no tratamento dessas especialidades em um país como o nosso. Então, ter um curso como esse, que contempla diferente áreas e que busca trazer aquilo que é padrão e que pode ser aplicado em nível nacional, é muito importante”, explica o especislista, que também ministrou o módulo de tumores de pele e sarcomas no evento.

O Board Review de São Paulo foi o quarto realizado neste ano pela SBOC. Os anteriores aconteceram em Salvador (BA), Porto Alegre (RS) e Brasília (DF). Em breve, o conteúdo apresentado nos encontros estará disponível no portal da entidade para acesso exclusivo dos associados.


Foco na educação em oncologia

O Board Review está entre as iniciativas da Escola Brasileira de Oncologia (EBO). Lançada no ano passado para solidificar os programas, ações e eventos educacionais da SBOC, a EBO tem a missão de ampliar e fortalecer o conhecimento técnico e científico de todos os profissionais de saúde envolvidos com a prática da oncologia clínica.

Para o Dr. Gilberto de Castro Junior, oncologista clínico membro da SBOC e palestrante do módulo de tumores de pulmão no Board Review, a EBO promove a difusão do conhecimento em oncologia, que é tão fundamental, fazendo com que ele não fique restrito ao ambiente acadêmico ou de pesquisa. “A EBO dissemina o conhecimento não só para os oncologistas, mas para toda a comunidade que lida com câncer no Brasil, desde o médico que atende aos pacientes em suas diferentes especialidades, pessoas envolvidas com pesquisa básica ou translacional, epidemiologistas, até toda a equipe multidisciplinar. E o mais importante: possibilita o acesso de todas essas pessoas a conteúdos de alto nível, pautados por rigor científico, ética e principalmente por isenção, que são marcas da SBOC”, disse o oncologista.

E o Dr. Artur Katz, oncologista clínico ex-presidente da SBOC, que também ministrou sobre câncer de pulmão no Board Review, concorda sobre a relevância da EBO. Ele conta que havia uma necessidade de se ocupar um espaço educacional absolutamente isento, dirigido tanto aos médicos, sob a forma de educação continuada, quanto aos mais jovens, que vão prestar a prova do título de especialista, e que a gestão atual da SBOC concretizou essa iniciativa. “Até então, grande parte dos eventos aos quais os oncologistas mais jovens tinham acesso era promovida pela indústria que, evidentemente, procura fazer da forma mais isenta e honesta possível, mas, muitas vezes, com foco no lançamento e na atualização de produtos. Nos eventos da EBO, da SBOC, o foco é diferente. Pode se fazer uma avaliação do ponto de vista da patologia, independentemente da terapêutica empregada, e isso é um ganho muito grande para a oncologia”, afirmou o especialista.

Além dos Board Reviews, fazem parte da EBO o novo PROC (Programa de Residência Médica em Oncologia Clínica), diversos programas específicos para jovens oncologistas e residentes, a Gincana Nacional da Residência e as videoaulas SBOC.

O resultado dos casos selecionados para apresentações orais no Congresso será divulgado em 23 de setembro


Há um mês, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) divulgou que selecionará três casos enviados para o Cancer Expert Now, plataforma para discussão de casos clínicos com especialistas do Brasil e dos Estados Unidos, para serem apresentações orais no XXI Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica, que acontece em outubro, no Rio de Janeiro. Serão considerados para a seleção os casos enviados no período de 1º de janeiro a 6 de setembro. Além de se apresentarem em um dos maiores eventos de oncologia da América Latina, os associados SBOC autores dos casos escolhidos ganharão o pacote completo para participarem do Congresso, incluindo a inscrição, passagem aérea e hospedagem.

Na ocasião, a SBOC informou que o resultado seria divulgado na segunda semana de setembro, porém, com o grande número de casos recebidos, a data de divulgação foi adiada para 23 de setembro. “O número de casos enviados para a plataforma superou nossas expectativas. Foram mais de 100 casos. Vamos analisar um a um para fazermos uma seleção justa e de acordo com os critérios pré-estabelecidos”, informou Dra. Cinthya Sternberg, diretora excecutiva da SBOC.

Uma Comissão Avaliadora da SBOC escolherá os três casos utilizando como critérios a atualidade e relevância do tema. O resultado será divulgado no portal da entidade. Caso os autores dos casos selecionados já tenham se inscrito no Congresso ou comprado a passagens aérea e hospedagem, os valores serão reembolsados integralmente pela SBOC, mediante apresentação dos comprovantes.

O Cancer Expert Now é um serviço gratuito oferecido com exclusividade aos membros da SBOC. O objetivo da plataforma é balizar a tomada de decisões por meio da discussão de casos reais propostos pelos próprios membros. A discussão é individualizada e confidencial, e pode ser usada de forma ilimitada.

Uma matéria veiculada no Bom Dia Brasil, da TV Globo, com a participação da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), mostrou que o Tribunal de Contas da União (TCU) deu um prazo de 90 dias ao Ministério da Saúde para que elabore um plano de ação com medidas que agilizem o diagnóstico de pessoas com câncer. Em auditoria realizada junto a diversas agências de saúde pública, divulgada em 5 de setembro, o tribunal identificou que a maioria dos pacientes recebe o diagnóstico de câncer quando já se encontra em estágio avançado da doença. Em alguns casos, a demora é de até 200 dias.

Na reportagem, o Dr. Gilberto Amorim, oncologista clínico membro da SBOC, reforçou a importância do rápido diagnóstico do câncer. "Tratar a doença inicial é mais barato. É obviamente melhor para o paciente, pois as chances de cura são muito mais altas. Não precisa ser especialista em oncologia para entender que tratar um tumor de um centímetro é muito mais simples do que tratar de um oito, nove ou dez centímetros por exemplo, ou um tumor claramente inoperável", disse o especialista.

Outro dado importante é que cerca de 56% dos pacientes só recebem a confirmação da doença quando ela já está bastante desenvolvida, o que diminui as chances de cura. E o percentual vem crescendo nos últimos anos: em 2013, eram 53%. O TCU encontrou diversos gargalos que o paciente de câncer enfrenta antes de começar o tratamento: o agendamento da primeira consulta com o especialista, a demora na realização da biópsia, os atrasos ao obter o resultado dos exames, e o retorno ao especialista para confirmar o diagnóstico. Somando essas etapas, a estimativa de espera chega a quase sete meses. "Dependendo do tipo de câncer, esse tempo é a diferença entre conseguir ficar ou não ficar curado", complementou Dr. Gilberto Amorim.

Assista à reportagem: http://bit.ly/2kDDdhS

No dia 5 de setembro, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) marcou presença no Congresso Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC), levantando novamente a bandeira do acesso.

Dr. Sergio D. Simon, presidente da SBOC, participou do painel “Saúde Suplementar – Na busca por um atendimento integral” no qual apresentou as ações realizadas pela SBOC para melhorar o acesso dos brasileiros aos tratamentos oncológicos. Recentemente, a SBOC submeteu, de uma forma inédita, 26 medicamentos para o rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que é atualizado de dois em dois anos. Em sua apresentação, Dr. Sergio mostrou que 100% das submissões foram consideradas favoráveis na fase de análise de elegibilidade. “Considerando que mais de 50% do total de submissões recebidas pela ANS não passam dessa primeira fase, estamos caminhando para um bom resultado. Isso é fruto de um árduo trabalho realizado pela nossa equipe. No processo de submissão, foram analisados mais de 120 documentos. Nossos especialistas contribuíram com a análise técnica e ainda fizemos uma detalhada análise socioeconômica. Tudo isso porque entendemos que entre os nossos papéis está o de defender a boa prática clínica, que se traduz na autonomia de prescrever o que é melhor para o paciente”, disse.

A ANS recebeu o total de 1.137 formulários de submissão e foram elegíveis para a próxima etapa 215 propostas, ou seja, apenas 19% do total. E todas as solicitações da SBOC estão incluídas nesse número. Agora, inicia a próxima fase, que consiste na análise técnica de cada submissão com base em evidência clínica comprovada, avaliação econômica e análise de impacto orçamentário. “Nossos especialistas estão preparados para participarem das reuniões do Comitê Permanente de Regulação da Atenção à Saúde (Cosaúde) para que, com o conhecimento técnico, possam defender as submissões”, explicou Dr. Sergio. Essas reuniões ainda não têm data definida, mas, de acordo com o cronograma do ciclo de atualização do rol da ANS, devem ocorrer até janeiro de 2020.

O presidente da SBOC falou ainda sobre as dificuldades nos fluxos dessas atualizações, como por exemplo, o prazo extenso de dois anos. “Essas atualizações deveriam ocorrer pelo menos de seis em seis meses. Imagine que um importante medicamento é aprovado pela Anvisa e demora quase três anos para ser autorizado para a utilização dos pacientes dos planos de saúde. São dois anos do fluxo de aprovação e mais alguns meses para que o tratamento chegue aos pacientes. Muitas vidas podem ser afetadas nesse período tão extenso. Os fluxos precisam ser revistos e vamos continuar reforçando isso.”

Também participaram do painel Rogério Scarabel, Diretor da ANS; Dr. Cláudio Lotemberg, presidente do UnitedHealth Group Brasil; Dr. Helio Calábria, diretor de Novos Negócios e Relacionamento do Grupo Oncoclínicas; Dra. Fabiana Guardão Silva, advogada especialista em direito do consumidor – planos de saúde; e Tiago Cepas Lobo, da área de Advocacy e Políticas Públicas da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (ABRALE).

O Congresso é parte do Movimento TJCC (Todos Juntos Contra o Câncer), uma iniciativa co-criada pela ABRALE e outras 100 organizações da Oncologia no país, para fomentar a implementação e aprimoramento da PNPCC – Política Nacional para a Prevenção e Controle do Câncer no país.

Nos dias 7 e 8 de setembro, aconteceu, na cidade de Porto Alegre (RS), o Board Review da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC). Voltado aos oncologistas clínicos e residentes, o evento apresentou diretrizes e atualizações sobre os principais tipos de câncer, com especialistas considerados referência em suas áreas.

O conteúdo programático foi abordado de forma objetiva com aulas expositivas, respeitando a legislação e as aprovações vigentes no Brasil, organizadas em módulos que contemplaram as seguintes áreas da especialidade: rastreamento, prevenção e síndromes hereditárias; tumores geniturinários; neurológicos; de pulmão; de cabeça e pescoço; de pele e sarcomas; tumores ginecológicos, de mama; e gastrointestinais.

O Dr. Aníbal de Mello Nogueira, oncologista clínico de Ijuí (RS) que participou do evento, se disse impressionado com a qualidade do conteúdo abordado. “Os módulos foram dinâmicos, informativos e trouxeram uma ampla revisão para nós oncologistas, principalmente nas áreas onde não temos muita prática. Um evento sintético e muito prático”, afirmou o participante. A Dra. Angela Dal Pizzol Leite, residente do terceiro ano de oncologia (Porto Alegre), concordou com o colega e contou que achou muito bom o fato de o encontro abordar também as áreas pouco vistas em outros eventos, como sistema nervoso central e sarcomas. “É interessante termos a visão do todo, incluindo essas doenças pouco prevalentes na oncologia. E nesse contexto, o programa foi bem completo”, concluiu a residente.

Para a Dra. Angélica Nogueira Rodrigues, oncologista clínica membro da SBOC e palestrante do módulo sobre tumores ginecológicos, com a célere evolução da oncologia fica mais difícil para um profissional se atualizar isoladamente. “Trazer grandes especialistas para, em um curto intervalo de tempo, mostrar as práticas atualizadas é quase um presente para os médicos oncologistas que querem atuar de acordo com as melhores evidências”, disse a médica. Dra. Fernanda Casarotto, oncologista clínica membro da SBOC e palestrante do módulo sobre tumores de cabeça e pescoço, destacou o fato de o evento acontecer em regiões diferentes. “Muitas vezes os eventos são centralizados em São Paulo ou no Rio de Janeiro e levar o Board Review para diferentes regiões demonstra uma preocupação com a inclusão na educação oncológica”, ressaltou a especialista.

Além da edição em Porto Alegre, neste ano aconteceram outros três encontros: o de Salvador (BA), em 31 de agosto e 1º de setembro; o de Brasília (DF), em 14 e 15 de setembro; e o de São Paulo (SP), nos dias 21 e 22 do mesmo mês.

Acesse aqui mais informações sobre os Board Reviews SBOC.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) atualizou as Listas de Medicamentos e Diagnósticos Essenciais - documentos de orientação aos países com os produtos que devem ser priorizados pelos governos no abastecimento do sistema público de saúde.

Foram adicionadas à Lista de Medicamentos Essenciais cinco terapias contra o câncer, consideradas as melhores em termos de taxas de sobrevivência para tratar câncer de pele melanoma, pulmão, próstata e cânceres hematológicos. A OMS incluiu duas imunoterapias, o Nivolumab e o Pembrolizumab, que fornecem até 50% de sobrevida aos pacientes com melanoma avançado, um câncer que até recentemente era incurável. Também foram introduzidos o Desatinibe, para leucemia e linfoma; o Bortezomibe e a Lenalidomida, para o Mieloma Múltiplo; e medicações via oral para o câncer de próstata, como a Abiraterona, e para o câncer de pulmão EGFR mutado, como o Gefitinibe ou Erlotinibe.

Com essa lista, a OMS sugere fortemente onde os governos devem investir recursos para seus sistemas de saúde. Nos últimos 10 anos, metade das novas inclusões contemplaram medicações oncológicas. A OMS recomenda que os governos se empenhem em negociar com as indústrias condições para ampliar o acesso. “O mínimo que esperamos é que essas terapias sejam incorporadas ao SUS rapidamente, já que são classificadas pela OMS como essenciais. Vamos acompanhar para que não se repita o que aconteceu com o Trastuzumabe, usado no tratamento adjuvante de câncer de mama HER2 positivo mestatático. Ele estava na lista de medicamentos essenciais da OMS desde 2015, mas só foi incorporado ao SUS em 2017”, explana Dr. Sergio D. Simon, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC).

Das cinco terapias incluídas na lista da OMS, somente a Abiraterona, para o tratamento de câncer de próstata metastático, está em processo de incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS). Em 25 de julho, a decisão de incorporação foi publicada pelo Ministério da Saúde e a tecnologia deverá estar disponível para os pacientes daqui a seis meses.

Com a atualização da lista este ano, 460 produtos são considerados essenciais no atendimento às principais necessidades de saúde pública. Metade dos medicamentos que foram incorporados à lista nos últimos 10 anos são para tratar diferentes tipos de câncer, e a cada ano são recebidas de 20 a 30 solicitações relacionadas a essa doença.


Lista de Diagnósticos Essenciais

A primeira Lista de Diagnósticos Essenciais foi publicada em 2018, concentrando-se em um número limitado de infeções prioritárias, como HIV, malária, tuberculose e hepatites. Este ano, o catálogo foi expandido para abranger mais doenças não transmissíveis e transmissíveis.

Considerado os desafios do diagnóstico precoce do câncer (70% das mortes por pela doença ocorrem em países de baixa e média renda, principalmente porque a maioria dos pacientes é diagnosticada de forma tardia), a OMS adicionou à lista 12 testes para detectar uma ampla gama de tumores sólidos. Para apoiar o diagnóstico adequado, uma nova seção cobrindo testes anatomopatológicos foi adicionada; este serviço deve ser disponibilizado em laboratórios especializados.

Para ver as Listas de Medicamentos e Diagnósticos Essenciais na íntegra, acesse o portal da OMS