Oportunidades para Oncologistas

Fabiana Rocha

Fabiana Rocha

Motivados a mudarem a realidade da pesquisa na região onde atuam. Foi assim que a Dra. Aline Barros Pinheiro e o Dr. Angelo Borsarelli Carvalho de Brito, residentes selecionados no Programa de Capacitação em Pesquisa Clínica da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) deste ano, saíram de Ijuí (RS). Entre os dias 17 e 19 de junho, eles estiveram no Centro de Pesquisa em Oncologia do Hospital de Caridade – Oncosite, considerado referência nacional na área, onde puderam acompanhar todas as etapas do desenvolvimento de um estudo clínico.

Dra. Aline, que é residente do terceiro ano da Santa Casa da Bahia – Hospital Santa Izabel, em Salvador, conta que ficou impressionada com o engajamento e com a interação dos integrantes da equipe de pesquisa. “Eles foram muito profissionais e se mostraram preocupados em disseminar o conhecimento que possuem. Nos apresentaram o passo a passo para a condução de um estudo clínico, desde como entrevistar os pacientes até a interação com a assitência. Acompanhamos cada etapa ali, na prática”, diz ela.

Para Dr. Angelo, residente do primeiro ano do A.C.Camargo Cancer Center, na capital paulista, os três dias em Ijuí passaram muito rápido, pois durante todo o período tinham atividades. “Foi como um treinamento prático. Acompanhamos cada processo e cada uma das áreas envolvidas, como farmácia, enfermagem, entre outras”, conta.

De acordo com o Dr. Fábio Franke, vice-presidente da SBOC para Pesquisa Clínica e Estudos Corporativos, coordenador do Centro de Pesquisa Clínica em Oncologia do Hospital de Caridade de Ijuí – Oncosite e do Programa de Capacitação em Pesquisa Clínica, os dois residentes puderam conhecer a rotina de um centro de pesquisa de perto, o dia a dia dos investigadores, da equipe de coordenadoras que trabalha diretamente na parte regulatória e na parte burocrática do estudo, o funcionamento de uma farmácia de pesquisa, o recrutamento dos pacientes, inclusão em um protocolo de pesquisa, discussão de todas as questões regulatórias e éticas da aprovação sanitária. “São detalhes que, por vezes, só a teoria não nos traz, mas sim o convívio, por meio da prática”, salienta.

“Essa experiência fez com que eu mudasse o meu olhar quanto à realização da pesquisa clínica no Brasil, pois a equipe de Ijuí consegue conduzir os estudos mesmo com tantos entraves burocráricos”, relata a Dra. Aline. Para ela, tudo o que viu no Programa é reproduzível e conhecer a história do Centro de Pesquisa e de como tudo foi construído contribuiu para entender o ponto de partida, os desafios esperados e também o tempo levado para conquistar o patamar atual. “Com toda a bagagem que eu recebi lá, estou disposta a vivenciar a pesquisa em qualquer lugar que eu vá trabalhar e minha intenção para o futuro é realmente montar um centro de pesquisa”, diz a residente.

O Dr. Angelo conta que a imersão também mudou a sua percepção. “Eu tive a oportunidade de interagir com os pacientes e perceber o quanto eles são gratos pelo trabalho realizado no Centro de Pesquisa. Isso porque é por meio da pesquisa clínica que eles podem conseguir medicações que são eficazes, mas ao mesmo tempo muito caras, e acessíveis apenas para uma pequena parte da população”, relata o futuro oncologista.

Na avaliação do Dr. Fábio Franke, o objetivo foi totalmente cumprido. “Acredito que conseguimos despertar nos residentes a motivação pela qual o programa da SBOC foi criado, que é disseminar a pesquisa clínica Brasil afora”, afirma. 

Foto equipe 2019

Os residentes com alguns integrantes da equipe do Centro de Pesquisas em Oncologia do Hospital de Caridade – Oncosite

Novas portas

Os dois residentes veem essa experiência como um diferencial que poderá abrir portas de atuação no futuro. “A importância da pesquisa no desenvolvimento do conhecimento e na melhora do tratamenro dos pacientes é essencial. Pude conhecer os processos e protocolos de pesquisa clínica. Isso me traz segurança para atuar na área e creio que fará a diferença na minha carreira”, ressalta Dr. Angelo.

“Eu vi uma nova porta se abrir, uma nova área de atuação. O Programa me mostrou que além da assistência na oncologia, é possível atuar na área de pesquisa também. E sei que é algo que nos próximos anos vai crescer muito aqui no Brasil, principalmente após a aprovação do marco regulatório da pesquisa clínica. Imagino que teremos uma grande demanda de estudos no país”, diz Dra. Aline.

Ela se refere ao projeto de lei 7082/2017, que está avançando na Comissão de Seguridade Social e da Família da Câmara dos Deputados. “Estamos bastante esperançosos de que o PL seja votado e finalizado nesta Comissão. O objetivo é que possamos, no novo governo, submetê-lo à última Comissão e, ainda em 2019, contar com esse marco regulatório para liberar as pesquisas clínicas no Brasil num tempo mais ágil, tanto na aprovação regulatória quanto na aprovação ética”, explica Dr. Fábio Franke.

O Programa de Capacitação em Pesquisa Clínica da SBOC também selecionou quatro jovens oncologistas: um do Centro-Oeste, um da região Norte, um do Nordeste e um das regiões Sul/ Sudeste. Os selecionados farão o Programa em Ijuí em períodos alternados: os oncologistas do Norte e Sul/Sudeste no período de 26 a 28 de agosto; e os oncologistas das regiões Nordeste e Centro-Oeste no período de 4 a 6 de novembro.

Clique aqui para saber mais sobre o Programa.

A companhia Allergan promoveu, no último dia 24 de julho, um recall de próteses mamárias texturizadas de silicone, a pedido da Food and Drug Administration (FDA) e da Anvisa. Essas próteses têm sido associadas a um pequeno número de casos de linfoma (um câncer do tecido linfático) ao redor da prótese. No total, foram relatados 573 casos de linfoma em todo o mundo, dos quais apenas 33 levaram à morte.

Tendo em vista as milhões de próteses texturizadas implantadas no mundo, o risco de desenvolvimento desse tipo de linfoma é mínimo. Os sintomas do linfoma associado às próteses são aumento do volume da região mamária, acúmulo de líquido ao redor da prótese (seroma) e, em alguns casos, dor – sintomas esses que por vezes aparecem anos após a colocação da prótese. O diagnóstico pode ser estabelecido por uma punção do seroma com análise das células extraídas, ou por biópsia da própria cápsula ao redor da prótese. O tratamento consiste simplesmente na retirada da prótese e do tecido circunjacente, uma vez que normalmente este tipo de linfoma é localizado e não há necessidade de quimioterapia ou radioterapia. Nos raríssimos casos nos quais a doença se dissemina serão necessários tratamentos adicionais.

Em vista disso, a SBOC faz às pacientes portadoras de próteses mamárias, com ou sem câncer de mama, as seguintes recomendações:

1. Esclareça com seu cirurgião que tipo de prótese foi utilizada no seu caso.
2. NÃO está indicada a remoção das próteses já colocadas, mesmo daquelas do tipo retirado do mercado. O risco de desenvolvimento de linfoma é mínimo.
3. Fique atenta aos sintomas de aumento do volume da mama e dor local.
4. Em caso de dúvida, fique em contato com o seu cirurgião.
5. Continue fazendo normalmente os seus exames de rastreamento de câncer de mama, como mamografia, ultrassonografia ou ressonância magnética da mama. Não há necessidade de aumentar a frequência desses exames.
6. A implantação dos outros modelos de próteses de silicone, não texturizadas (lisas), é totalmente segura e deve ser feita normalmente, nos casos indicados.

 

Dr. Sergio D. Simon
Presidente da Sociedades Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC)

Membros Titulares da SBOC

Dr. Carlos H.E. Barrios, do Grupo Oncoclínicas - Porto Alegre/ RS

Dr. Gilberto Amorim, do Grupo D'or - Rio de Janeiro/ RJ

Dr. José Bines, do Grupo D'Or - Rio de Janeiro/ RJ

Dr. Max S. Mano, do Hospital Sírio Libanês - São Paulo/ SP

Dr. Rafael G. Kaliks, do Hospital Israelita Albert Einstein - São Paulo/ SP

Está no site da IV Gincana Nacional da Oncologia para Residentes o vídeo do nono caso da Gincana deste ano, sobre câncer de mama - tratamento neoadjuvante, com a Dra. Maria de Fátima Dias Gaui. A Oncologista Clínica é membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC); Mestre pela UFRJ; com Residência em Hematologia pela UFRJ e em Oncologia Clínica pelo INCA; Oncologista Clínica do Grupo Américas; e professora assistente de Oncologia Clínica na UFRJ. Ela comenta, no vídeo, as características do caso apresentado e as respostas das cinco questões publicadas.

Clique aqui para ver o vídeo.

Acesse aqui mais informações sobre a Gincana.

As Sociedades Brasileiras de Oncologia Clínica (SBOC), Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML), Patologia (SBP) e o Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) promovem, em conjunto, o Encontro de Sociedades Médicas – Câncer: Diagnóstico e Conduta, que será realizado nos dias 2 e 3 de agosto, no Hotel Intercontinental, em São Paulo.

O encontro terá conteúdo de atualização científica a respeito do diagnóstico do câncer e do tratamento do paciente em suas interfaces multidisciplinares. A programação conta com mesas redondas, debates e conferências sobre tumores de pulmão, do trato gastrointestinal, de mama, reto, do trato gênito urinário, câncer ginecológico e melanoma, abordando questões como a identificação de fatores preditivos de resposta a terapia-alvo e imunoterapia, recursos laboratoriais para o diagnóstico e monitoramento, classificação molecular e testes multigênicos, entre outras.

As inscrições podem ser feitas até o dia 1º de agosto. Os valores são R$ 300,00 para associados adimplentes das Sociedades que promovem a atividade e R$ 400,00 para os demais.

Para residentes o valor da inscrição é reduzido: R$ 100,00. Além disso, residentes associados SBOC podem concorrer à inscrição gratuita. Os primeiros 10 residentes associados SBOC que enviarem um e-mail descrevendo, em um parágrafo, a importância do diagnóstico para o tratamento oncológico terão INSCRIÇÃO GRATUITA. O e-mail deve ser enviado para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. com o título “Encontro de Sociedades Médicas” e o texto deve ter, no máximo, 10 linhas.

Para ver a programação completa do evento ou para se inscrever, acesse http://bit.ly/2XRYjLf.

Nas últimas semanas, o Ministério da Saúde rompeu Parcerias de Desenvolvimento Produtivo (PDPs) com sete laboratórios públicos nacionais, fabricantes de 18 medicamentos e uma vacina que são distribuídos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os medicamentos são para tratamento de câncer, diabetes e transplantados.

Em nota, o Ministério justificou que a suspensão das parcerias aconteceu por diversos motivos, entre eles a recomendação de órgãos de controle (como a Controladoria-Geral da União e o Tribunal de Contas da União); decisão judicial; descumprimento de cronograma; e falta de avanços esperados. “Trata-se de uma medida regular e recomendada pelos órgãos de controle, além de estar prevista no marco regulatório das PDPs e realizada com normalidade. Toda e qualquer parceria que estiver em desacordo é suspensa para avaliação”.

Na mesma nota a pasta também esclareceu que, para garantir o abastecimento da rede, eles vem realizando compras desses produtos por outros meios previstos na legislação. “A medida, portanto, não afeta o atendimento à população. A maior parcela dos medicamentos em fase de suspensão sequer chegou à fase de fornecimento do produto”, informou o Ministério da Saúde. De acordo com o gerente jurídico da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Tiago Farina Matos, de fato, em um primeiro momento, a medida não traz necessariamente impactos para os pacientes por ser uma questão administrativa. “O formato de PDP é uma estratégia para acesso a medicamentos, mas o governo pode adotar outras soluções. Contudo, políticas públicas como as PDPs precisam ser muito bem planejadas, implemerntadas e monitoradas para evitar desperdícios e adversidades sistêmicas”, afirma.

Para Dr. Sergio Simon, presidente da SBOC, a principal vantagem das PDPs é a redução de preços de medicamentos importantes, principalmente aqueles voltados ao tratamento do câncer. “São produtos muito caros, o que faz com que o rompimento dessas Parcerias nos preocupe. Apesar disso, até o momento, não nos posicionamos, uma vez que o governo garantiu que não haverá desabastecimento e que se utilizará de outros meios para adquirir os medicamentos. Se houver, de fato, algum prejuízo em relação ao fornecimento, nos posicionaremos, assim como já o fizemos em outras ocasiões”, conclui o especialista.

Entre os principais laboratórios excluídos dos contratos com o Ministério estão Biomanguinhos, Butantâ, Bahiafarma, Farmanguinhos, Furp e Tecpar. Confira a lista dos remédios contemplados nas Parcerias suspensas:

• Adalimumabe, Solução Injetável (40mg/0,8mL), produzido por TECPAR;
• Adalimumabe, Solução Injetável (40mg/0,8mL), produzido por Butantan;
• Bevacizumabe, Solução injetável (25mg/mL), produzido por TECPAR;
• Etanercepte, Solução injetável (25mg; 50mg), produzido por TECPAR;
• Everolimo, Comprimido (0,5mg; 0,75mg; 1mg), produzido por Farmanguinhos;
• Gosserrelina, Implante Subcutâneo (3,6mg; 10,8mg), produzido por FURP;
• Infliximabe, Pó para solução injetável frasco com 10mL (100mg), produzido por TECPAR;
• Insulina (NPH e Regular), Suspensão injetável (100 UI/mL), produzido por FUNED;
• Leuprorrelina, Pó para suspensão injetável (3,75mg; 11,25mg), produzido por FURP;
• Rituximabe, Solução injetável frasco com 50mL (10mg/mL), produzido por TECPAR;
• Sofosbuvir, Comprimido revestido (400mg), produzido por Farmanguinhos;
• Trastuzumabe, Pó para solução injetável (150mg; 440mg), produzido por Butantan;
• Cabergolina, Comprimido (0,5mg), produzido por Bahiafarma Farmanguinhos;
• Insulina (NPH e Regular), Suspensão injetável (100 UI/mL), produzido por Bahiafarma;
• Pramipexol, Comprimido (0,125mg; 0,25mg; 1mg), produzido por Farmanguinhos;
• Sevelâmer, Comprimido (800mg), produzido por Bahiafarma Farmanguinhos;
• Trastuzumabe, Pó para solução injetável (150mg), produzido por TECPAR;
• Alfataliglicerase, Pó para solução injetável (200 U), produzido por BioManguinhos;
• Vacina Tetraviral, Pó para solução injetável, produzido por BioManguinhos.

Vêm aí os Board Reviews SBOC

Notícias Quarta, 17 Julho 2019 18:52

Estão definidos os estados e os períodos em que acontecerão os Board Reviews da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) neste ano. A atividade faz parte da Escola Brasileira de Oncologia, braço educacional da SBOC.

Voltados aos residentes em Oncologia Clínicia e oncologistas em busca de atualização de seus conhecimentos, os encontros têm duração de dois dias. As aulas, desenvolvidas por especialistas convidados pela SBOC, são sobre as principais áreas da especialidade.

O conteúdo programático é abordado de forma objetiva, em aulas expositivas, respeitando a legislação e as aprovações vigentes no Brasil, sempre em linha com as Diretrizes da SBOC.

Veja abaixo a programação e reserve sua agenda:

31/08 e 01/09 – Salvador - BA
07 e 08/09 – Porto Alegre - RS
14 e 15/09 - Brasília - DF
21 e 22/09 – São Paulo - SP


Em breve, mais informações.

Dia 27 de julho é o Dia Mundial de Prevenção do Câncer de Cabeça e Pescoço e, para conscientizar os brasileiros sobre a importância do diagnóstico precoce para a eficácia no tratamento, a Associação de Câncer de Boca e Garganta - ACBG Brasil criou a campanha Julho Verde. A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) apoia a campanha, que vem chamar atenção para um tumor cujos sintomas, muitas vezes, são negligenciados. A prova disso é que um dos principais problemas para o tratamento é o diagnóstico tardio, que ocorre em 60% dos casos, causando uma perda significativa da qualidade de vida durante e após o tratamento, na maioria dos casos com o comprometimento da fala e outras sequelas funcionais e psicológicas.

O consumo de álcool e o tabagismo são grandes fatores de risco para o câncer de cabeça e pescoço. O hábito de beber e fumar pode multiplicar em até 20 vezes a possibilidade de uma pessoa saudável desenvolver a doença. Contudo, a infecção pelo HPV (papilomavírus humano) tem contribuído com o aumento na incidência desse tipo de tumor nos últimos anos. “A infecção pelo HPV é um importante fator de risco para o câncer de cabeça e pescoço, especialmente na região da orofaringe, que engloba a base da língua, as amídalas e a parte lateral e posterior da garganta”, explica o oncologista clínico membro da SBOC, Dr. Felipe Roitberg.

Segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer), o Brasil registra cerca de 41 mil novos casos de câncer de cabeça e pescoço a cada ano. E um dado alarmante é o aumento da incidência dos tumores de cabeça e pescoço entre os jovens. “Se contabilizarmos historicamente, esses tumores acometiam os pacientes mais idosos, os tabagistas e os etilistas. Mas, nos últimos 20 ou 30 anos, surgiu mais um fator de risco, o vírus HPV, que tem contribuido para maior incidência em jovens. E uma das formas de contágio por essa infecção, em ambos os sexos, é a prática do sexo oral desprotegido e de relações sexuais com múltiplos parceiros”, diz Dr. Felipe.

Além do aumento na incidência entre os jovens, o oncologista conta que, de acordo com um recente estudo norte-americano, houve um aumento no número de casos de tumores de cabeça e pescoço relacionados ao HPV em pacientes nascidos nos Estados Unidos antes de 1955. “Por analogia, podemos avaliar que se trata da geração que pregou o amor livre num momento em que a questão do sexo protegido não era tão discutida como hoje e que, possivelmente, não adquiriu o hábito de uso de preservativos. E um fato que acontece até hoje, principalmente no Brasil, é que as pessoas não relacionam o sexo seguro com a prevenção do câncer”. E isso realmente acontece. Uma pesquisa realizada pela SBOC aponta que 59% da população não usa preservativo como medida de prevenção ao câncer e quase 30% desconhece a relação direta entre o uso e a redução do risco de desenvolver a doença.

De acordo com o Ministério da Saúde, estima-se que cerca de 54,6% dos brasileiros entre 16 e 25 anos estão infectados com HPV e, em 38,4% deles, tratam-se dos subtipos de alto risco, associados a alguns tipos de câncer, como o de cabeça e pescoço.


Uma doença altamente prevenível

As chances de desenvolver câncer de cabeça e pescoço podem ser consideravelmente reduzidas. Evitar o consumo de álcool e de tabaco e prezar pela higine bucal são atitudes que previnem esse tipo de tumor. Já o principal meio de evitar o contágio pelo HPV é o uso do preservativo nas relações sexuais, inclusive no sexo oral.

Uma outra forma, que é indicada principalmente para prevenir o câncer de colo do útero, mas também pode prevenir potenciamente o câncer de cabeça e pescoço, é a vacina contra o HPV, especialmente em meninos e meninas. “Os pais devem estar atentos à incidência crescente de tumores relacionados ao vírus entre os jovens e vacinar seus filhos”, alerta Dr. Felipe.

A vacina contra o HPV está disponível pelo Sistema Único de Saúder (SUS) para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. Ela combate os quatro tipos de vírus (6, 11, 16 e 18). Os tipos 16 e 18 são os mais relacionados ao câncer de colo uterino e de cabeça e pescoço.


Atenção aos sintomas

Dr. Felipe destaca a importância do diagnóstico precoce, que pode ter um papel fundamental na cura do paciente. “O diagnóstico precoce impacta diretamente na sobrevida, ou seja, quanto mais inicial, melhor. Se diagnosticado no primeiro estágio, por exemplo, a chance de curar um câncer de cabeça e pescoço é maior do que 80%.”

Por isso, é importante estar atento aos sinais e sintomas que persistam por mais de duas semanas, como lesões na boca que não cicatrizam; caroços (gânglios) na região do pescoço; rouquidão; dificuldade de engolir; ou dor de garganta persistente.

Está nas mãos de todos nós mudar o cenário do câncer de cabeça e pescoço no Brasil. #JulhoVerde

Está no site da IV Gincana Nacional da Oncologia para Residentes o vídeo do oitavo caso da Gincana deste ano, sobre Oncogenética, com a Dra. Ana Carolina Ribeiro Chaves de Gouvêa. Oncologista Clínica pela USP/ Icesp, ela é membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC); Especialista em câncer hereditário pelo City of Hope - USA; Observership no Cancer Genetics and Prevention Departament - DFCI/ Harvard Medical School.

A Dra. Ana Carolina comenta, no vídeo, as características do caso apresentado e as respostas das cinco questões publicadas. Clique aqui para ver o vídeo.

Acesse aqui mais informações sobre a Gincana.

A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) esteve presente em duas importantes reuniões realizadas nesta quinta-feira, 11 de julho, pela Comissão de Seguridade Social e Família, na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF).

No seminário sobre políticas públicas para o câncer de cabeça e pescoço, proposto pela deputada Carmen Zanotto (Cidadania-SC) para debater a necessidade de atualização das Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas e dar mais visibilidade à doença, o Dr. Gilberto de Castro Junior, oncologista clínico, representou a SBOC. O oncologista destacou a diferença entre o atendimento de pacientes da saúde suplementar e do Sistema Único de Saúde (SUS). “Na saúde suplementar, os pacientes têm acesso à radioterapia, ao cetuximabe e ao nivolumabe. No SUS, o acesso à radioterapia é difícil e não há essas opções de tratamento”, enfatizou Dr. Gilberto. Ele também falou sobre a importância da reabilitação e da reinserção do paciente à sociedade e ressaltou a necessidade de se ouvir as sociedades de especialidades médicas antes de uma possível atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do câncer de cabeça e pescoço.

Além da SBOC, estiveram presentes no seminário representantes da Agência de Saúde Suplementar (ANS); Associação de Câncer de Boca e Garganta (ACBG); Aliança de Controle do Tabagismo (ACT); Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP); Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBF); Associação Brasileira de Odontologia (ABO); e representantes do Ministério da Saúde.

Já na audiência pública para discutir a criação da Semana de Prevenção e Combate ao Câncer de Pele, Dr. Gustavo Fernandes, vice-presidente da SBOC para Relações Nacionais e Internacionais, esteve presente. O debate atende ao requerimento do deputado Dr. Frederico (Patriota-MG), relator do PL 4234/08 que, entre outras medidas, propõe a criação da semana de prevenção ao câncer de pele, a ser definida pelo Ministério da Saúde, com a realização de campanhas de esclarecimento e exames preventivos.

Dr. Gustavo alertou sobre a importância de conscientizar a população sobre o câncer de pele melanoma. “Se existe a responsabilidade de reduzir o número de melanomas, há a necessidade de uma ação com crianças e adolescentes, com o envolvimento dos pais e das escolas. No Brasil, estima-se seis mil melanomas diagnosticados por ano e duas mil mortes”. Ele ainda ressaltou que o oncologista brasileiro fora do sistema de saúde suplementar vive uma realidade muito dura, pois não há métodos apropriados no SUS para tratamento do melanoma, como por exemplo, a imunoterapia.

Também participaram da audiência pública representantes do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Em dois anos, 48 medicamentos para tratamento de câncer foram descontinuados no Brasil.


Nos últimos anos, e com frequência significativa, os pacientes com câncer têm enfrentando problemas com a descontinuidade de medicamentos. A baixa disponibilidade ou mesmo a não oferta de medicamentos nos mercados nacional e internacional se configura um problema de grande dimensão devido ao impacto na qualidade e segurança da assistência. 

Um estudo realizado pela Sociedade Brasileira de Farmacêuticos em Oncologia (Sobrafo), mostra que, em dois anos, 48 medicamentos para tratamento de câncer foram descontinuados no Brasil. Desse número, quase 20% foram descontinuados definitivamente. A classificação segue norma da  Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e é definida pelo detentor do registro do medicamento no Brasil no ato de sua comunicação à agência. O detentor do registro informa se trata-se de uma situação de suspensão temporária da fabricação ou importação do medicamento, quando este não tem a intenção de cancelar o registro do produto; ou se é definitiva, como nos casos em que há a intenção ou de cancelar ou de não renovar o registro do produto junto à Anvisa.

Gráfico

 

Em 50% dos casos, as descontinuidades de medicamentos foram motivadas por questões comerciais. As outras razões se referem a mudanças no local de fabricação, problemas com o princípio ativo da droga, questões de logística, entre outras. 

Especialmente na oncologia, há uma grande preocupação com essa situação, pois  o atraso do tratamento ou sua interrupção pode acelerar o crescimento do tumor e reduzir as chances de cura. De acordo com a Dra. Elaine Lazzaroni Moraes, vice-presidente executiva da Sobrafo, a descontinuidade de um antineoplásico diminui as alternativas terapêuticas para prescrição médica e gera a necessidade de adequação dos regimes quimioterápicos. “Tal ausência poderá suscitar a necessidade de substituições por medicamentos ou mesmo de protocolos que não seriam a primeira escolha de tratamento, colocando em risco a segurança do paciente e os resultados esperados”, afima a especialista em Farmácia Hospitalar. Além disso, o desabastecimento pode aumentar os custos dos tratamentos devido às aquisições de alternativas existentes no mercado, na maioria das vezes, de valor superior ao medicamento descontinuado. 

A norma da Anvisa sobre a descontinuidade de medicamentos estabelece que o detentor do produto avise com pelo menos 180 dias de antecedência sobre a descontinuidade. Quando o produto impacta no mercado, o prazo para aviso é de um ano de antecedência. Segundo a Dra. Elaine, esse prazo não atende a necessidade de avaliação detalhada, caso a caso, tampouco possibilita a definição de ações e a obtenção de resultados que evitem os potenciais impactos da ausência do produto no mercado. “A comunicação antecipada de um ano para medicamentos únicos no mercado nacional não permite a tomada de decisão sobre estratégias para evitar a desassistência dos pacientes, como por exemplo, a transferência de registro para outro detentor interessado, a nacionalização da produção no país pela indústria pública ou privada, ou a aprovação acelerada do registro de um produto substituto contendo o mesmo fármaco”, explica. 

E um dado relevante do estudo realizado deixa o cenário ainda mais preocupante: ceca de 20% dos medicamentos antineoplásicos descontinuados não têm substitutos no mercado brasileiro no momento de sua descontinuação. O que prejudica totalmente a escolha de tratamentos quimioterápicos pela falta do produto, deixando os pacientes “órfãos” de tratamento.

 

Infográfico

 

Paradoxo

Algumas drogas descontinuadas permanentemente foram desenvolvidas a partir dos anos 1950, não possuem patente e, por serem baratas, a indústria não tem mais interesse em produzí-las. E, ao mesmo tempo, novas drogas possuem um custo muito alto. 

O presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Dr. Sergio Simon, disse que esse desinteresse dos laboratórios pela fabricação de medicamentos mais antigos e baratos já aconteceu em outros países, mas que é preciso agir junto aos fabricantes para evitar o sumiço dos medicamentos, que são eficientes. Inclusive, em fevereiro do ano passado, algumas sociedades médicas em conjunto, incluindo a SBOC, assinaram uma carta aberta pedindo maior empenho do governo, indústrias farmacêuticas, sociedades especializadas e sociedade civil para que sejam tomadas medidas efetivas contra a falta de medicamentos oncológicos. “Muitos produtos têm um valor baixo e estão saindo do mercado por falta de interesse comercial e empenho do governo para organizar os suprimentos desses produtos de forma estruturada. Os tratamentos que substituem essas medicações antigas e eficazes são mais caros e não cabem dentro daquele custeio que é encaminhado pelo Ministério da Saúde, então a ideia do alerta é de tentar prevenir um desabastecimento maior que venha a nos forçar a comprar coisas mais caras para tratar as mesmas doenças”, diz Dr. Sergio.


O que pode ser feito?

Como a motivação comercial foi a principal justificativa utilizada pelos detentores de registro para a descontinuação de medicamentos antineoplásicos no país, existe a necessidade de estudar e mapear as especificidades do mercado farmacêutico em oncologia para assim propor estratégias que possam mitigar tal situação. 

De acordo com a vice-presidente da Sobrafo, a minimização do desabastecimento passa, dentre outras questões, por discussões sobre o modelo industrial do país. “A indústria farmacêutica nacional é dependente do fornecimento de insumos farmacêuticos e de medicamentos elaborados provenientes do mercado externo. Somado a isso, o marco regulatório sanitário mostra-se fundamental, a fim de definir prioridades em saúde e dar mais celeridade ao registro de produtos destinados às demandas não atendidas pelo mercado brasileiro”, conclui Dra. Elaine. 

Também está em análise, na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 267/19 que preconiza que medicamentos contra o câncer tenham produção ininterrupta. A proposta pretende obrigar a indústria farmacêutica a manter no mercado terapias essenciais ao tratamento, ainda que elas não sejam mais de interesse econômico para as empresas. 

 

Essa é uma reportagem da revista da SBOC: Oncologia&Oncologistas - edição 9.