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Comunicação SBOC

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Nos dias 27 e 28 de junho, o Instituto Oncoguia realizará o 7º Fórum Nacional de Políticas de Saúde em Oncologia. Com inscrições gratuitas e vagas limitadas, o evento ocorrerá no auditório do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Representantes da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) participarão de duas mesas de discussão. Na terça-feira (27), o Dr. Sergio Simon, presidente eleito para 2017-2019, é um dos debatedores do tema “Conhecendo as demandas das principais sociedades médicas e definindo prioridades”. A proposta é esclarecer os posicionamentos específicos da SBOC e das Sociedades Brasileiras de Cirurgia Oncológica, Radioterapia e Oncologia Pediátrica quanto às necessidades de aprimoramento das políticas de atenção oncológica. Um documento oficial formalizando essas demandas deve ser entregue ao Ministério da Saúde após o evento.

A outra participação da SBOC será na quarta-feira (28). O Dr. Rodrigo Munhoz, oncologista clínico do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), do Hospital Sírio-Libanês e vice-presidente eleito da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica para Ensino 2017-2019 estará na mesa “A Oncologia e o rol de procedimentos de cobertura obrigatória pelos planos de saúde suplementar". O objetivo é repensar o modelo de incorporação de procedimentos na saúde suplementar. De acordo com os organizadores do fórum, algumas tecnologias dependem única e exclusivamente do registro na Anvisa para serem oferecidas aos pacientes, como é o caso dos antineoplásicos endovenosos. Outras, como métodos cirúrgicos e radioterápicos e medicamentos antineoplásicos de uso oral em domicílio, devem constar expressamente do rol de procedimentos, cuja atualização ocorre somente a cada dois anos. A reivindicação é que esses processos sejam readequados para garantir a cobertura necessária aos usuários.

O Dr. Paulo Hoff, diretor do Icesp e do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, fará uma palestra na abertura do evento sobre oportunidades e desafios para atenção oncológica no Brasil. O fórum discutirá, ainda, temas como desafios para garantia de diagnóstico rápido e de qualidade; desigualdade e falta de equidade na assistência oncológica comparando diversos serviços; avaliação e incorporação de tecnologias ao SUS; acesso universal aos avanços da medicina personalizada; tratamento adequado da dor, atendimento multidisciplinar e cuidados paliativos; e direitos dos pacientes com câncer.

Ainda há vagas disponíveis. Mais informações e inscrições aqui. 

Profissional será responsável pela gestão de novo serviço de quimioterapia e realização de atendimento. Ganho fixo para gerenciamento e variável conforme consultas. Interessados devem encaminhar currículo para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

No Congresso da American Society of Clinical Oncology (ASCO 2017), três estudos chamaram a atenção da Dra. Rachel Riechelmann na área de tumores gastrointestinais. Na opinião dela, os resultados têm potencial para mudar a conduta dos oncologistas. A médica é diretora científica do Grupo Brasileiro de Tumores de Gastrointestinais e membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC).

O primeiro trabalho destacado pela especialista é uma análise combinada de seis estudos fase III, somando 12.834 participantes, que avaliou a não-inferioridade de três meses versus 6 meses de adjuvância com oxaliplatina em termos de taxa de sobrevida livre de recorrência aos três anos em pacientes com câncer de cólon em estádio inicial. Os resultados de três meses de tratamento foram não inferiores a seis meses para pacientes com tumores T1-3N1. Para pacientes T4 ou N2, seis meses de adjuvância permanecem o padrão. Contudo, ressalta a oncologista, é preciso lembrar que a neurotoxicidade associada a seis ciclos de oxaliplatina pode ser limitante em uma proporção significativa de pacientes.

Segundo a Dra. Rachel, outro estudo relevante para a conduta clínica é o BILCAP, um ensaio fase III de oito ciclos de capecitabina adjuvante versus observação em pacientes com tumores de vias biliares ressecados. Em um seguimento mediano de 39 meses, o medicamento aumentou a sobrevida mediana em 15 meses. Na análise por intenção de tratamento, obteve-se 51 meses versus 36 meses (p=0.097). O resultado foi semelhante na análise por protocolo: 53 meses versus 36 meses, mas estatisticamente significativo (p=0.028). Na análise ajustada para fatores prognósticos, a capecitabina também aumentou a sobrevida global (p=0.007). Não houve piora de qualidade de vida com o medicamento. Portanto, o padrão para pacientes com tumores de vias biliares ressecados é capecitabina adjuvante por oito ciclos.

Mais um estudo que muda a prática clínica, de acordo com a oncologista, é o FLOT4 fase III de quimioterapia perioperatória FLOT versus ECF/ECX em 716 pacientes com adenocarcinoma gástrico ou da junção operados. Completaram o tratamento pré e pós-operatório 91% e 37% (ECF/X) e 90% e 50% (FLOT) dos pacientes, respectivamente. Após um seguimento mediano de 43 meses, a sobrevida mediana foi de 35 meses para ECF/X e de 50 meses para FLOT (p=0.012), com taxa de sobrevida livre de recorrência aos três anos de 48% para ECF e de 57% para FLOT. Taxas de complicações pós-operatórias foram semelhantes em ambos os grupos.

Além desses, outros estudos mostraram resultados encorajadores, segundo a da Dra. Rachel. Um exemplo é o estudo SWOG1406, randomizado de fase II, em que a adição de verumafenibe a cetuximabe mais irinotecano em segunda ou terceira linha para pacientes com câncer colorretal metastático e com mutação no oncogene BRAF demonstrou ganho significativo em sobrevida livre de progressão mediana.

Mais novidades da ASCO 2017

O Congresso da American Society of Clinical Oncology (ASCO 2017) aconteceu de 2 a 6 de junho, em Chicago (EUA). Acompanhe as novidades aqui no site da SBOC.

O Instituto de Oncologia e Radioterapia São Pellegrino, clínica situada em Porto Velho, Rondônia, convida médicos oncologistas para integrar seu corpo clínico. Ganhos iniciais de R$ 25 mil com possibilidade de crescimento. Falar com Sr. Mario dos Santos pelo telefone (21) 96966-5571 ou Dr. Carlos Manoel pelo (21) 98225-8238.

O próximo exame de suficiência para obtenção do Título de Especialista em Cancerologia (TECA) será realizado durante o XX Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica, no Hotel Windsor Oceânico, no Rio de Janeiro (RJ). O evento ocorrerá de 25 a 28 de outubro. O dia da prova será definido em breve. O edital com informações completas deve ser publicado em julho.

De acordo com o Dr. Gustavo Fernandes, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, o Título de Especialista credencia o médico a praticar a Oncologia e a ser membro titular da SBOC. “É o reconhecimento da Sociedade, a validação de tudo o que aprendeu, a valorização da sua formação”, define.

O Dr. Gustavo Fernandes lembra que mesmo aqueles médicos que tenham concluído programas de residência credenciados pela Comissão Nacional de Residência Médica podem e devem candidatar-se ao título.

O Dr. Fernando Santini, membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e fellow em oncologia torácica avançada pelo Memorial Sloan Kettering Cancer Center, traz mais novidades da sessão oral em câncer de pulmão não pequenas células (CPNPC) avançado do Congresso da American Society of Clinical Oncology (ASCO 2017). Ele comenta sobre a capacidade do osimertinibe em anular o efeito prognóstico deletério da metástase no sistema nervoso central, os resultados que levaram lorlatinibe a ser designado como terapia inovadora pelo Food and Drug Administration (FDA) para um determinado grupo de pacientes, os dados de dacometinibe versus gefitinibe em portadores de mutação ativadora do EGFR e também escolha de alectinibe em primeira linha para pacientes portadores de CPNPC avançado com rearranjo do ALK. Confira a seguir.

AURA 3

Este é um estudo de fase III que incluiu pacientes com CPNPC avançado T790M positivos portadores de mutação ativadora do EGFR pós-progressão a inibidor de tirosina cinase. Os pacientes foram randomizados entre quimioterapia a base de platina e osimertinibe 80 mg diariamente. Osimertinibe apresentou sobrevida livre de progressão no sistema nervoso central mais prolongada (11,7 meses versus 5,6 meses) e maior taxa de controle de doença do que no braço quimioterapia (93% versus 63%). Probabilidade de progressão no sistema nervoso central foi menor com osimertinibe, que também apresentou atividade contra acometimento leptomeníngeo. O grupo de pacientes com metástase no sistema nervoso central ao diagnóstico que receberam osimertinibe possuem resultados semelhantes ao grupo sem metástase no sistema nervoso central que também receberam o medicamento. Sugere-se, assim, que este potente inibidor irreversível do EGFR de terceira geração conseguiria anular o efeito prognóstico deletério da metástase no sistema nervoso central.

Lorlatinibe

Lorlatinibe foi testado em quatro coortes do estudo fase II que incluíram pacientes portadores de CPNPC avançado e do rearranjo ALK que progrediram após um a três inibidores do ALK +/- quimioterapia. O desfecho primário consistia em taxa de resposta sistêmica e intracraniana. A taxa de resposta sistêmica foi de 32%, enquanto a de controle de doença em 12 semanas ficou em 56%. Por sua vez, a taxa de resposta intracraniana foi de 48% e a de controle de doença intracraniana em 12 semanas atingiu 75%. Quatro de sete pacientes que progrediram a três inibidores do ALK previamente apresentaram resposta intracraniana. Hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia configuram os principais efeitos colaterais relacionados ao tratamento. Alterações cognitivas e de humor são, na maioria dos casos, graus 1 e 2 e reversíveis após redução de dose. Sendo assim, lorlatinibe apresentou respostas duradouras nesta população politratada e recebeu a designação de terapia inovadora (breakthrough designation) pela agência americana Food and Drug Administration (FDA) para pacientes que progrediram após um ou mais inibidores do ALK, o que significa que os estudos subsequentes são considerados prioritários.

ARCHER 1050

Neste estudo de fase 3 sobre tratamento de primeira linha, pacientes com CPNPC avançado portadores de mutação ativadora do EGFR foram randomizados entre dacometinibe e gefitinibe. Pacientes com metástase no sistema nervoso central foram excluídos. Dacometinibe representa inibidor de EGFR de segunda geração, irreversível e com potencial de inibição de HER1, 2 e 4. Vale enfatizar que aproximadamente 75% dos pacientes eram asiáticos. Pacientes no grupo dacometinibe apresentaram sobrevida livre de progressão mediana de 14,7 meses versus 9,2 meses no grupo gefitinibe. As taxas de respostas são semelhantes, aproximadamente 70%, mas as respostas são maiores e mais duradouras com dacometinibe (14,8 meses versus 8,3 meses), justificadas pela sua maior potência. Este benefício traduziu-se em maior toxicidade cutânea e gastrintestinal. Em contrapartida, apresentou menor taxa de elevação de transaminases quando comparados com gefitinibe. Taxa de suspensão do tratamento foi de 10% para dacometinibe e de 7% com gefitinibe. É importante ressaltar a taxa de redução de dose de 66% nos pacientes que receberam dacometinibe. Sendo assim, dacometinibe apresentou-se superior ao gefitinibe às custas de maior toxicidade. Principalmente para a população asiática, representa nova opção para tratamento de primeira linha.

ALEX

Alectinibe e crizotinibe foram testados em primeira linha para pacientes portadores de CPNPC avançado com rearranjo do ALK. O estudo já foi publicado no The New England Journal of Medicine*. Alectinibe demonstrou ser superior ao crizotinibe e menos tóxico, com potente ação no sistema nervoso central, e tornou-se droga de escolha em primeira linha neste grupo de pacientes. Outros inibidores de ALK também estão sendo testados em primeira linha.

*Acessível pela Biblioteca da SBOC

Mais novidades da ASCO 2017

O Congresso da American Society of Clinical Oncology (ASCO 2017) aconteceu de 2 a 6 de junho, em Chicago (EUA). Acompanhe as novidades aqui no site da SBOC.

A Dra. Aline Lauda Freitas Chaves, oncologista do Hospital São João de Deus e professora da Universidade Federal de São João del Rey, em Minas Gerais, conta que o Congresso da American Society of Clinical Oncology (ASCO 2017) trouxe novidades, tratamentos promissores e respostas a dilemas antigos dos oncologistas que tratam pacientes com câncer de cabeça e pescoço.

Na sessão oral, o estudo fase III sobre o uso de cisplatina (semanal ou a cada 21 dias) concomitante a radioterapia foi, segundo ela, um dos mais comentados. A conclusão é que a dose semanal é menos eficaz do que a dose a cada 21 dias. O ensaio recebeu algumas críticas, por utilizar dose de 30 mg/m2 por semana, e não 40 mg/m2, como é preconizado, e também pelo fato de incluir pacientes em tratamento adjuvante pós-operatório associado a radioterapia e pacientes com tumores localmente avançados com cisplatina concomitante a radioterapia como tratamento definitivo.

Alguns estudos fase III negativos chamaram ainda a atenção, de acordo com a especialista. O uso de afatinibe adjuvante após quimio e radioterapia em pacientes com tumores irressecáveis não demonstrou ganho em sobrevida livre de doença comparado a placebo. Em outro estudo, a inclusão de bevacizumabe a uma associação de quimioterapia com platina para tumores recidivados ou metastáticos não demonstrou ganho na sobrevida global (end point primário do estudo), apesar de ter demonstrado ganho em sobrevida livre de progressão e taxa de resposta. Por fim, um estudo muito interessante, também fase III, analisou a inclusão ou não de quimioterapia adjuvante para pacientes com câncer de nasofaringe – em remissão completa após quimio e radioterapia concomitantes – que apresentavam DNA do vírus Epstein Bar detectável no plasma. O uso de quimioterapia adjuvante com cisplatina e gemcitabina não melhorou a sobrevida global e nem a sobrevida livre de recidiva (end point primário do estudo) comparado ao seguimento clínico exclusivo.

Sobre novas drogas, a oncologista destaca um estudo fase I/II sobre a associação de pembrolizumabe à nova droga epacadostat, um potente inibidor seletivo da IDO1 (indoleamine 2,3-dioxygenase 1), enzima que induz imunotolerância por meio da supressão de células T. A superexpressão de IPO 1 prediz pior prognóstico em tumores de cabeça e pescoço. Os resultados deste estudo, segundo ela, são preliminares, mas promissores.

Política pública contra o HPV

Um estudo transversal com impacto imediato nas políticas públicas foi a avaliação de infecção oral pelo vírus do HPV após vacinação de adultos jovens, ressaltou a especialista. Em indivíduos que reportaram tomar pelo menos uma dose da vacina contra o HPV (subtipos 16/18/6/11), a prevalência de infecção oral pelo vírus do HPV foi significativamente reduzida em comparação aos não vacinados (0,11% versus 1,61%; p=0.008), correspondendo a uma redução de 88% na prevalência da infecção. Notadamente, a prevalência de infecção pelos subtipos de HPV 16/18/6/11 em homens vacinados em comparação a não vacinados foi significativamente menor (0,0% versus 2,13%; p=0.007). Conclui-se que a vacinação reduz substancialmente a prevalência de infecção oral pelo HPV entre adultos jovens. Reforça, ainda, a necessidade de maior adesão à vacina pelos adultos jovens para que seja realmente efetiva em nível populacional.

Mais novidades da ASCO 2017

O Congresso da American Society of Clinical Oncology (ASCO 2017) aconteceu de 2 a 6 de junho, em Chicago (EUA). Acompanhe as novidades aqui no site da SBOC.

Estudo – Ethan M. Basch, Overall survival results of a randomized trial assessing patient-reported outcomes for symptom monitoring during routine cancer treatment. No = LBA2

Basch e cols conduziram um estudo de fase 3 que randomizou 766 pacientes com tumores sólidos (incluindo câncer de mama, pulmão, tumores genitourinários e ginecológicos), que estavam iniciando o tratamento para doença metastática, com dois tipos de monitorização de sintomas: um grupo de cuidados clínicos usual versus um grupo cujos sintomas seriam reportados remotamente pelos pacientes através de uma plataforma digital, que poderia ser acessada por tablets ou computadores. A participação no programa foi continua até a interrupção do tratamento, retirada do consentimento, internação em hospice ou morte. O desfecho primário do estudo foi qualidade de vida, medida pelo questionário EQ-5D, que já havia sido reportado. Após uma mediana de 7 anos de seguimento, os dados de sobrevida global foram analisados e apresentados. As características clínicas foram bem balanceadas entre os 2 grupos. A idade mediana foi de 61 anos. Comparado ao grupo de cuidados padrão, os pacientes no grupo de monitorização eletrônica apresentaram um aumento estatisticamente significativo da SG o grupo controle (31.2 vs. 26,0 meses; p = 0,03). Isso se traduziu em um benefício de sobrevivência absoluta de 5 anos de 8%. A diferença manteve-se significativa na análise multivariada (HR 0,832, IC 95% [0,696, 0,995]).

*Artigo publicado – Basch EM e cols. JAMA. 2017 Jun 4. PMID: 28586821

Comentário: Talvez esse tenha sido o estudo que mais chamou atenção na ASCO 2017, comprovando que a incoporação de ferramentas que permitam ao paciente acesso fácil, rápido e eficaz ao serviço de saúde tem importância significativa no desfecho clínico.

Romualdo Barroso-Sousa, MD, PhD.
Oncologista clínico. Clinical Fellow da divisão de Câncer de Mama do Dana-Farber Cancer Institute/Harvard Medical School, Boston, EUA. Editor do SBOC Review.

Abstract 1 – H. Tawbi. Efficacy and safety of nivolumab (NIVO) plus ipilimumab (IPI) in patients with melanoma (MEL) metastatic to the brain: Results of the phase II study CheckMate 204. Abstract #9500.

No estudo CheckMate 204, pacientes com melanoma avançado e envolvimento do sistema nervoso central (SNC) assintomáticos e sem uso de esteroides foram tratados com a combinação de Nivolumabe 1mg/kg e Ipilimumabe 3mg/kg a cada 3 semanas por 4 doses (indução), e então Nivolumabe 3mg/kg a cada 2 semanas (manutenção). Dentre 109 pacientes arrolados no estudo, 75 foram incluídos na análise apresentada. Observou-se taxa de resposta intracraniana de 55% (incluindo 21% de respostas completas) e taxa de resposta global (incluindo lesões extracranianas) de 53%. A mediana de sobrevida livre de progressão (SLP) não foi atingida. Após seguimento mínimo de 6 meses, 93% dos respondedores se mantém em resposta. A incidência de eventos adversos graus 3-4 foi de 52%, sem diferenças no perfil de segurança em relação ao antecipado.

Comentário: Em conjunto, esses resultados reforçam o conceito de que bloqueadores de correceptores imunes administrados sistemicamente podem resultar em elevada eficácia em pacientes com metástases intracranianas.

Abstract 2 – M.A. Davies. COMBI-MB: A phase II study of combination dabrafenib (D) and trametinibe (T) in patients (pts) with BRAF V600 mutant (mut) melanoma brain metastases (MBM).

Foram apresentados os dados desse estudo de fase II de braço único no qual pacientes com melanoma avançado e metástases no SNC receberam a combinação de Dabrafenibe e Trametinibe em 4 diferentes coortes, definidas em função do tipo de mutação V600, presença ou ausência de sintomas e uso de terapia direcionada ao sistema nervoso central prévia. Nas diferentes coortes, as taxas de resposta intracraniana variaram de 44% a 59%, com taxas de controle de doença intracraniana de 75% a 88%. Todavia, a mediana de duração de resposta intracraniana foi de 4,5 a 8,3 meses, aparentemente inferior àquelas observadas nos estudos randomizados de inibidores do BRAF e MEK em pacientes, em sua maioria, sem envolvimento do SNC. O perfil de segurança foi condizente com aquilo previamente reportado na literatura.

Comentário: Trata-se do primeiro estudo prospectivo a avaliar a eficácia da combinação de inibidores do BRAF e MEK em pacientes com melanoma metastático e envolvimento do sistema nervoso central, confirmando a possibilidade de elevadas taxas de resposta com o uso desses agentes, ainda que, talvez, de menor duração.

Abstract 3 – A. A. Tarhini. A phase III randomized study of adjuvant ipilimumab (3 or 10 mg/kg) versus high-dose interferon alfa-2b for resected high-risk melanoma (U.S. Intergroup E1609): Preliminary safety and efficacy of the ipilimumab arms. Abstract #9500.

No estudo E1609, pacientes (n=1670) com melanoma ressecado de alto risco (estádios IIIB, IIIC, IV-M1a ou IV-M1b) foram randomizados entre 3 braços de tratamento adjuvante: Ipilimumabe 10mg/kg (IPI-HD), Ipilimumabe 3mg/kg (IPI-LD) ou Interferon-alfa em doses altas (IFN-HD). O estudo contou com sobrevida livre de recidiva e sobrevida global (SG) como desfechos co-primários, para a comparação de IPI-LD vs IFN-HD e IPI-HD vs IFN-HD. A análise preliminar não-planejada de eficácia apresentada ocorreu após uma mediana de seguimento de apenas 3,1 anos; a proporção de pacientes livres de progressão em 3 anos foi de 54% dentre aqueles tratados com IPI-HD e 56% com IPl-LD, sem diferença estatisticamente significativa; não foram apresentados dados do braço de tratamento com IFN-HD. Apenas 38,1% e 21,5% dos pacientes tratados com IPI-LD e IPI-HD completaram o tratamento conforme planejado, respectivamente, e 55,5% dos que receberam IPI-HD interromperam o tratamento devido a toxicidades. A incidência de eventos adversos graus 3-4 foi de 56,5% dentre aqueles randomizados para IPI-HD, com 8 óbitos (1,6%) nesse grupo.

Comentário: Apesar de trazer dados imaturos, o estudo reforça a elevada toxicidade associada ao IPI-HD. Convém salientar que a comparação entre IPI-HD e IPI-LD se trata de uma análise exploratória, e que o desenho estatístico original do estudo contemplava uma comparação hierárquica sequencial de IPI-LD vs IFN-HD seguida, se positiva, da comparação de IPI-HD vs IFN-HD. Um maior tempo de seguimento será necessário para definir o papel desse estudo no tratamento adjuvante do melanoma.

Abstract 4 – C. Robert. Long-term outcomes in patients with ipilimumab-naïve advanced melanoma in the phase 3 KEYNOTE-006 study who completed pembrolizumab treatment. Abstract #9504.

Foram apresentados os dados atualizados do estudo KEYNOTE-006, no qual pacientes com melanoma avançado foram randomizados para Pembrolizumabe 10mg/kg a cada 2 semanas ou a cada 3 semanas ou Ipilimumabe 3mg/kg a cada 3 semanas por 4 doses. Após mediana de seguimento de 33,9 meses, confirmou-se a superioridade do pembrolizumabe em comparação ao ipilimumabe, sem diferenças significativas entre as duas posologias do agente anti-PD1. O uso de Pembrolizumabe resultou em ganho significativo na mediana de SG (32,3m versus 15,9 meses; HR 0,70) e mediana de SLP (8,3 versus 3,3 meses; HR 0,56), além de taxa de resposta objetiva de 42% (incluindo 13% de repostas completas). Além disso, foram reportados os resultados referentes aos 104 pacientes (19% de todos os que receberam Pembrolizumabe) que descontinuaram o tratamento após 24 meses, conforme previsto no protocolo. Nesse grupo, as proporções de pacientes com reposta completa, resposta parcial ou doença estável no momento da descontinuação foram 23%, 65% e 12%, respectivamente. Após mediana de descontinuação de tratamento de 9,7 meses, a maior parte dos pacientes se manteve com doença controlada, com 91% deles sem progressão de até o momento da análise.

Comentário: Ainda que a superioridade do Pembrolizumabe sobre o Ipilimumabe tenha sido previamente demonstrada, o estudo traz mais evidências que apontam a possibilidade de controle prolongado de doença mesmo após descontinuação do tratamento, ressaltando a importância de se investigar a melhor duração de uso de agentes anti-PD1.

Abstract 5 – J. A. Wargo. Association of the diversity and composition of the gut microbiome with responses and survival in metastatic melanoma patients in anti-PD1 therapy. Abstract #3008.

Nessa análise de pacientes com melanoma avançado tratados com agentes anti-PD1, demonstrou-se que a microbiota intestinal (porém não a microbiota oral) difere em diversidade e composição entre aqueles com resposta ao tratamento (com predomínio do grupo Clostridiales), e aqueles não-respondedores (com predomínio do grupo Bacterioidales), além de se correlacionar com maior SLP.

Comentário: Ainda que sua aplicabilidade clínica seja limitada nesse momento, tais achados ressaltam a complexidade para identificação de biomarcadores associados à eficácia dos bloqueadores de correceptores imunes, além de fornecer embasamento para a elaboração de estudos que busquem ampliar os benefícios dessa forma de terapia através da manipulação do microbioma do trato digestivo.

Rodrigo Munhoz, MD
Médico Oncologista especialista em Sarcomas/Tumores Cutâneos do Centro de Oncologia-Hospital Sírio Libanês e Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, FM USP.

Abstract 1: Mark E. Robson. OlympiAD: Phase III trial of olaparib monotherapy versus chemotherapy for patients with HER-2-negative metastatic breast cancer and germline BRCA mutation. N°LBA4.

Estudo fase III, randomizado, que comparou olaparibe versus quimioterapia de escolha do investigador (capecitabina, eribulina ou vinorelbine) em 302 pacientes com câncer de mama metastático, HER-2 negativo, com mutação germiativa de BRCA1/2, que haviam recebido no máximo 2 linhas de tratamento para doença metastática. A população do estudo foi 50% de pacientes triplo negativa e 50% de pacientes luminais. Mais de 70% já havia recebido algum tratamento prévio em cenário metastático. O desfecho primário do estudo foi atingido, com incremento na SLP de 4,2m para 7,0m a favor do olaparibe (HR 0,58; p < 0,05). Entre os desfechos secundários destaca-se o aumento na taxa de resposta (60% v 29%) e aumento do tempo para segunda progressão (13,2m v 9,3m). As toxicidades graves foram menos comuns no braço olaparaibe, sendo as mais comuns anemia e náuseas.

*Artigo publicado – Robson M et al. N Engl J Med. 2017 Jun 4. PMID: 28578601

Comentários: Entre os méritos do estudo destaca-se o fato de ser o primeiro estudo fase III desta classe de medicamento em câncer de mama e por demonstrar a possibilidade de customizarmos o tratamento não apenas baseado em mutações tumorais, mas também em fatores hereditários que desencadeiam o surgimento da doença.

Abstract 2: George W Sledge. MONARCH 2: Abemaciclib in combination with Fulvestrant in patients with HR+/HER-2- advanced breast cancer who progressed on endocrine therapy. N°1000.

O estudo MONARCH 2 introduz um novo inibidor de ciclina, o abemaciclibe, no grupo de moléculas possuidoras de estudos fases III com desfecho positivo. Neste estudo, pacientes com câncer de mama metastático, doença luminal, com progressão previa a uma linha de tratamento hormonal, sem exposição previa a quimioterapia foram randomiazadas 2:1 para abemaciclibe + fulvestranto, versus fulvestranto + Placebo. Com um total de 669 pacientes randomizadas, o desfecho primário (SLP) foi atingido. A maior parte da população já havia recebido um IA previamente (70%) e já preenchia critérios para menopausa (80%). O incremento de SLP mediano foi de 7 meses (16,4m versus 9,3m), com HR 0,55 (p < 0,05). A análise de subgrupo parece favorecer o braço de abemaciclibe em todos os subgrupos estudados. Entre os desfechos secundários destaca-se o aumento da taxa de resposta de 16% para 35% a favor do braço de abemaciclibe, sobretudo nas pacientes com lesões mensuráveis (21% v 48%). Houve incremento nas toxicidades e taxa de descontinuação de tratamento, sobretudo as custas de diarreia e neutropenia.


*Artigo publicado – Sledge GW Jr et al. J Clin Oncol. 2017 Jun 3. PMID: 28580882.

Comentário: Este e mais um estudo para reforçar a importância da inibição das ciclinas na doença luminal metastática. A aprovação destas drogas em nosso pais, bem como a importância das mesmas no cenário adjuvante são ansiosamente aguardadas.

Abstract 3: Richard S. Finn. Overall survival results from the randomized phase II study of palbociclib in combination with letrozole vs letrozole alone for frontline treatment of ER+/HER- advanced breast cancer (PALOMA1; TRIO-18). N°1001.

O estudo PALOMA 1 trata-se de estudo de fase II, open label, que randomizou pacientes com câncer de mama metastático, doença luminal em primeira linha, para letrozol versus letrozol + palbociclibe. Na atualização de seguimento apresentado na ASCO deste ano, tivemos acesso aos dados maduros de sobrevida global. Cabe ressaltar que SG foi desfecho secundário deste estudo e que o mesmo não fora desenhado com n significativo para demonstrar superioridade de SG. Com seguimento mediano superior a 60 meses o estudo não demonstrou ganho estatisticamente significante de SG a favor do braço palbociclibe. A sobrevida global mediana foi de 37,5m no braço palbo/letrozol e 34,5m no braço letrozol monodroga. Incremento no tempo de duração de resposta e atraso no tempo para início de quimioterapia favorecem o braço palbo/letrozol. O uso de palbociclibe em linhas subsequentes no braço letrozol monodroga foi de apenas 3%.

Comentário: A despeito da ausência de ganho em SG deste estudo (fase II e sem poder para tal) a boa qualidade de vida, longa duração de resposta e atraso no início de quimioterapia são bons motivos para se considerar padrão o uso de inibidores de ciclina em alguma fase do tratamento metastático da doença luminal. Os dados de SG dos estudos PALOMA II e MONALEESA-2 trarão informações muito preciosas a esta discussão.

Abstract 4: Edith A. Perez. Phase III, randomized study of first-line trastuzumab emtansine (T-DM1) +/- petuzumab vs trastuzumab + taxane treatment of HER-2-positive MBC: final overall survival and safety from MARIANNE. N°1003.

Neste estudo, mais de 1000 pacientes HER-2 hiperexpressas metastáticas, em primeira linha de tratamento, foram randomizadas para três braços: TH (taxano com trastuzumabe), T-DM1 + pertuzumabe ou T-DM1 monodroga. O estudo alcançou um de seus desfechos primários demonstrando a não inferioridade, em termos de SG, para os braços contendo T-DM1 versus o braço de controle (TH). No entanto, não foi capaz de demonstrar a superioridade de T-DM1 ou T-DM1/pertuzumabe sobre o braço padrão – TH. Com seguimento mediano de 35 meses a SG mediana foi de 50,9m, 53,7m e 51,8m para os braços TH, T-DM1 e T-DM1/pertuzumabe respectivamente. O perfil de toxicidade do T-DM1 manteve-se favorável.

Comentário: Apesar do perfil favorável de toxicidades do T-DM1 e de um incremento na duração de resposta versus TH, a sequência de tratamento da doença HER-2 hiperexpressa, sobretudo para pacientes em bom estado geral, segue sendo taxano com duplo bloqueio HER-2 (trastuzumabe/pertuzumabe), seguido de T-DM1 na progressão.

Abstract 5: Sylvia Adams. Phase 2 study of pembrolizumab monotherapy for previously treated metastatic triple-negative breast cancer. KEYNOTE086 cohort A. N°1008.

No estudo KEYNOTE 086 cohort A, estudo fase II de braço único, pacientes com carcinoma triplo negativo, com ao menos uma linha de tratamento prévio, foram expostos a pembrolizumabe em dose fixa de 200 mg a cada 3 semanas . Não houve seleção por PD-L1, podendo pacientes sem expressão deste marcador serem incluídos. Com 170 pacientes tratadas (60% PD-L1+ e 43% com 3 ou mais linhas previas) demonstrou-se taxa de resposta de 5%. Não houve diferença de resposta de acordo com expressão de PD-L1 (positiva/negativa corte de 1%). Nenhum dos 8 pacientes que atingiram resposta haviam progredido até o momento da apresentação dos dados.

Comentário: Apesar da baixa taxa de resposta, chama a atenção a resposta prolongada alcançada pela pequena parcela dos pacientes respondedores. Melhores critérios de seleção, que aumentem as chances de resposta, serão fundamentais para o desenvolvimento da imunoterapia nas pacientes com câncer de mama triplo-negativo.

Carlos Henrique dos Anjos, MD.
Oncologista clínico do Hospital Sírio-Libanês – Unidade Brasília.

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