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Comunicação SBOC

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Guilherme Nader Marta, Renata Rodrigues da Cunha Colombo Bonadio e Virginia Moreira Braga são os três residentes selecionados pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) para o programa internacional “Oncogenética em foco”. Cada um receberá uma bolsa que inclui passagens aéreas e hospedagem de 1 a 9 de junho em Chicago (EUA). Eles participarão de atividades específicas no The University of Chicago Center for Global Health e também do Congresso da American Society of Clinical Oncology (ASCO, 2 a 6 de junho), quando terão uma agenda exclusiva com líderes da área.

Na visão da SBOC, os cânceres hereditários são altamente relevantes, já que compreendem de 5% a 10% de todos os tumores malignos atualmente diagnosticados. Segundo o edital do programa, o aconselhamento genético tem um papel fundamental no manejo desses casos, tornando a Oncogenética um ramo notável da Oncologia.

A Dra. Cinthya Sternberg, diretora executiva da SBOC explica que, no Brasil, a abordagem multidisciplinar em genética clínica tem recebido pouca atenção, tanto no sistema de saúde público como no privado. “O número de serviços genéticos brasileiros atuando na Oncogenética é extremamente baixo e a concentração desses serviços nas capitais de alguns Estados dificulta o acesso da população”, afirma. “Dentro desse contexto, a SBOC se propôs a despertar nos residentes o interesse pelo tema e estimular a formação de especialistas nessa área, colaborando com o aumento de massa crítica de profissionais que possam atuar efetivamente para prevenção, redução de risco, diagnóstico e tratamento do câncer hereditário”, destaca a diretora executiva.

Palavra dos vencedores

O Dr. Guilherme Nader Marta, residente do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) é de Bauru, no interior do Estado, graduou-se na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e está na capital há quase dez anos. Aos 27 anos, ele está convencido da importância da Oncogenética e feliz com a oportunidade oferecida pela SBOC. “Acompanhei um caso de câncer hereditário na residência e isso me motivou a buscar um treinamento formal específico”, conta. “As expectativas são bem altas, tanto do ponto de vista assistencial quanto da área de pesquisa”, diz, referindo-se ao programa. “Quero aprender mais sobre o manejo dos pacientes e dos familiares e aprofundar o conhecimento na área. Os campos de pesquisa são enormes”, afirma entusiasmado.

Natural de Minas Gerais, mas em São Paulo há uma década, a Dra. Renata Bonadio, de 28 anos, também fez FMUSP e é residente do Icesp. “A Oncogenética tem proporcionado um melhor entendimento da carcinogênese. São inúmeras pesquisas. Isso determinará como será o tratamento do câncer no futuro de forma geral”, avalia a médica. “Este assunto é de grande interesse de todo oncologista”, classifica. “Programas com esse foco são ainda mais raros para residentes brasileiros. É uma oportunidade muito bacana e estou superanimada”, relata, acrescentando ter interesse também na atuação clínica e em pesquisa.

A cearense Virginia Moreira Braga, de 31 anos, é a terceira bolsista. Nascida em Fortaleza, fez graduação na Universidade Federal de Alagoas e Clínica Médica no Hospital Walter Cantídio da Universidade Federal do Ceará. Agora está no último ano da residência em Oncologia Clínica no Hospital da Beneficência Portuguesa de São Paulo (BP), completando três anos na cidade. Ela foi incentivada por seus preceptores a inscrever-se no programa da SBOC. “É uma oportunidade maravilhosa, que vai me proporcionar um crescimento profissional extremamente relevante”, destaca. “A Oncogenética é hoje a base dos estudos em Oncologia, com importantes descobertas que repercutem na prática clínica”, observa. “Pretendo conhecer os avanços genéticos para colocá-los em prática, além de desenhar possíveis projetos de pesquisa”, planeja.

Sobre o Congresso da American Society of Clinical Oncology, os três participarão pela primeira vez e estão animadíssimos. “É um adicional muito positivo do programa”, diz o Dr. Guilherme. “Todo residente quer ir para o ASCO”, sentencia a Dra. Virginia.

Acaba de ser publicado o estudo “An alert to Latin America: Current HPV vaccination trends highlight key barriers to successful implementation" (“Um alerta para a América Latina: as atuais tendências de vacinação contra o HPV destacam os principais obstáculos à implementação bem-sucedida”) na revista Cancer. A publicação pertence à American Cancer Society e é indexada ao ISI Journal Citation Reports. Os autores do artigo são os membros da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) Angelica Nogueira-Rodrigues, Eduardo Paulino, Cinthya Sternberg e Markus A. C. Gifoni, entre outros colegas.

Os dados corroboram o mote da campanha Onda contra o câncer, apoiada pela SBOC: a necessidade de se divulgar a importância de vacinar meninas e meninos contra o HPV (papilomavírus humano) para prevenir o câncer de colo de útero. De acordo com o estudo, a situação é alarmante na América Latina. Nos anos que se seguiram à introdução da vacina nos calendários nacionais de imunização, houve uma drástica redução da cobertura da primeira dose em diversos países.

No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, a cobertura vacinal com uma dose diminuiu de 92% da população-alvo (meninas de 11 a 13 anos), em 2014, para 69,5% (meninas de 9 a 11 anos), em 2015. “Uma redução dramática de 23% em um ano”, frisam os autores do artigo.

Tendência semelhante foi observada em Guadalajara, no México: queda de 22% na administração da primeira dose entre 2009 e 2013. Por sua vez, a Colômbia tem enfrentado diminuição preocupante na adesão. Após ter alcançado, em 2013, uma taxa de cobertura de primeira dose de 97,5%, a segunda melhor taxa mundial depois da Austrália, o índice caiu para 20,4% no final de 2014. O escritório do Programa Nacional de Vacinas atribui o fenômeno ao episódio "Carmen de Bolívar", quando houve relatos de que a vacina teria deixado algumas meninas doentes.

Cobertura ainda menor na segunda e terceira doses da vacina contra o HPV

De acordo com o artigo científico, assim como observado nos Estados Unidos e em outros locais, as taxas de segunda e terceira doses estão muito abaixo das de primeira dose no continente latino. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), nos dois anos seguintes à inclusão da vacina contra o HPV no esquema nacional de vacinação da Argentina, mais de 80% das meninas da faixa etária alvo receberam a primeira dose, enquanto apenas 60% e 50% tomaram a segunda e terceira doses, respectivamente. No Panamá, a cobertura de uma dose entre meninas com 10 anos foi de 89%, enquanto a de três doses ficou em 46%. No México, a cobertura da primeira dose foi de 85% e a de 2 doses, 67%.

Contudo, já existem pesquisas evidenciando que uma dose única de vacina pode ser suficiente para imunizar contra HPV 16 e 18, o que, explicam os autores, “representaria um passo importante na redução do custo e dos recursos necessários para alcançar a ampla cobertura de vacinação contra o HPV”. Um ensaio clínico com o objetivo de avaliar a eficácia de uma dose de vacina contra o HPV está agora em curso.

De qualquer forma, ressaltam os pesquisadores, os esforços dos sistemas de saúde devem continuar a se concentrar em aderir às diretrizes atuais: esquema de duas a três doses, completadas ao longo de seis meses.

Segundo eles, o monitoramento apropriado da cobertura da vacina contra o HPV e seus efeitos permitirá aos países avaliar melhor as tendências nacionais e implantar estratégias mais eficientes conforme as características locais.

Os autores do estudo enfatizam ainda que, no Brasil, há variações regionais significativas na adesão à vacina, com taxas mais elevadas de cobertura em áreas mais desenvolvidas do país, onde o câncer cervical é menos incidente, e menores taxas de vacinação contra o papilomavírus humano onde a incidência deste tipo de câncer é historicamente maior. Um exemplo citado pelos pesquisadores é Alagoas, estado nordestino com um dos piores índices de desenvolvimento humano do país, onde o câncer de colo de útero permanece como uma das principais causas de tumores em mulheres: a cobertura de primeira dose foi de apenas 21,5% da população-alvo no segundo ano de vacinação pública.

Veja algumas das principais informações destacadas no artigo no infográfico abaixo.

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Já estão abertas as inscrições para o XX Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica, a ser realizado de 25 a 28 de outubro, no Windsor Oceânico Hotel, no Rio de Janeiro (RJ). A primeira data-limite para inscrever-se no evento com desconto é 4 de maio. O Congresso fará parte da I Semana Brasileira da Oncologia (24 a 29 de outubro), organizada pelas Sociedades Brasileiras de Oncologia Clínica (SBOC), de Cirurgia Oncológica (SBCO) e de Radioterapia (SBRT). A programação completa e a relação dos convidados nacionais e internacionais podem ser conferidas no site www.semanaonco.com.br/oncologiaclinica.

Os resumos dos trabalhos científicos devem ser enviados pelo site do evento até 21 de junho e o seu autor responsável precisa estar inscrito no Congresso. Os temas são: melanomas, pulmão, sarcomas, tumores de cabeça e pescoço, de mama, do sistema nervoso central, ginecológicos, raros, TGI inferior (cólon, reto e ânus), TGI superior, urológicos, próstata e não próstata, além de cuidados paliativos, enfermagem, farmácia, hematologia, nutrição, oncologia pediátrica, pesquisa clínica, políticas públicas e psico-oncologia.

Na submissão, o autor principal indicará a forma preferencial de apresentação do trabalho científico: oral ou pôster. A Comissão Científica poderá alterar esta escolha.

Serão aceitos até três trabalhos por autor principal inscrito. Os resumos podem ter até dez autores. A apresentação deverá ser feita pelo responsável indicado na submissão do trabalho. Se não for possível, outro autor poderá fazê-la, desde que esteja devidamente inscrito no evento. Informações sobre dia e horário da apresentação serão disponibilizadas na área restrita do autor principal e previamente estipuladas no programa científico do Congresso.

O resultado dos trabalhos será divulgado no dia 16 de agosto. Como premiação, os três melhores serão apresentados na sessão plenária do Congresso. Todos os trabalhos científicos aprovados serão publicados nos anais do evento.

Mais informações e instruções estão disponíveis no site.

XX Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica

25 a 28 de outubro de 2017

Windsor Oceânico Hotel

Rua Martinho de Mesquita, 129, Rio de Janeiro (RJ)

22620-220, Brasil

Site do evento: www.semanaonco.com.br/oncologiaclinica

Embora o câncer seja a principal causa de morte por doença na faixa etária de 15 a 29 anos no Brasil, o grupo é negligenciado e tem piores chances de diagnóstico e tratamento em tempo oportuno, segundo estudo recente do Instituto Nacional de Câncer (Inca), alinhado aos achados internacionais sobre o tema. Os números revelam, por exemplo, que a mediana dos intervalos de tempo para atendimento dos adolescentes e adultos jovens é maior do que a observada em crianças.

De acordo com a publicação, entre os pacientes que chegaram ao hospital sem diagnóstico, 66,3% dos adolescentes e adultos jovens tiveram o tratamento do tumor iniciado em até 60 dias após o diagnóstico – conforme determina a  Lei 12.732, de 2012 – no caso das crianças, o percentual foi de 80,8%. Já entre aqueles que chegaram com diagnóstico, o índice cai para 23,3% e 33,5%, respectivamente.

O tempo mediano entre o diagnóstico e o início do tratamento é quatro vezes maior para pacientes de 15 a 29 anos (27 dias) em comparação com aqueles até 14 anos (sete dias). No grupo de adolescentes e jovens adultos, em 75% dos casos esse tempo médio foi de até 67 dias, enquanto para três quartos das crianças foi de até 30 dias; diferença de mais de 100%.

Os adolescentes e jovens adultos também levaram o dobro do tempo médio no intervalo entre a consulta e o diagnóstico (12 dias versus 6 dias) e entre a consulta e o início do tratamento (20 dias versus 11 dias).

“Na literatura mundial, há consenso sobre o fato de esse grupo etário [15 a 29 anos] ser negligenciado”, diz Beatriz de Camargo, médica e pesquisadora do Programa de Hematologia e Oncologia Pediátrica do Inca. “Isso se deve ao desconhecimento sobre a incidência dos tumores nesta faixa etária e ao fato de esta população procurar menos os serviços de saúde, pois são mais independentes e preocupam-se menos com a saúde”, continua. “Além disso, há controvérsias relacionadas ao profissional que deveria tratá-la, aos tipos de tratamento ministrados e à não inclusão dessa faixa etária nos protocolos.” A especialista conta que, nos países mais desenvolvidos, já existem setores específicos para tratar adolescentes e jovens adultos. Segundo ela, o objetivo do Inca, com a inclusão do grupo na publicação, foi apresentar o cenário encontrado no Brasil para ampliar as informações e subsidiar ações sobre um tema tão relevante.

Diferenças por região

Outra questão-chave detectada pela pesquisa são as diferenças regionais, considerando a faixa de 15 a 29 anos. No Sudeste, 75% dos pacientes tiveram o tratamento iniciado até 68 dias após o diagnóstico, enquanto, na Região Norte, esse intervalo foi 46% maior (99 dias).

O estudo mostra que são do Nordeste os casos com o maior intervalo de tempo mediano, de 25 dias, entre a data da primeira consulta e o início do tratamento. No Centro-Oeste esse intervalo é de 9 dias, seguido do Sul, com 14 dias, e do Sudeste e Centro-Oeste com 21 dias cada.

O estudo aponta um aumento estatisticamente significativo na tendência da incidência de todas as neoplasias entre adolescentes e adultos jovens em Jaú, interior de São Paulo (8,3%, 1996-2012), Recife (6,5%, 1995-2009), João Pessoa (6,2%, 1999-2010) e Goiânia (3,2%, 1988-2009). A Grande Vitória foi a única a apresentar redução significativa (4,3%, 1997-2008). Conforme a publicação, há tendência de aumento do número de casos na maioria das localidades, ainda que não estatisticamente significativo.

As informações do estudo foram compiladas a partir de 25 Registros de Câncer de Base Populacional, do Sistema de Informação sobre Mortalidade do Ministério da Saúde e dos 271 Registros Hospitalares de Câncer do país.

“O câncer nessa faixa etária apresenta características de transição entre os mais frequentes na infância e os da fase adulta. A incidência nessa faixa etária é maior do que nas crianças, mas ainda muito menor do que a observada nos adultos”, finaliza a Dra. Beatriz de Camargo.

A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) solicitou à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em parceria com a Associação Médica Brasileira (AMB), a incorporação de oito medicamentos: axitinibe, cobimetinibe, crizotinibe, dabrafenibe, enzalutamida, everolimus para pacientes com tumores neuroendócrinos (NET), everolimus para pacientes com carcinoma de células renais (RCC) e regorafenibe. As apresentações ocorreram em março.O objetivo é que essas drogas orais sejam incluídas no rol de cobertura obrigatória dos planos de saúde a ser publicado em 2018. A atualização da lista ocorre a cada dois anos.

Dois desses medicamentos, dabrafenibe e cobimetinibe, são terapias-alvo indicadas para o tratamento de melanoma em pacientes com a mutação genética BRAF, que ocorre aproximadamente em 50% do total de pessoas atingidas pela doença. As justificativas da disponibilização deles aos pacientes cobertos pelos planos de saúde foram apresentadas à ANS pelo representante da SBOC Dr. Rodrigo Munhoz, oncologista do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo e do Hospital Sírio-Libanês.

Durante a apresentação, o Dr. Rodrigo Munhoz lembrou que essas mutações-alvo ocorrem em uma proporção significativa de casos. Estima-se que metade dos 5.670 novos casos (Inca, 2016) poderiam ser tratados com essas drogas.

De acordo com o membro da SBOC, não há medicamentos equivalentes para uso endovenoso e as indicações do dabrafenibe e do cobimetinibe em comparação a imunoterapias podem ser afetadas pelo contexto clínico ou apresentação. “A incorporação do dabrafenibe provavelmente não resultará em impacto orçamentário adverso, dado que o vemurafenibe já faz parte do rol da ANS”, avalia.

Dabrafenibe: alta taxa de resposta

O dabrafenibe foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para melanoma metastático em janeiro de 2016. O estudo fase 2, com 92 pacientes, publicado no Journal of Clinical Oncology, apresentou alta taxa de resposta: 60% de redução do tumor e 7% de desaparecimento das lesões. A mediana de sobrevida livre de progressão da doença foi de 6,3 meses. O medicamento também apresentou boa tolerância: 64% dos pacientes não apresentaram toxicidades graves.

O estudo fase 3 do dabrafenibe publicado no The Lancet, randomizado, aberto, envolvendo 250 pacientes, mostrou aumento significativo da sobrevida, em comparação com a dacarbazina, de 2,7 meses para 5,1 meses. Também houve 70% de redução do risco de progressão em comparação com o quimioterápico (HR de 0,30). Outro resultado importante foi a taxa de resposta: 50% versus 6%. Não houve acréscimo significativo de pacientes com toxicidades graves.

Cobimetinibe combinado com vemurafenibe dá mais resultado

Na segunda apresentação, a SBOC argumentou que não se justifica mais o uso isolado do vemurafenibe sendo que a combinação com o cobimetinibe é mais eficaz e menos tóxica. A utilização dos dois medicamentos combinados para o tratamento do melanoma foi aprovada pela Anvisa em maio do ano passado.

O estudo randomizado fase III, publicado no New England Journal of Medicine, mostrou que a média de sobrevida livre de progressão foi de 9,9 meses no grupo de combinação e de 6,2 meses no grupo controle (HR de 0,51). A taxa de resposta completa ou parcial de vemurafenibe mais cobimetinibe foi de 68% em comparação com 45% no grupo de controle, incluindo as taxas de resposta completa de 10% ante 4%. As análises provisórias da sobrevida global mostraram taxas de sobrevida de 81% no grupo de combinação e 73% no grupo controle, aos nove meses.

É importante salientar que a combinação de vemurafenibe e cobimetinibe não resultou em maior incidência de eventos adversos de grau 3 ou superior em comparação ao vemurafenibe em monoterapia (65% vs. 59%). Além disso, o número de tumores cutâneos secundários diminuiu com a terapêutica combinada.

Após avaliação interna da ANS, a incorporação dos medicamentos ao rol de cobertura obrigatória pelos planos de saúde em 2018 será colocada em consulta pública.

Os associados da SBOC podem acessar os estudos mencionados neste texto pela Biblioteca Virtual, no menu Serviços, com seu login e senha.

Expirou no dia 17 de abril o prazo para inscrição de chapas no processo eleitoral da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) para o biênio 2017/2019. Foi inscrita apenas uma chapa, encabeçada pelo Dr. Sérgio Simon, doutor em Medicina pela Universidade de São Paulo, coordenador do programa de residência médica em Cancerologia Clínica e de pós-graduação em Oncologia Clínica do Hospital Israelita Albert Einstein, além de diretor-fundador do Centro Paulista de Oncologia (CPO). Veja a composição completa da chapa abaixo.

A Comissão Eleitoral, formada pelos oncologistas Wagner Brant Moreira, Caio Teixeira Heleno e Rodrigo Cunha Guimarães, reuniu-se na sede da SBOC, em Belo Horizonte (MG), para verificar as condições de elegibilidade. A chapa “Diálogo” foi homologada por unanimidade.

De acordo com o estatuto, mesmo havendo chapa única, ocorrerá a votação. Pela primeira vez, o voto será eletrônico, de 15 de maio a 4 de junho. Os associados titulares em dia com suas contribuições associativas receberão login e senha para acessar o site da SBOC neste período e votar utilizando qualquer dispositivo com acesso à internet (desktop, notebook, tablet ou smartphone).

“Quanto maior o número de votos, mais representativa e democrática é a Sociedade”, afirma o Dr. Gustavo Fernandes, presidente da SBOC, ao destacar a importância da participação dos associados.

 

O resultado oficial da eleição será divulgado no dia 7 de junho e os membros eleitos tomarão posse em 27 de outubro, durante o XX Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica, no Rio de Janeiro (RJ).

 

Chapa “Diálogo”

 

Presidente:

Dr. Sérgio Daniel Simon

Vice-presidente para Relações Nacionais e Internacionais:

Dr. Gustavo dos Santos Fernandes

Vice-presidente de Organização, Planejamento e Administração:

Dr. Sérgio Jobim de Azevedo

Vice-presidente de Assistência Médica e Defesa Profissional:

Dr. Roberto de Almeida Gil

Vice-presidente para Pesquisa Clínica e Estudos Corporativos:

Dr. Fábio André Franke

Vice-presidente para Ensino da Oncologia:

Dr. Rodrigo Ramella Munhoz

Secretária Geral:

Dra. Clarissa Maria de Cerqueira Mathias

Tesoureiro:

Dr. Volney Soares Lima

Vice-tesoureiro:

Eriberto de Queiros Marques Junior

Secretária de Comunicação Social:

Clarissa Seródio da Rocha Baldotto

Comissão de Ética:

Dr. Rui Fernando Weschenfelder

Dra. Anelisa Kruschewsky Coutinho Araújo

Dra. Aline Lauda Freitas Chaves

Conselho Fiscal:

Dr. Luciano Henrique Pereira dos Santos

Dr. Duílio Reis da Rocha Filho

Dra. Andréia Cristina de Melo

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, no dia 10 de abril, o paclitaxel nanoparticulado albuminado (Abraxane®) como tratamento em primeira linha de pacientes com adenocarcinoma de pâncreas metastático. “A aprovação ocorre com algum atraso, mas é um avanço com certeza”, afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Dr. Gustavo Fernandes. “Ficamos felizes de poder utilizar essa substância sem ter que importá-la”, completa.

De acordo com o presidente da SBOC, esta formulação do paclitaxel está disponível nos Estados Unidos há aproximadamente uma década, utilizada para câncer de mama e de pulmão. “É uma opção terapêutica bastante consolidada no mundo”, observa. Em 2013, estudo fase 3 publicado no New England Journal of Medicine mostrou que a mediana da sobrevida global foi de 8,5 meses no grupo nab-paclitaxel-gemcitabina em comparação com 6,7 meses no grupo gemcitabina (razão de risco para óbito 0,72).

A taxa de sobrevivência foi de 35% no grupo nab-paclitaxel-gemcitabina versus 22% no grupo gemcitabina ao ano, e 9% versus 4% em dois anos. A média de sobrevida livre de progressão foi de 5,5 meses no grupo nab-paclitaxel-gemcitabina, em comparação com 3,7 meses no grupo gemcitabina (razão de risco para a progressão da doença ou morte 0,69).

Os eventos adversos mais comuns de grau 3 ou superior foram neutropenia (38% no grupo nab-paclitaxel-gemcitabina versus 27% no grupo gemcitabina), fadiga (17% versus 7%) e neuropatia (17% versus 1%). No grupo nab-paclitaxel-gemcitabina, a neuropatia de grau 3 ou superior melhorou para grau 1 ou inferior numa mediana de 29 dias.

Segundo o Dr. Gustavo Fernandes, não existe estudo comparativo com a terapia padrão utilizada no Brasil hoje, que é o protocolo FOLFIRINOX (leucovorina, fluorouracil, irinotecano, oxaliplatina). “A aprovação do paclitaxel vai mudar a conduta de parte dos oncologistas. Outros permanecerão usando FOLFIRINOX”, avalia.

O câncer de pâncreas tem comportamento agressivo e costuma ser diagnosticado tardiamente devido a ausência de sintomas nos estágios iniciais. Segundo o Instituto Nacional de Câncer, esse tipo de câncer é responsável por cerca 4% das mortes provocadas pela doença no Brasil. 

Até o dia 2 de maio estão abertas as consultas públicas da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) sobre a incorporação ao Sistema Único de Saúde do trastuzumabe e pertuzumabe para câncer de mama HER2-positivo metastático em primeira linha de tratamento. A recomendação do órgão técnico do governo foi favorável à incorporação do trastuzumabe mediante negociação de preço com a empresa fabricante do medicamento, mas desfavorável, preliminarmente, à incorporação do pertuzumabe associado ao trastuzumabe e docetaxel, considerado o tratamento padrão pelos oncologistas.

O presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, Dr. Gustavo Fernandes, e o membro da SBOC, Dr. André Sasse, defenderam a incorporação dos dois medicamentos na Conitec, em Brasília (DF), no Dia da Mulher, 8 de março. “Ficamos felizes com a recomendação favorável da Conitec ao trastuzumabe, tratamento que vem sendo negado à população brasileira há 20 anos”, afirma o Dr. Gustavo Fernandes. “A incorporação corrigirá um erro histórico”, completa.

Quanto ao pertuzumabe, o presidente da SBOC conclama os oncologistas a se mobilizarem por meio de suas instituições e participarem da consulta pública. “Mesmo a manifestação preliminar da Conitec sendo contrária, já houve casos de o órgão rever a sua posição após a repercussão e os argumentos da comunidade científica e da população”, incentiva, por sua vez, o Dr. André Sasse.

“Também é importante a participação favorável na consulta pública do trastuzumabe para que a decisão final seja realmente pela incorporação”, destaca o Dr. Gustavo Fernandes.

Custo-efetividade

O parecer técnico da SBOC apresentado à Conitec, cujas informações estão disponíveis nas consultas públicas, englobou revisão sistemática da literatura, avaliação de custo-efetividade e análise de impacto orçamentário. “Este tipo de apresentação feita por uma sociedade médica traz mais transparência e credibilidade ao processo”, ressalta o Dr. André Sasse, ao lembrar que a abordagem foi inédita por envolver também a discussão dos preços praticados no mercado e eventuais descontos possíveis de serem negociados com a indústria farmacêutica.

De acordo com dados de estudos publicados no Journal of Clinical Oncology e no Journal of Global Oncology, em 2015 e 2016, respectivamente, a incorporação ao SUS do trastuzumabe e do pertuzumabe salvaria 768 vidas de mulheres com câncer de mama metastático HER2-positivo no Brasil.

Do total de 2 mil pacientes diagnosticadas com este subtipo da doença em 2016, apenas 808 estarão vivas, após dois anos, se forem tratadas somente com quimioterapia. Caso recebessem a combinação de quimioterapia e trastuzumabe, o número de sobreviventes subiria para 1.408. Com a associação de quimioterapia, trastuzumabe e pertuzumabe, 1.576 pacientes sobreviveriam.

Estão abertas as inscrições para o 1º Simpósio de Câncer Ginecológico em Passo Fundo (RS). O evento será no dia 28 de abril e tem o apoio da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC). O objetivo é reunir oncologistas, cirurgiões, ginecologistas, radioterapeutas, radiologistas e patologistas para debater as novidades no diagnóstico e tratamento do câncer de ovário, colo uterino e de endométrio. Outro assunto em questão será o manejo do climatério induzido pelo tratamento e seus efeitos colaterais crônicos.

O câncer ginecológico foi a causa da morte de 13 mil mulheres no Brasil em 2014, sendo mil delas somente no Rio Grande do Sul. A alta incidência levou o Centro de Tratamento do Câncer (CTCAN) a promover este primeiro evento. Uma das palestrantes será a Dra. Audrey Tsunoma, pesquisadora do Hospital Erasto Gartner, em Curitiba (PR), cirurgiã oncológica com dedicação ao câncer ginecológico e à cirurgia robótica e laparoscópica.

Outro convidado é o Dr. João Soares Nunes, oncologista com atuação em câncer ginecológico e câncer de mama, atualmente no Hospital Erasto Gartner e ex-chefe do serviço de câncer ginecológico do Hospital de Câncer de Barretos, em São Paulo. Os demais palestrantes também são especialistas de larga experiência em suas áreas de atuação.

1º Simpósio de Câncer Ginecológico

28 de abril de 2017

Local: Auditório da Unimed, Passo Fundo (RS)

Inscrições: www.ctcan.com.br

Mais informações: (54) 3311-3361

O diretor geral do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) e do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, Paulo Hoff, tomou posse como membro da Academia Nacional de Medicina (ANM), em março. Ao ocupar a cadeira 58, torna-se o quarto oncologista clínico entre os atuais 100 acadêmicos vitalícios. O primeiro foi Gilberto Schwartsman, seguido por Daniel Tabak e José Carlos Valle.

A cerimônia foi prestigiada por autoridades como o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin; o secretário de Estado da Saúde, David Uip; o presidente da Associação Médica Brasileira, Florentino Cardoso; e o presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Gustavo Fernandes.

“A Academia Nacional de Medicina é o órgão máximo que o médico pode alcançar; a maior aspiração para o seu currículo”, define o Dr. Valle, acadêmico há 11 anos e ex-presidente da SBOC (1989-1991). Fundada em 1829 como Academia Imperial de Medicina, é a mais antiga instituição cultural e científica do Brasil. Sua missão é contribuir para o estudo, a discussão e o desenvolvimento das práticas da medicina, cirurgia, saúde pública e ciências afins e também serve como órgão de consulta do governo brasileiro sobre questões de saúde e de educação médica. O Dr. Valle comenta que o processo para integrar a ANM é longo e difícil. “Muitos tentam e poucos conseguem.” Até hoje, somente 665 médicos foram ou são acadêmicos.

sboc hoff fernandes

Em seu discurso de posse, após citar desafios como a falta de médicos em locais mais afastados dos grandes centros, a abertura de escolas médicas sem garantia de ensino de qualidade, os custos de incorporação de tecnologias e a judicialização da saúde, Hoff colocou que a Academia tem uma posição ímpar para colaborar em todas essas discussões: “Esta instituição bicentenária reúne expoentes de todas as correntes ideológicas da medicina brasileira. As deliberações deste colegiado ressoam com força nos gabinetes da República por sua seriedade, tradição e competência. Trata-se do fórum ideal para discussões profundas sobre a medicina que queremos hoje e no futuro”.

Segundo o professor Gilberto Schwartsman, primeiro oncologista clínico a ingressar na Academia Nacional de Medicina, a história da ANM confunde-se com a do Brasil. Fundada ainda no Império, é a mais antiga instituição cultural do país. E a distribuição dos membros da Academia deve refletir também a importância das várias especialidades. “O câncer é a segunda causa de morte na maioria dos países e, nos próximos anos, deve tornar-se a primeira. É natural que a oncologia ganhe maior representatividade e a presença do Dr. Hoff me parece óbvia e muito nos orgulha”, diz Schwartsman.

Mais informações sobre Paulo Hoff como acadêmico aqui

Acesse aqui o vídeo da posse de Paulo Hoff.

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