Oportunidades para Oncologistas

Diego Freire

Diego Freire

Em meio às discussões e reflexões propostas pelo Outubro Rosa ao redor do mundo, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) participou, na última sexta-feira (16/10), de dois debates na Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados: primeiro, sobre o impacto da Lei dos 30 dias na vida das mulheres com suspeita de câncer; em seguida, sobre a importância de instituições da sociedade civil na jornada daquelas diagnosticadas com a doença na pandemia.

Dra. Daniele Assad, membro do Comitê de Tumores Mamários da SBOC, representou a entidade nas discussões e chamou a atenção para a queda da circulação de pacientes e da oferta de centros cirúrgicos e tratamentos, como radioterapia e quimioterapia, durante a pandemia. “Isso porque a COVID-19 desorganizou o sistema de saúde. Diante dessa realidade e dos graves riscos envolvidos, a SBOC liderou uma série de ações para orientar os médicos e pacientes no enfrentamento do novo coronavírus e do câncer”, conta.

Entre as iniciativas voltadas especificamente para o controle do câncer de mama, destacou-se nas reuniões recomendação técnica para tratamento de pacientes elaborada nos primeiros meses da pandemia e publicada na Brazilian Journal of Oncology (leia mais). “O material, fruto do trabalho de especialistas SBOC, comenta todos os passos do tratamento e orienta sobre diversos temas, desde os esquemas de quimioterapia a às decisões cirúrgicas relacionadas a subtipos biológicos do câncer de mama, passando por especificidades, como o uso da terapia anti-HER2 e endócrina adjuvante, e aconselhamento genético, entre outras abordagens.”

Sobre a Lei dos 30 Dias (Lei 13.896, de 30 de outubro de 2019), que estabelece que os exames necessários para a confirmação do diagnóstico de câncer sejam realizados no Sistema Único de Saúde (SUS) no prazo máximo de um mês, o coordenador do Comitê de Tumores Mamários da SBOC, Dr. Bruno Pacheco, reforça que sua aplicação pode ser decisiva na jornada da paciente com câncer de mama. “Todo paciente oncológico tem pressa, porque o câncer não espera, mas a demora no diagnóstico e no tratamento da paciente com tumores mamários pode fazer com que a mulher passe por uma mastectomia perfeitamente evitável. Além disso, a taxa de sobrevivência cinco anos após o diagnóstico aumenta consideravelmente quando a doença é diagnosticada ainda em seus primeiros estágios”, explica.

Também foram apresentadas iniciativas da SBOC para orientação e suporte ao oncologista clínico e à população em geral sobre diferentes tipos de câncer e demais assuntos relacionados ao cuidado oncológico durante a pandemia, como telemedicina e saúde mental, reunidas no especial coronavirus.sboc.org.br.

Os debates, mediados pela senadora Zenaide Maia (PROS-RN) e pela deputada Rejane Dias (PT-PI), integraram a programação do Outubro Rosa na Câmara, com o apoio da Primeira-Secretaria e da Comissão dos Direitos da Mulher do órgão e em parceria com o Senado, por meio da Procuradoria Especial da Mulher, da Comissão Permanente Mista de Combate à Violência contra a Mulher, do Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça e da Liga do Bem.

O interesse por uma área ainda pouco abordada na graduação em medicina, a oncologia, levou 632 estudantes de faculdades médicas de todas as regiões do país a participarem da I Gincana Nacional da Oncologia para Acadêmicos, promovida pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) – e três entre eles acabam de se sagrar campeões da competição virtual.

Após três meses de desafios e aprendizados, sobem ao pódio João Vitor Barbosa de Resende, da Universidade de São Paulo (USP), em primeiro lugar; Amaro Freire de Queiroz Júnior, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em segundo; e Gabriela Aparecida Schiefler Gazzoni, da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI). Todos serão premiados com participação gratuita no congresso SBOC 2021, mas o campeão ganhará também as passagens para o local do evento e a hospedagem; já o segundo também ganha as passagens.

A presidente da SBOC, Dra. Clarissa Mathias, celebrou o resultado e a participação de todos. “É muito gratificante testemunhar o interesse de centenas de estudantes de medicina, os futuros médicos brasileiros, por uma área tão desafiadora como a oncologia”, afirma. “Contribuir para que esse interesse manifestado ainda na graduação renda frutos adiante é um privilégio para a SBOC, que seguirá comprometida com a formação profissional médica de qualidade”, garante.

Entre os participantes, 87% disseram ter interesse em fazer residência médica em oncologia clínica. É o caso do grande vencedor da competição, o mineiro João Vitor Barbosa de Resende, de 24 anos de idade, que se divide entre a paixão pela oncologia e a psiquiatria. Há seis anos, ele se mudou de sua cidade natal, Conselheiro Lafaiete (MG), para cursar a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP). “A oncologia sempre foi uma área que me despertou curiosidade e interesse pelo impacto que tem na vida das pessoas e por envolver diversos campos da medicina, sejam mais técnicos ou científicos, mas principalmente pela aproximação e pelo entendimento do paciente”, conta.

O vice-campeão, Amaro Freire de Queiroz Júnior, de 23 anos, também mudou de cidade para construir seu sonho de se tornar médico. Natural de Natal (RN), foi de Caruaru (PE) que disputou cada etapa da Gincana, onde já exerce seus estágios de internato pela UFPE. O interesse pela competição, conta, veio da sua paixão pela ciência. “Estar vinculado à área clínica da medicina é uma consequência de todo o processo de ensino-aprendizado, mas minha verdadeira paixão e o que me move nas entrelinhas deste curso é a ciência. Incorporado ao desejo de ver as novas descobertas e tecnologias sendo aplicados à área para proporcionar mais conforto ou mesmo aumentar as chances de cura dos pacientes, isso é que move meu amor e carinho pela oncologia, e a gincana só ratificou essa afeição.”

Em Itajaí (SC), Gabriela Aparecida Schiefler Gazzoni, de 23 anos, também viu crescer seu interesse pelo conhecimento oncológico ao longo da competição. “Desde adolescente, sempre tive um envolvimento com a oncologia, que me instigava, impulsionava e motivava a entrar na faculdade de medicina e poder conhecer a área melhor. Desde então, continuei seguindo a minha paixão pela área, procurei aprofundar meus estudos em oncologia e hoje sou muito feliz com essa potencial escolha profissional, ainda mais forte após a participação na Gincana.”

A Gincana para Acadêmicos seguiu os moldes da tradicional Gincana Nacional da Oncologia para Residentes, já na sua 5ª edição. Realizada em uma plataforma on-line segura, que garantiu a transparência ao longo de toda a competição, contou com casos selecionados abordando aspectos básicos e fundamentais da oncologia clínica, como diagnóstico, estadiamento, história natural da doença, epidemiologia, biologia molecular oncológica e emergências oncológicas.

O HEFC - Hospital Espírita Fabiano de Cristo, atendimento de retaguarda, está conduzindo processo seletivo para contratação de médico oncologista clínico para atendimento ambulatorial e domiciliar na cidade de Caieiras (SP).

Requisitos necessários: diploma de ensino superior em Medicina reconhecido pelo MEC, com registro no CRM/SP. Certificado de Residência ou Título de Especialista em Oncologia Clínica reconhecida pelo MEC.

Os interessados poderão enviar o currículo para o e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. - Vaga Oncologista Clínico ou pelo Whatsapp (11) 94297-2924.

SBOC divulga o Exame TEOC 2019

Notícias Quinta, 15 Outubro 2020 19:39

Às vésperas do exame de suficiência para obtenção do Título de Especialista em Oncologia Clínica (TEOC), emitido pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) em convênio com a Associação Médica Brasileira (AMB), foram divulgadas as provas aplicadas em 2019. O gabarito da prova teórica também foi divulgado.

De acordo com a presidente da SBOC, Dra. Clarissa Mathias, “a iniciativa é um auxílio para o entendimento dos candidatos sobre como serão avaliados e um compromisso das entidades com a transparência ao longo de todo o processo de testes e avaliações”. Para o vice-presidente de Ensino, Dr. Rodrigo Munhoz, “a iniciativa visa ampliar ainda mais a visão sobre o exame, além de ir ao encontro de solicitações da AMB.”

A prova teórica do ano passado contou com 100 questões de múltipla escolha; e a prova teórico-prática com oito casos clínicos de duas a quatro questões descritivas para cada. Acesse as provas e os gabaritos de 2019.

Para que os futuros candidatos ao título possam realizar recursos mais fundamentados, tornando o Exame cada vez mais transparente, a SBOC divulgará ainda este ano as provas do TEOC 2020. “Com isso, quem ganha é o associado SBOC, que também poderá testar seus conhecimentos a todo momento”, afirma o diretor executivo da entidade, Dr. Renan Clara.

Data e local das provas 2020

A prova teórica de 2020 será realizada a partir das 14h do dia 29 de outubro, com duração de 5 horas. Já a teórico-prática ocorrerá no dia seguinte, 30, a partir das 9h, com duração de 4 horas.

As avaliações acontecem no Campus Marte da Uniban Anhanguera (Rua Comendador Joaquim Monteiro, 42, Santana – São Paulo/SP), e é preciso se apresentar no local com 30 minutos de antecedência, obedecendo todas as regras descritas no Edital para evitar aglomerações e garantir a segurança de todos diante do risco de infecção pelo novo coronavírus, descritas no Edital de Convocação – entre elas:

• Dirigir-se imediatamente ao local da realização da prova, sendo proibida a permanência em saguões, corredores, áreas externas etc.;
• Usar máscara facial durante todo o tempo de permanência no prédio;
• Levar máscaras adicionais, de acordo com o período de duração de prova, considerando as recomendações dos órgãos de saúde;
• Portar álcool em gel a 70% para uso pessoal.

Mais informações sobre o local das provas no site www.vunesp.com.br, na área do candidato, e pelo Disque VUNESP: (11) 3874-6300.

O processo de revisão da lista mínima do que deve ser oferecido pelos planos de saúde a partir de 2021 entra numa nova e decisiva etapa: ao longo de 45 dias a partir de 8 de outubro a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) recebe contribuições da sociedade civil para a tomada de decisões sobre o que deve entrar para o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde do órgão.

Entre as tecnologias candidatas a integrar o Rol, estão os 26 novos medicamentos e procedimentos para tratamento de câncer submetidos, de forma inédita, pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e defendidos pela entidade nas reuniões de análise técnica em fevereiro e março deste ano. Foi a primeira vez que uma única entidade centralizou a submissão e a defesa de um conjunto tão numeroso de medicamentos – em sua maioria, quimioterápicos de administração oral, todos já aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “A SBOC foi o maior submissor deste ciclo do Rol, o que nos impõe uma responsabilidade imensa com nossos médicos e a sociedade”, esclarece o diretor executivo, Dr. Renan Clara.

Isso porque as quimioterapias endovenosas são incorporadas automaticamente à cobertura obrigatória dos planos de saúde logo após a sua aprovação pela Anvisa, mas as drogas orais ainda precisam passar pelo processo de submissão para avaliação de tecnologia em saúde. Diante disso, a SBOC realizou uma análise cuidadosa, com a colaboração de mais de 30 especialistas e membros da entidade, e coordenou todas as etapas do processo de submissão à ANS, que contemplou a produção de três dossiês detalhados sobre cada droga e procedimento, com dados de eficácia, segurança, farmacoeconomia e impacto orçamentário.

Mais de 50 médicos ligados à SBOC participarão da construção da resposta da entidade à consulta pública. “Os quimioterápicos orais representam grande parte das ferramentas mais modernas da ciência contra diversos tipos de câncer e a SBOC defende fortemente que o oncologista clínico disponha dessa valorosa possibilidade diante das necessidades reais e urgentes do seu paciente pelo melhor tratamento existente”, diz a presidente da entidade, Dra. Clarissa Mathias.

Para Dr. Renan Clara, trata-se de corrigir uma inequidade. “A SBOC não desconsidera a importância de se pensar na sustentabilidade do setor e tem participado ativamente das reflexões sobre os processos de avaliação de tecnologias em saúde (leia mais), mas não é razoável que oncologistas e pacientes fiquem reféns de tecnologias defasadas enquanto a ciência já apresenta respostas mais adequadas ao avanço de tantos tipos de tumores”, defende.

Passo a passo

Estão sendo submetidas à apreciação da sociedade um total de 185 propostas com as respectivas recomendações técnicas preliminares. As submissões da SBOC e de outras instituições foram amplamente debatidas em 27 reuniões técnicas realizadas com os membros da Câmara de Saúde Suplementar (CAMSS), os autores das propostas e representantes de entidades do setor – processo elogiado pelo gerente jurídico da SBOC, Dr. Tiago Matos. “Apesar de todas as inequidades que precisam ser corrigidas, o processo para a revisão do Rol tem sido aprimorado e mais participativo”, avalia.

O atual ciclo de atualização do Rol da ANS começou em dezembro de 2018. Nos primeiros meses, a ANS recebeu propostas por meio do formulário eletrônico FormRol. As etapas seguintes envolveram a análise de elegibilidade das sugestões encaminhadas, análises técnicas, avaliação de evidências clínicas e de impacto orçamentário e, por fim, a elaboração das recomendações técnicas agora submetidas à consulta pública.

Depois de encerrado o período de contribuições, as sugestões serão analisadas e consolidadas e passarão por nova deliberação da diretoria da ANS, resultando na resolução normativa que atualizará o Rol a partir do ano que vem.

Acesse o site da ANS para mais informações sobre o processo de atualização e como contribuir com a consulta pública.

Falta pouco mais de um mês para o início do SBOC-AACR Joint Congress: A Translational Approach to Clinical Oncology – e a programação científica já tem grandes nomes da oncologia nacional e internacional confirmados. Promovido pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e a American Association for Cancer Research (AACR) nos dias 30 e 31 de outubro de 2020, o evento vai abordar a oncologia clínica por meio de uma visão translacional, reforçando a interação entre pesquisadores e clínicos e tornando os resultados cada vez mais precisos.

Para garantir tal interação e ampliar ainda mais o diálogo entre os diferentes campos da oncologia, foram reunidos pela organização especialistas de diversas procedências, com reconhecida atuação no Brasil e nos Estados Unidos. À frente dos comitês organizadores estão as chairwomen Dra. Clarissa Mathias, presidente da SBOC, e Dra. Margaret Foti, CEO da AACR, acompanhadas dos chairs Dr. Sergio Simon, Dr. Paulo Hoff, Dr. Carlos Gil e Dr. Manuel Hidalgo.

“O ano de 2020 tem trazido grandes desafios para diversos setores da sociedade, especialmente o da saúde, e a SBOC e a AACR entendem a necessidade de fortalecer a comunidade oncológica naquilo que acreditamos ser a fonte das soluções de que precisamos, o diálogo entre o conhecimento científico e a prática clínica. Mais do que nunca é preciso ser translacional, e trabalhamos fortemente para que a programação do congresso seja a mais completa. Não é à toa que estamos com dezenas de especialistas internacionais na programação científica”, garante Dra. Clarissa Mathias.

De acordo com o diretor executivo da SBOC, Dr. Renan Clara, o evento investirá no diálogo. “De forma totalmente virtual, a programação construirá pontes entre os diversos saberes da oncologia, além da interação entre culturas diferentes, mas que enfrentam desafios semelhantes. O programa é totalmente inovador, como você nunca viu antes na história da SBOC. Atendemos ao pedido de nossos oncologistas e vamos começar com um pré-curso pra lá de especial.”

Você na programação

Os autores dos dez resumos com melhor avaliação submetidos ao SBOC-AACR Joint Congress serão convidados a apresentar seu trabalho na modalidade oral ao longo da programação científica. E as três melhores apresentações também ganharão como prêmio a isenção de inscrição para o Congresso SBOC 2021.

O prazo para submissão de trabalho científico se encerra no dia 2 de outubro.

“É de extrema importância para a circulação do conhecimento científico e o desenvolvimento profissional o compartilhamento de estudos com a comunidade internacional de pesquisadores básicos, translacionais e clínicos nesse que é um grande fórum para a discussão em oncologia entre Brasil, Estados Unidos e o mundo”, incentiva Dra. Clarissa Mathias.

Pré-congresso

Já a partir das 8h30 do dia 17 de outubro, acontece o curso pré-congresso "Biologia molecular para oncologistas clínicos: o que precisamos saber?". Ao longo de todo o dia, serão tratados temas como as estruturas das moléculas de DNA e RNA, noções básicas sobre plataformas genômicas em oncologia e epigenética no câncer, entre outros - todos apresentados e discutidos por renomados especialistas do Brasil e diversos países.

Mais informações sobre a programação do SBOC-AACR Joint Congress: A Translational Approach to Clinical Oncology, inscrições e submissão de trabalho podem ser acessadas em sbocaacrjointcongress.com.

No último mês de julho, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) protagonizou uma das maiores conquistas do cuidado oncológico na rede pública: a incorporação da imunoterapia com pembrolizumabe e nivolumabe contra melanoma avançado ao Sistema Único de Saúde (SUS). Agora, a entidade entra em uma nova batalha: para que o acesso da população ao tratamento seja feito de forma justa e sustentável.

Isso porque a portaria nº 23 da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde (SCTIE), de 4 de agosto, definiu que a incorporação seja feita pelo modelo da assistência oncológica. De acordo com o gerente jurídico da SBOC, Dr. Tiago Matos, “há evidências robustas de que esse modelo, quando aplicado a medicamentos antineoplásicos modernos e custosos, atenta contra os princípios da eficiência e economicidade, sobretudo por não garantir ao paciente acesso equânime à tecnologia”. Tais evidencias foram apresentadas pela SBOC em recurso à SCTIE.

Por meio do modelo de assistência oncológica, os hospitais habilitados em oncologia na rede pública recebem um valor mensal por paciente, a depender do tipo de câncer e a partir da tabela de procedimentos do SUS. Os recursos são usados para cobrir todos os custos do tratamento, incluindo medicamentos, materiais em geral, papelaria, limpeza e manutenção da unidade de quimioterapia, entre outras demandas.

“Muitas vezes, os valores sequer são compatíveis com o custo do tratamento de base, impossibilitando os hospitais de incluírem tratamentos mais custosos nos seus protocolos de conduta”, explica Dr. Tiago Matos.

A SBOC já havia se posicionado contra o modelo ao ingressar em uma ação civil pública junto ao Ministério Público Federal (MPF) por melhorias no cuidado oncológico no SUS. Para a presidente da entidade, Dra. Clarissa Mathias, “trata-se de oferecer o acesso da população ao melhor para sua saúde e garantir ao oncologista clínico a autonomia de orientar seu paciente de acordo com as melhores evidências científicas. Essa decisão é essencial: com esses medicamentos podemos salvar vidas!”

Como alternativa, a SBOC sugere que a decisão seja modificada para que a incorporação ocorra mediante compra centralizada pelo Ministério da Saúde – ou outra forma que assegure o financiamento adequado do fornecimento dos medicamentos.

“Apesar de os critérios para a seleção dos medicamentos adquiridos de forma centralizada não serem suficientemente claros e previsíveis, essa já é uma prática consagrada, com resultados bastante satisfatórios e que garantem não só o acesso do paciente ao tratamento, mas também oferece melhor sustentabilidade econômica ao sistema, sobretudo pela possibilidade de negociação de custos na aquisição em larga escala. A questão logística da oferta é que é delicada e precisa ser reavaliada”, explica o diretor executivo da SBOC, Dr. Renan Clara.

Profissional com residência completa em oncologia clínica ou cancerologia clínica: existem 7 plantões disponíveis de segunda-feira a sexta-feira, cada um com 5 horas de duração. O médico interessado poderá assumir os 7 plantões ou menos, se preferir. Inglês é um diferencial. Procura-se por perfil proativo, acelerado e com vontade de fazer as coisas acontecerem. CV para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou no Whastapp: (21) 98900-5356.

A prevenção aos tumores do sistema digestivo e o cuidado com pacientes com câncer de esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso ou reto ganharam novo fôlego com a oficialização da parceria entre a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e o Grupo Brasileiro de Tumores Gastrointestinais (GTG).

Por meio de iniciativas científicas, tecnológicas, culturais, educacionais e sociais, o GTG tem buscado há vários anos apoiar a resposta nacional contra os tumores gastrointestinais. “Com o acordo firmado com a SBOC, oficializamos uma parceria que já ocorre e que visa combater esses tumores gastrointestinais na população brasileira, apoiar o oncologista clínico nesse objetivo e acolher o paciente oncológico em todas as suas necessidades”, diz Dra. Rachel Riechelmann, presidente do GTG.

A parceria prevê o fortalecimento da colaboração mútua entre as entidades, com apoio a eventos científicos, desenvolvimento de publicações conjuntas e programas educativos. “O GTG participa ativamente da construção da estratégia da SBOC para o controle dos tumores gastrointestinais, atuando nas aulas do Board Review, na formulação das questões do título de especialista em oncologia clínica (TEOC), no comitê da especialidade e em tudo o que envolve conteúdo científico relacionado”, exemplifica Dra. Rachel Riechelmann.

Para a presidente da SBOC, Dra. Clarissa Mathias, a parceria reforça o compromisso da entidade com a ciência e a excelência clínica. “Unir forças ao conjunto de renomados profissionais que formam o GTG é de extrema importância para endereçarmos todos os desafios que ainda se impõem ao enfrentamento dos tumores gastrointestinais em todo o território nacional, com base nas melhores evidências científicas e ao lado de colegas verdadeiramente engajados”, celebra.

O acordo foi assinado na esteira de outras parcerias institucionais firmadas pela SBOC com grupos de especialidades oncológicas. “Estamos em uma verdadeira escalada para reunir esforços entre as principais frentes de pesquisa, prática clínica e defesa do acesso aos avanços da ciência, para transformarmos a realidade do câncer no Brasil”, afirma o diretor executivo da SBOC, Dr. Renan Clara. “O GTG é muito bem-vindo e já estamos em contato com outros grupos para ampliarmos ainda mais a atuação conjunta da comunidade oncológica nesse sentido”, acrescenta.

A oncologista mineira Dra. Andreia Melo, ex-diretora da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), é uma das sete vencedoras da 15ª edição do Programa para Mulheres na Ciência 2020, promovido pela L’Oréal Brasil em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) no Brasil e a Academia Brasileira de Ciências (ABC).

Pesquisadora no Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), Dra. Andreia foi escolhida pelo seu estudo translacional para o aperfeiçoamento da imunoterapia contra o melanoma de mucosa, para o qual a sobrevida mediana é menor que 12 meses. “Muito do que se faz hoje em oncologia é investigar as diferentes características moleculares dos tumores para entender qual vai ser o desfecho da doença. Elas podem determinar como o paciente pode enfrentar sua condição de forma mais ou menos favorável”, explica a pesquisadora.

Primeira médica da sua família, Dra. Andreia conta que o interesse pela biologia e pelo cuidado com o ser humano a fez escolher a oncologia. “Quando passei a frequentar os ambulatórios de oncologia, encontrei a possibilidade de fazer pesquisa clínica na área, ainda muito nova e com muitas questões não respondidas. Fiquei encantada pela pesquisa translacional.”

Para ela, a premiação pode ajudar as próximas gerações de mulheres a encontrarem novos caminhos na ciência. “Nunca sofri discriminação de forma direta por ser mulher em ambientes ainda sujeitos ao machismo, mas quando ocupamos um lugar de destaque é possível sentir que há atitudes machistas, muitas delas veladas. Saber que há outras mulheres sendo reconhecidas pelo que fazem nas profissões que escolheram para si mesmas pode ser encorajador”, avalia.

Com o objetivo de transformar o cenário científico por meio do empoderamento feminino na área, a premiação já reconheceu mais de 100 pesquisadoras, distribuindo mais de R$ 4,5 milhões em bolsas-auxílio.

A partir desse ano, além do recurso financeiro oferecido pelos organizadores, a UNESCO dará um treinamento para cada uma das sete cientistas, com duração de dois dias, incluindo webinars sobre gênero, carreira, media training e outras atividades com temáticas relacionadas à realidade das mulheres na ciência.

Ao lado de Dra. Andreia Melo, também foram premiadas na categoria Ciências da Vida a microbiologista Dra. Vivian Costa, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e as biólogas Dra. Luciana Tovo, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), e Dra. Fernanda Farnese, do Instituto Federal Goiano.

Nas demais categorias, foram premiadas a física Rita de Cássia dos Anjos, da Universidade Federal do Paraná (UFPR); a química Dra. Daniela Truzzi, da Universidade de São Paulo (USP); e a matemática María Amelia Salazar, da Universidade Federal Fluminense (UFF).