Oportunidades para Oncologistas

Diego Freire

Diego Freire

Enquanto faltam vacinas contra a COVID-19 e o mundo ainda sofre com o descontrole da pandemia, uma outra doença também letal já poderia ter sido eliminada do território brasileiro com a ajuda de uma vacina que já existe e está disponível na rede pública: o câncer de colo do útero, cuja principal prevenção consiste na vacinação contra o HPV. Em defesa dessa e de outras medidas de controle de diversos cânceres femininos, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) participou, na tarde de hoje (7), de audiência pública da Câmara.

O assunto: a Portaria 3.712 do Ministério da Saúde, de 22 de dezembro de 2020, que institui incentivo financeiro federal de custeio para fortalecimento do acesso às ações integradas para rastreamento, detecção precoce e controle do câncer no Sistema Único de Saúde (SUS), com foco no câncer de mama e de colo do útero. De acordo com a portaria, serão destinados R$ 150 milhões para iniciativas durante a pandemia.

Representando a SBOC na audiência, Dra. Angélica Nogueira, diretora da entidade e idealizadora do EVA – Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos, destacou a urgência por medidas que façam chegar às mulheres brasileiras os avanços da ciência para o controle dos cânceres femininos. “O câncer de colo do útero, em especial, poderia já não mais existir – pelo menos como problema de saúde pública, fazendo cair a incidência de 16 por 100 mil brasileiros para quatro, no máximo. Esse ainda é a terceira causa de câncer na mulher, sendo uma doença evitável pela vacinação contra o HPV e a ampliação da cobertura do Papanicolau”, disse. De acordo com dados apresentados, apenas 16% da população indicada fazem o exame.

Dra. Angélica chamou a atenção, ainda, à baixa cobertura dos exames de rastreamento de câncer de mama no Brasil, como mamografia, ultrassonografia ou ressonância magnética da mama. As medidas de prevenção sofreram, ainda, revezes pela pandemia. Segundo a Organização Mundial Saúde (OMS), os procedimentos eletivos, incluindo o rastreamento de câncer, foram suspensos em 41% dos países pela necessidade da redução do risco de disseminação da COVID-19 nos serviços de saúde e da reorganização da rede de atenção à saúde para ações de rastreamento, detecção precoce e controle de câncer. Pesquisa realizada pela SBOC entre seus associados em 2020 constatou que 74% dos entrevistados tiveram um ou mais pacientes com tratamentos interrompidos ou adiados por mais de um mês durante a pandemia.

Realizada por videoconferência, a audiência contou com a participação de diversas outras lideranças femininas, como as deputadas Rejane Dias (PT-PI), Lauriete Rodrigues de Jesus (PSC-ES) e Ângela Amin (PP-SC), a presidente da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama, Dra. Maira Caleffi, e representantes dos ministérios da Saúde e da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, do Instituto Oncoguia, do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) e do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS).

Ao final das discussões, os participantes da audiência sugeriram a formação de um fórum permanente para a implementação da portaria, com medidas de direcionamento discutidas continuamente pelos representantes do poder público e da sociedade civil.

Dando continuidade ao ciclo de diálogos com parlamentares pela inclusão urgente dos brasileiros diagnosticados com diferentes tipos de câncer no Plano Nacional de Operacionalização da Vacina contra a COVID-19, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) se reuniu, no dia 22 de abril, com o deputado federal Ricardo Augusto Machado da Silva (PSB-SP), obtendo mais um importante apoio à causa.

Com atuação no controle da pandemia, o deputado já havia solicitado ao Ministério da Saúde (MS), por meio de Indicações ao Poder Executivo (INC), que fossem “envidados esforços destinados à inclusão das pessoas com câncer, que estejam em tratamentos de quimioterapia, radioterapia, que tenham feito cirurgia há menos de um mês ou que fazem uso de medicamentos imunossupressores no rol de prioritários no Plano Nacional de Vacinação contra a COVID-19”. A SBOC solicitou a reunião com o parlamentar para falar da importância de serem incluídos todos os pacientes oncológicos, sem restrições.

A presidente da SBOC, Dra. Clarissa Mathias, apresentou ao parlamentar os dados científicos que embasam a defesa da entidade e a urgência por alguma medida do poder público que garanta a imunização irrestrita dessa parcela da população. “A literatura científica internacional é eloquente ao elucidar por que o paciente oncológico, em sua jornada de enfrentamento de uma doença que não espera e que pode trazer agravamentos consideráveis em caso de infecção pelo Sars-Cov-2, também não pode esperar para ser vacinado. Trata-se de um duplo risco a ser combatido”, explica.

Após a reunião, o deputado Ricardo Silva solicitou agenda ao Ministério da Saúde para tratar do assunto. Além do parlamentar, já receberam a SBOC em reuniões virtuais as deputadas federais Silvia Cristina (PDT-RO), presidente da Frente Parlamentar Mista em Prol da Luta Contra o Câncer, Carla Zanotto (CIDADANIA-SC) e Tereza Nelma (PSDB-AL). A entidade também enviou carta ao Ministério da Saúde solicitando atenção à questão e a inclusão oficial dos pacientes oncológicos nos grupos prioritários para vacinação.

Evidências científicas

Estudo brasileiro publicado no Journal of Clinical Oncology (JCO) identificou e acompanhou 198 pacientes com câncer que desenvolveram COVID-19 entre março e julho de 2020. Destes, 33 morreram: uma taxa de mortalidade de 16,7%, seis vezes mais que o índice global, de 2,4%.

Ainda de acordo com o estudo, a maior taxa de mortalidade foi encontrada em pacientes com neoplasias do trato respiratório (43,8%), principalmente câncer de pulmão metastático, e tumores hematológicos, como linfomas e leucemia, sendo que o pior prognóstico está relacionado à fase da doença em que o paciente se encontra, com maior risco para quem tem câncer ativo, progressivo ou metastático.

“Esse e outros estudos evidenciam que não apenas os pacientes imunossuprimidos estão mais susceptíveis a manifestações graves da doença, mas também aqueles em diversos outros espectros da doença, sendo inviável estratificá-los e urgente incluí-los entre aqueles que precisam ser imunizados contra um mal que pode ter consequências fatais para sua saúde e a própria vida”, enfatiza Dra. Clarissa Mathias. Ainda de acordo com a presidente, “a SBOC seguirá vigilante e em diálogo com os organismos responsáveis e entidades parceiras até que o plano inclua os pacientes oncológicos e todos sejam vacinados”.

Saiba mais sobre a atuação da SBOC para o enfrentamento da pandemia e o fortalecimento do trabalho do oncologista clínico brasileiro em prol dos pacientes oncológicos de todo o território nacional em coronavirus.sboc.org.br.

Em uma realização conjunta das sociedades brasileiras de Oncologia Clínica (SBOC), Cirurgia Oncológica (SBCO) e Radioterapia (SBRT), oncologistas e diversos outros profissionais e estudantes ligados ao cuidado oncológico de pacientes com tumores cutâneos participaram, nos últimos dias 23 e 24, do Congresso Brasileiro de Câncer de Pele. Cerca de dois mil inscritos acompanharam a programação, completamente virtual, conduzida por 132 palestrantes.

A programação abordou os mais recentes avanços da área e os impactos da pandemia de COVID-19 no tratamento e na prevenção dos cânceres que acometem o maior órgão do corpo humano – e que é o mais incidente na população brasileira, responsável por cerca de 30% de todos os tumores malignos diagnosticados no país.

A presidente do evento pela SBOC, Dra. Andreia Melo, membro do Comitê de Tumores de Pele e Sarcomas da entidade, destacou na ocasião o caráter multidisciplinar do evento. “Foi um grande esforço de muitas mãos, representadas pelas três entidades que se uniram para construir o congresso, para não deixarmos de fora nenhum aspecto relacionado aos mais diversos cânceres da pele”, conta. Também presidiram o evento Dr. Luiz Fernando Nunes, pela SBCO, e Dr. Wilson Almeida Júnior, pela SBRT.

De acordo com a presidente da SBOC, Dra. Clarissa Mathias, os esforços deixarão legados para a comunidade oncológica brasileira. “O encontro de tantos bons profissionais em torno de uma problemática ainda tão dramática para a população brasileira, mas para a qual a ciência tem apresentado respostas muito promissoras, terá impacto em toda a rede de cuidado oncológico”, comemora. No evento, Dra. Clarissa lembrou do engajamento da SBOC para a conquista de alternativas de acesso a tratamentos oncológicos de ponta contra diversos tipos de câncer, e que teve como um dos principais resultados recentes a incorporação pelo Sistema Único de Saúde (SUS) de imunoterápicos para pacientes com melanoma (saiba mais).

Um congresso contemporâneo

A pandemia de COVID-19 teve impacto na programação do evento não apenas na definição do seu formato, mas também na escolha dos temas – que foram tratados à luz das transformações pelas quais o cuidado oncológico tem passado nos últimos meses por conta dos riscos agravados de infecção de pacientes pelo novo coronavírus.

Direto do Panamá, onde foi realizado um grande estudo sobre os impactos da pandemia no tratamento oncológico em toda a América Latina, o oncologista italiano Dr. Cesar Restrepo, cirurgião geral do Complexo Hospitalar Metropolitano da Cidade do Panamá, conduziu uma das aulas a respeito do que tem mudado na área com o surgimento do Sars-Cov-2. “A pandemia está demorando mais do que gostaríamos e imaginávamos para ser derrotada, e os médicos e a infraestrutura da saúde estão sobrecarregados em muitos países. A isso, devemos acrescentar que existem problemas específicos relacionados ao câncer que requerem resolução urgente”, disse.

De acordo com o especialista, no caso específico do melanoma, os esforços devem ser direcionados para realizar procedimentos em um ambiente ambulatorial que limite o uso dos recursos da sala de cirurgia. “Se ocorre um atraso significativo na excisão definitiva, a localização precisa da biópsia deve ser cuidadosamente documentada, seja por fotografia ou marcação do local pelo paciente ou cuidador, para facilitar a identificação em um momento posterior”, explica. “A quimioterapia neoadjuvante pode continuar se o paciente responder bem a ela e demonstrar alto grau de tolerância aos seus efeitos”, completa.

Ainda segundo Dr. Restrepo, gerenciar a doença em estágio III com terapia sistêmica neoadjuvante é fundamental. “Se os recursos permitirem e o paciente não for adequado para terapia sistêmica, é importante considerar a ressecção em um ambiente ambulatorial. Para pacientes com lesões maiores que 1 mm e, deve ser dada prioridade a biópsia de linfonodo sentinela (SLN).”

Ainda na temática, Dr. Gelcio Luiz, do Instituto Nacional de Câncer (INCA), tratou da epidemiologia dos tumores de pele no Brasil e apresentou diretrizes para ajuste de condutas e procedimentos reunidas pela National Comprehensive Cancer Network (NCCN), aliança de 31 centros de câncer nos Estados Unidos, a maioria designada pelo National Cancer Institute como centros de câncer abrangentes. O especialista reforçou a preferência por biopsia excisional em caso de melanoma, e o adiamento por até três meses de ressecções para lesões in situ e iniciais, com prioridade para aquelas maiores que 2 mm.

Também segundo as diretrizes apresentadas por Dr. Gelcio Luiz, o seguimento deve ser adiado por três a seis meses, com teleatendimento.

Homenagens

Além da extensa programação científica, o congresso contou com momentos de reconhecimento da jornada profissionais de lideranças renomadas no cuidado oncológico da pele – entre eles, o homenageado da SBOC, Dr. Antônio Carlos Buzaid, oncologista e gestor da saúde. De acordo com a presidente do evento, Dra. Andreia Melo, “a escolha se deu pelas importantes contribuições de Dr. Buzaid ao avanço científico e clínico do cuidado oncológico de pacientes com melanoma – desde sua graduação, 1982, pela FMUSP, até a consolidação de uma carreira internacional e o retorno ao Brasil, onde criou um jeito muito particular de empreender e gerir a oncologia.”

Em seu discurso de agradecimento, Dr. Buzaid reforçou que oncologia é trabalho de equipe. “A grande arte que eu tive sorte de ter ao longo dessas décadas foi ser envolvido por pessoas fantásticas, o que faz toda a diferença. Primeiro escolha as pessoas, depois o caminho. Obrigado por me escolherem para esta importante homenagem”, disse.

Além de Dr. Buzaid, foi homenageado pelas entidades realizadoras do evento o cirurgião oncológico Dr. José Francisco Neto Rezende, chefe do Serviço de Tecido Ósseo e Conectivo (TOC) do INCA.

Saiba mais da programação em www.cancerdepele2021.com.br.

Instituição multidisciplinar dedicada à pesquisa e à educação sobre cuidados de suporte no tratamento oncológico, a Multinational Association of Supportive Care in Cancer (MASCC) é a mais nova parceira internacional da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC).

Entre outras ações, o recente acordo prevê:

• Redução em 60% da taxa de associação na MASCC para membros SBOC;
• Acesso exclusivo de associados SBOC a informações sobre webinars e eventos promovidos pela MASCC;
• Possibilidade de que integrantes da SBOC participem de programas com bolsa de estudo e/ou de preceptoria no exterior promovido por essa instituição internacional.

Dra. Clarissa Mathias, presidente da SBOC, acredita que a parceria ajudará a ampliar a troca de conhecimento entre profissionais brasileiros e de diversos outros países em cuidados de suporte – área relativamente recente, mas fundamental por contemplar aspectos físicos e emocionais que podem afetar a qualidade de vida e as capacidades do paciente que enfrenta um câncer. “Quem ganha com essa iniciativa não são só os membros da SBOC e da MASCC, mas também seus pacientes, beneficiados pela expansão de um campo do cuidado oncológico que tem como resultado a atenção cada vez mais personalizada e humanizada”, ressalta.

Com mais de dois mil membros de 70 países, a MASCC é uma das principais referências internacionais em cuidados de suporte, reunindo, além de oncologistas, cirurgiões, radiologistas, enfermeiros, farmacêuticas, nutricionistas, assistentes sociais, psicólogos e vários outros profissionais com larga experiência e conhecimento no tratamento contra o câncer.

Sylvia Black, especialista em Comunicação na MASCC, disse estar “entusiasmada” com o novo acordo com a SBOC, pois acredita que o memorando de entendimento assinado pelas duas instituições fortalece os cuidados de excelência contra o câncer ao redor do mundo. “Por meio de várias inciativas, nossas organizações podem trabalhar de forma conjunta para expandir a colaboração internacional em educação e pesquisa e reduzir o impacto do câncer no Brasil e no mundo”, afirma.

Para o diretor executivo da SBOC, Dr. Renan Clara, o acordo com a MASCC fortalece ainda mais a representatividade da entidade brasileira no exterior. “Além da recém-firmada parceria com a MASCC, temos parcerias fixas com a IASLC [International Association for the Study of Lung Cancer] e a ESMO [European Society of Medical Oncology]. Além do estreitamento com a AACR [American Association for Cancer Research], nossos associados ficarão entusiasmados com as novidades que a SBOC e a ASCO estão desenvolvendo.”, lembra. “Por meio de todas essas ações, temos buscado oferecer ao associado SBOC educação médica de qualidade e acesso irrestrito às melhores práticas em oncologia do mundo. Nosso foco é quebrar fronteiras para o desenvolvimento e atualização do oncologista clínico brasileiro.”, acrescenta.

A diversidade de conteúdos e iniciativas da Escola Brasileira de Oncologia (EBO), que abrange todas as ações educacionais da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), ganhou uma nova plataforma para a ampliação do seu alcance. A partir de hoje, 16 de abril, associados e parceiros da entidade passam a receber o boletim EBO News.

Com os destaques mais recentes das diversas frentes de atuação da EBO e atualizações sobre seus programas, o boletim reúne conteúdos de todas as plataformas da SBOC, como aulas, entrevistas e coberturas do SBOC Play, periódicos científicos acessíveis pela Biblioteca Virtual, novos episódios do Podcast SBOC, eventos e programas para residentes e profissionais. “Tudo o que pode contribuir com o desenvolvimento do oncologista clínico brasileiro está no radar da nova EBO News, a exemplo de todas as iniciativas da EBO, que fomentam e fortalecem o conhecimento técnico e científico envolvido na prática oncológica”, explica a presidente da SBOC, Dra. Clarissa Mathias.

A primeira edição da EBO News traz aula em vídeo sobre aspectos do tratamento de pacientes com tumores gastrointestinais, acesso a estudos da New England Journal of Medicine e todos os periódicos reunidos pela Biblioteca Virtual, podcast sobre a importância da ciência no enfrentamento da pandemia, informações sobre o Congresso Brasileiro de Câncer de Pele e orientações para a participação na VI Gincana Nacional da Oncologia para Residentes.

De acordo com o vice-presidente para Ensino da Oncologia, Dr. Rodrigo Munhoz, “a iniciativa busca integrar ainda mais a comunidade oncológica nacional em torno do dinamismo com que se desenvolve o conhecimento oncológico, sempre em foco em todas as atividades de educação continuada da SBOC”.

Para o diretor executivo da entidade, Dr. Renan Clara, a abertura de mais um canal de comunicação reflete o crescimento da SBOC. “Foram muitas e diversas as frentes de atuação educacional da SBOC desde o lançamento da EBO, na última gestão. Nem todos os nossos associados conhecem tudo o que a SBOC oferece. Vamos promover ainda mais diálogo entre todos que compõem a oncologia brasileira”, conta. “Esperamos que a EBO News reflita a dinâmica do conhecimento científico oncológico e também da SBOC, que atua para promovê-lo em todo o território nacional e se moderniza cada vez mais para acompanhá-lo e transformar a realidade do câncer no Brasil.”

Conheça mais a EBO em sboc.org.br/escola-brasileira-de-oncologia-apresentacao.

Uma cidade de pouco mais de 80 mil habitantes no interior do Rio Grande do Sul, Ijuí, é território de uma revolução na saúde brasileira por atrair uma série de estudos clínicos em oncologia. O responsável por isso é o Centro de Pesquisa Clínica em Oncologia do Hospital de Caridade de Ijuí, que os residentes e jovens oncologistas selecionados pelo Programa de Capacitação em Pesquisa Clínica da SBOC estão tendo a oportunidade de conhecer entre os meses de janeiro e maio deste ano.

No dia 14, chegaram ao local dois dos quatro jovens oncologistas selecionados em 2020: Dr. Celio Pereira Guercio, de Rio Verde (GO), e Dra. Mariana Cartaxo Alves, da João Pessoa (PB). Em maio, será a vez de Dra. Larissa Tames Rainho, de Porto Velho (RO), e Dra. Alice Nayane Rosa Morais, de São José dos Campos (SP). A exemplo do que já viveram os residentes Diego Gonçalves Oliveira Souza, de Salvador (BA), e Flavia da Cruz Cardoso, de Nova Lima (MG), que realizaram suas atividades em fevereiro, eles farão uma verdadeira imersão em uma instituição que se tornou referência nacional na área da pesquisa clínica oncológica.

Para o coordenador do programa, Dr. Fábio Franke, membro do Comitê de Pesquisa Clínica da SBOC e ex-vice-presidente da entidade para Pesquisa Clínica e Estudos Corporativos, a chegada dos novos participantes representa a ampliação das possibilidades para novos estudos clínicos em todo o país. “O Brasil tem um grande potencial de crescimento em diversas frentes de pesquisa clínica e, para isso, é preciso ter centros capacitados que cubram todo o território nacional. Como país de proporções continentais, ainda carecemos de centros especialmente no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, e a vinda desses profissionais promove uma abertura histórica para essas regiões em especial”, acredita.

Jornadas transformadas

Recém-chegado de Ijuí a Salvador (BA), o residente Diego Gonçalves Oliveira Souza descreve sua experiência no programa como transformadora. “Durante os dias de imersão, pude me dar conta do gigantesco patrimônio construído por Dr. Fábio Franke e sua equipe. Um legado inestimável para a ciência e para a humanidade”, reconhece. “Foi uma vivência modificadora de paradigmas e sonhos pessoais. Só tenho a agradecer à SBOC, ao Dr. Fábio Franke e à sua equipe por proporcionar essa capacitação tão importante na formação de um jovem oncologista.”

Para o futuro oncologista clínico, o legado dos dias em Ijuí se estenderá a outras cidades brasileiras com a diversidade da participação de residentes e profissionais. “É um engajamento muito grande na pesquisa clínica, uma paixão perceptível no brilho dos olhos de cada um. Saio de Ijuí bastante encorajado a seguir e trilhar os caminhos da pesquisa clínica, no intuito de produzir conhecimento e oferecer oportunidades de tratamentos inovadores a regiões que não possuem esse acesso contribuindo socialmente para mitigar os abismos socioeconômicos deste país”, comemora.

No que depender de Flávia da Cruz Cardoso, o mesmo ocorrerá em Minas Gerais. “Foi uma experiência única conhecer a rotina de um centro de pesquisa tão importante e tendo à frete desse aprendizado o grande nome da área no Brasil, Dr. Fabio Franke”, conta. “Sua trajetória nos ensina que, mesmo que não iniciemos nossas carreiras em grandes centros, depende de nós lutar pela expansão da pesquisa clínica no país e, através disso, mudar a realidade de milhares de brasileiros, que passarão a ter acesso a medicamentos de ponta, mudando, assim, o desfecho do seu tratamento.”

As atividades exercidas pelos participantes envolvem aprendizados sobre estruturação de um centro de pesquisa, princípios e diretrizes das boas práticas clínicas, certificação em boas práticas na área (GCP, na sigla em inglês), patrocínio, estrutura da pesquisa clínica, organização de agenda de pacientes, envio de imagens e amostras, farmácia em estudos clínicos, administração de tratamentos, inovação em tecnologias, pipeline das indústrias farmacêuticas, políticas públicas da área, desafios e oportunidades.

Interessados em participar das próximas edições do Programa de Capacitação em Pesquisa Clínica da SBOC podem acompanhar a publicação dos próximos editais e outras novidades nos canais da SBOC.

Neste 8 de abril, Dia Mundial de Combate ao Câncer, e ao longo de todo o mês, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) expõe na estação Paulista de metrô, no coração da cidade de São Paulo, sua coleção de infográficos com orientações para a prevenção e o tratamento de dos principais tipos de câncer que acometem os brasileiros.

A exposição é resultado da parceria da entidade com a ViaQuatro, responsável pela operação da Linha 4 – Amarela do Metrô, que também conta, desde fevereiro, com distribuição de materiais informativos em nichos de leitura espalhados em 27 estações (leia mais).Agora, a parceria ganha novo formato para ampliar ainda mais seu alcance.

“É a SBOC cada vez mais perto da população, ao fazer com que os brasileiros se apropriem de informação de qualidade sobre o câncer e tenham uma participação ativa no diagnóstico precoce, na adoção de medidas e hábitos para a prevenção e no tratamento consciente”, celebra a presidente da entidade, Dra. Clarissa Mathias.

Os displays instalados na passagem dos usuários do transporte público apresentam versões ampliadas dos infográficos produzidos pela SBOC para a população, com informações sobre:

Câncer de mama;
Câncer de próstata;
Câncer de pele;
Câncer de colo do útero;
Câncer de pulmão;
Câncer de cabeça e pescoço;
Câncer colorretal;
Tumores geniturinários

De acordo com o diretor executivo da SBOC, Dr. Renan Clara, a exposição é uma das muitas ações planejadas para 2021, ano em que a entidade completa 40 anos de existência. “Ao longo de toda a sua história e, especialmente, dos últimos anos, a SBOC tem pavimentado um caminho de aproximação e união de toda a comunidade oncológica, e esse processo tem como norte a interlocução e a parceria entre o oncologista clínico, profissionais da área, seus pacientes e a toda a população”, conta. “Nossas ações para ampliação do acesso a informações, tecnologias e políticas de saúde serão ainda mais intensificadas”, garante o diretor.

Os painéis expostos na estação Paulista contam com QR codes para acesso aos infográficos em sua versão digital. Todo o material da exposição está disponível para download gratuito na página Guias e Infográficos.

No último dia 26 de marco, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) voltou a se reunir com a coordenadora da Frente Parlamentar de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento do Câncer, a deputada federal Carla Zanotto (CIDADANIA-SC), para discutir a inclusão dos pacientes oncológicos no grupo prioritário para a vacinação contra a COVID-19.

Da reunião, em que foram apresentadas as evidências científicas que embasam a defesa da SBOC pela vacinação, ficou acertada a elaboração de uma carta endereçada ao deputado federal Dr. Luiz Antonio Teixeira Jr. (PP-RJ), coordenador da Comissão Externa de Enfrentamento à COVID-19. A carta, já enviada pela SBOC, propõe como pauta para a próxima reunião da comissão uma análise crítica sobre a estratificação do grupo de comorbidades prioritárias do Plano Nacional de Operacionalização da Vacina contra o COVID-19, incluindo a pertinência de se reinserir os brasileiros diagnosticados com câncer, independente do estágio da doença e da fase do tratamento.

“Esse entendimento de que o paciente oncológico está exposto a diversos e preocupantes riscos de complicações ocasionadas pela combinação entre o câncer e a infecção pelo novo coronavírus é consubstanciado pela literatura científica, que a SBOC apresenta como primeiro e grande balizador de sua defesa pela vacinação urgente desses brasileiros”, explica a presidente da entidade, Dra. Clarissa Mathias.

O diretor executivo da SBOC, Dr. Renan Clara, ressalta que as mesmas evidências servem de base para todas as iniciativas de enfrentamento da pandemia protagonizadas pela entidade. “Desde quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou, em março do ano passado, que o mundo passava por uma pandemia, a SBOC passou a adotar medidas para proteger o oncologista clínico brasileiro, os profissionais que representa em todo o território nacional, o paciente oncológico e toda a população”, comenta. “Tudo fruto de intensas discussões a respeito do que já era de conhecimento da ciência e do que foi sendo compreendido com o próprio enfrentamento da COVID-19”, acrescenta. Entre os resultados mais recentes do protagonismo da SBOC na proteção do meio oncológico contra os impactos da pandemia está a produção de um guia com orientações para a imunização de pacientes oncológicos. O documento, publicado originalmente no dia 20 de janeiro, passa por atualizações periódicas, na medida em que o conhecimento sobre a COVID-19 e as vacinas avança. Ao longo da pandemia, a entidade tem atuado também no desenvolvimento e na promoção de condutas técnicas a serem adotadas pela comunidade oncológica e toda a população, concentradas no site coronavirus.sboc.org.br e difundidas por todos os seus canais de comunicação.

Evidências para vacinar

Entre os dados mais recentes apresentados pela SBOC na reunião com a deputada Carmen Zanotto e na carta ao deputado Dr. Luiz Antonio Teixeira Jr., estão os de um estudo brasileiro publicado no Journal of Clinical Oncology (JCO) que identificou e acompanhou 198 pacientes com câncer que desenvolveram COVID-19 entre março e julho de 2020. Destes, 33 morreram - uma taxa de mortalidade de 16,7%, seis vezes mais que o índice global, de 2,4%.

De acordo com outra pesquisa, realizada por uma colaboração internacional financiada pelo Instituto Nacional de Pesquisa em Saúde do Reino Unido, o novo coronavírus interfere dramaticamente no sucesso de cirurgias de câncer. Publicado na revista científica Anaesthesia, o estudo revela que cirurgias para retirada de tumores realizadas em menos de sete semanas após o diagnóstico de COVID-19 tiveram risco de mortalidade aumentado em ao menos 140%.

“O paciente oncológico está diante de um risco real e grave, que pode afetar diretamente o sucesso de seu tratamento, sua saúde e sua vida. Esses brasileiros não podem esperar, o câncer não os deixa esperar”, enfatiza Dra. Clarissa Mathias.

O Plano Nacional de Operacionalização da Vacina contra a COVID-19 chegou a citar, nas suas duas primeiras edições, pacientes com comorbidades “como pressão alta, problemas cardíacos e do pulmão, diabetes ou câncer” entre aqueles com maior risco de ficarem gravemente doentes pela infecção por Sars-CoV-2. Apesar disso, as edições seguintes, publicadas nos dias 22 e 29 de janeiro de 2021, excluem o câncer do grupo de comorbidades prioritárias, restringindo-se a incluir na descrição do grupo de imunossuprimidos os pacientes oncológicos que realizaram tratamento quimioterápico ou radioterápico nos últimos seis meses e aqueles com neoplasias hematológicas.

“A SBOC seguirá atuante e em diálogo com o Congresso Nacional, o Ministério da Saúde e todas as instâncias competentes do poder público para fazer valer o que diz a ciência e amparar o oncologista clínico brasileiro no cuidado com seus pacientes, tão vulneráveis à pandemia que enfrentamos”, garante Dr. Renan Clara.

Além de Carla Zanotto e Dr. Luiz Antonio Teixeira Jr., a SBOC também já obteve apoio dos deputados federais Tereza Nelma (PSDB-AL) e André Janones (Avante-MG) para a inclusão das pessoas vivendo com câncer no grupo de prioritários a receberem a imunização.

No dia 17 de março, lideranças da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e da Associação Médica Brasileira (AMB) se reuniram para discutir pautas ligadas à educação médica na área da oncologia – entre elas, a possibilidade de se incluir a disciplina na graduação em medicina e novas colaborações entre as duas entidades.

Participaram da reunião: o diretor científico da AMB, Dr. José Eduardo Lutaif Dolci, a presidente da SBOC, Dra. Clarissa Mathias, o vice-presidente para Ensino da Oncologia, Dr. Rodrigo Munhoz, e o diretor executivo da SBOC, Dr. Renan Clara.

Filiada à AMB, a SBOC tem conduzido uma série de iniciativas para ampliar o acesso dos futuros médicos ao conhecimento oncológico o mais cedo possível, como a Gincana Nacional da Oncologia para Acadêmicos, cuja primeira edição, em 2020, teve mais de 600 inscrições vindas de faculdades de todas as regiões do país.

“A oncologia tem se mostrado cada vez mais uma área do conhecimento imprescindível para a atuação médica em toda a sua diversidade, diante da expansão da incidência do câncer sobre as populações e a interdisciplinaridade das implicações da doença”, comenta Dra. Clarissa Mathias. “A SBOC trabalha pela ampliação do conhecimento oncológico e isso inclui os futuros médicos brasileiros, desde seus primeiros anos de formação”, acrescenta.

A AMB manifestou interesse em ampliar seu conteúdo educacional na especialidade e em contar com a SBOC para isso. Todas as aulas do Programa de Residência Médica em Oncologia Clínica (PROC), desenvolvidas pela SBOC, foram disponibilizadas à AMB – e, de acordo com Dr. Rodrigo Munhoz, novos conteúdos estão em desenvolvimento. “As aulas do PROC são as mais amplas e completas da oncologia clínica nacional, abrangendo conhecimentos multidisciplinares e constantemente atualizados, tendo em vista o dinamismo com que se constrói o conhecimento científico e clínico da oncológicos”, explica.

Uma importante parceria entre SBOC e AMB também esteve na pauta, o Título de Especialista em Oncologia Clínica (TEOC), emitido anualmente pelas duas entidades. O exame de suficiência para obtenção do TEOC é destinado a médicos recém-formados na especialidade ou com experiência e conhecimento suficientes para alcançar a aprovação. “Após a reunião, residentes em R3 podem aguardar novidades relacionadas ao TEOC, que serão divulgadas no próximo edital do exame, em breve. Vamos juntos, SBOC e AMB, seguir impulsionando a educação médica no Brasil”, adianta Dr. Renan Clara.

Mais uma edição da já tradicional competição on-line que desafia e premia os futuros oncologistas clínicos do Brasil está com inscrições abertas! Associados da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) que fazem residência em oncologia clínica em instituições de todas as regiões do país podem se inscrever até 18 de abril na VI Gincana Nacional da Oncologia para Residentes.

A competição dedicada aos residentes é uma das duas gincanas promovidas anualmente pela SBOC para disseminar o conhecimento médico em oncologia clínica e integrar a comunidade de preceptores e futuros profissionais em todo o território nacional – há, ainda, a Gincana Nacional da Oncologia para Acadêmicos, para estudantes de medicina. Nesta nova edição para os residentes, serão exigidos conhecimentos gerais de oncologia, como diagnóstico, estadiamento e história natural da doença, mas também epidemiologia, biologia molecular e domínio sobre o tratamento dos principais tipos de tumores.

Para a presidente da SBOC, Dra. Clarissa Mathias, trata-se de uma oportunidade de aprimoramento. “A SBOC está com o oncologista clínico desde sua formação, e a competitividade promovida pela Gincana é um meio de abordar conceitos e práticas que o acompanharão ao longo de toda a sua jornada profissional e de vida”, comenta “Cada caso apresentado aos competidores é pensado de forma a contemplar os principais desafios do oncologista clínico em seu dia a dia.” O vice-presidente para Ensino da Oncologia da SBOC, Dr. Rodrigo Munhoz, alinha o propósito da Gincana ao de todas as iniciativas educacionais da entidade. “Os casos clínicos levados aos competidores são disponibilizados quinzenalmente no site da Gincana e conversam diretamente com as aulas do Programa de Residência Médica em Oncologia Clínica (PROC) e da nossa plataforma de conteúdo audiovisual, o SBOC Play”, orienta.

A complexidade de todos os casos clínicos e questões enviados aos candidatos é padronizada, com cada passo registrado on-line, de modo a garantir transparência ao longo de todo o processo. “É a marca da SBOC sendo apresentada ao profissional que ela representa já nas primeiras etapas de sua carreira, com o cuidado de quem compreende sua missão e atua fortemente para fomentar a melhor prática clínica”, diz o diretor executivo da entidade, Dr. Renan Clara.

Peça a peça

Os casos clínicos serão apresentados um a um, a cada 15 dias, sempre às 20h das segundas-feiras. Para cada caso será divulgada uma pergunta por dia, ao longo da semana (de 1 a 5 perguntas).

Ao final da semana, às 20h do sábado, será apresentado um vídeo com discussões do caso clínico e das questões da semana. As questões anteriores estarão disponíveis, com as devidas respostas, para todos os competidores.

A pontuação será baseada no desempenho da participação on-line a cada pergunta, considerando o tempo para a resposta e a alternativa correta. Cada residente terá acesso exclusivamente ao seu desempenho individual global.

Tudo ocorrerá em três blocos de dois meses, totalizando quatro casos clínicos mensais. Ao fim de cada bloco, serão anunciados os vencedores daquela fase.

Xeque-mate!

Serão premiados os três primeiros colocados do ranking global e os de cada bloco. Os demais participantes poderão conferir sua posição em relação à de todos os residentes e aos de seu ano – uma informação exclusiva ao competidor.

O campeão do ranking global ganhará o pacote completo para o ASCO 2022, em Chicago, nos Estados Unidos, com inscrição, hospedagem e passagens custeadas. O vice-campeão também viaja para Chicago sem custo, com a participação no evento igualmente garantida, e o terceiro colocado ganha a inscrição.

Já os primeiros colocados em cada bloco ganham o pacote completo para o Congresso SBOC 2021, programado para o mês de novembro, em Salvador (BA), com inscrição, hospedagem e passagens pagas. Os segundos e terceiros colocados também participam do evento sem pagar a inscrição, sendo que o vice-campeão de cada bloco ganha também as passagens aéreas.

O preceptor da instituição de residência do grande campeão do ranking global também ganhará o pacote completo para o Congresso SBOC 2021, com inscrição, hospedagem e passagens.

Saiba mais e inscreva-se em bit.ly/VIGincanaSboc.