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Comunicação SBOC

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Inscrições abertas para vaga de residência médica em Oncologia Clínica na Santa Casa de São José do Rio Preto (SP) até 20 de dezembro pelo site www.zambini.org.br.

A Portaria nº 57 do Ministério da Saúde, publicada hoje (6) no Diário Oficial da União, incorpora o pertuzumabe no tratamento em primeira linha de pacientes com câncer de mama HER2-positivo metastático no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) havia apresentado, em março, parecer técnico favorável à incorporação, englobando revisão sistemática da literatura, avaliação de custo-efetividade e análise de impacto orçamentário. A apresentação foi feita à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), em Brasília. A utilização do medicamento pode acrescentar mais 15,7 meses de vida para as pacientes, conforme os estudos (veja infográfico abaixo).

Outro medicamento proposto pela SBOC na mesma ocasião foi o trastuzumabe, cuja decisão de incorporação ao sistema público de saúde foi publicada em 3 de agosto. Cada uma das medidas tem 180 dias para entrar em vigor. Assim, o trastuzumabe será oferecido a partir de fevereiro de 2018 e o pertuzumabe em junho. “Essa incorporação amplia o alcance da decisão do governo de incorporar o trastuzumabe, pois a associação com o pertuzumabe mais quimioterapia é o tratamento adequado para as pacientes com câncer de mama HER2-positivo”, diz o Dr. Sergio Simon, presidente da SBOC.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou em 2013 o uso do pertuzumabe em combinação com trastuzumabe e docetaxel para pacientes com câncer de mama HER-2 positivo metastático ou localmente recorrente não ressecável, que não tenham recebido tratamento prévio com medicamentos anti-HER-2 ou quimioterapia para doença metastática. A aprovação foi baseada em estudo publicado um ano antes no New England Journal of Medicine.

De acordo com a Conitec, o pertuzumabe está disponível em uma única apresentação, embalagem com um frasco-ampola contendo 14 mL de solução (420 mg/14 mL). Para sua administração, o fabricante recomenda uma dose de ataque de 840 mg em infusão intravenosa durante 60 minutos, com repetição a cada 3 semanas, com uma dose de 420 mg de manutenção, administrada por um período de 30 a 60 minutos.

“Ficamos muito satisfeitos por apoiar o Ministério da Saúde com decisões técnicas, científicas e de custo-efetividade. Entendemos que esse é o nosso papel enquanto sociedade de especialidade”, afirma o Dr. Sergio Simon. “Um dos objetivos da nossa diretoria é estabelecer um plano de saúde mínimo para os pacientes oncológicos. A gestão anterior inclusive já apresentou propostas para câncer de rim e melanoma, em que não existe nenhum medicamento adequado sendo oferecido”, completa. “Trabalharemos para que essas pessoas sejam contempladas com o tratamento adequado, a exemplo do que ocorrerá agora em relação às pacientes com câncer de mama HER-2 positivo metastático.”

infografico trastuzumabe pertuzumabe2

O programa de especialização em tumores neuroendócrinos (TNE) da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) é inédito e voltado a jovens oncologistas. Será selecionado um candidato para participar durante um ano do programa, com carga horária de 20 horas semanais. Nesse período, o participante terá treinamento em manejo de pacientes, acompanhando os atendimentos no ambulatório no AC Camargo Cancer Center, sob supervisão da Dra. Rachel Riechelmann, chefe do Departamento de Oncologia Clínica da instituição. Haverá também tempo reservado para pesquisa e produção científica na área.

Inscrições até 13 de janeiro. Participe!

Edital do programa 

Formulário de inscrição 

Cronograma TNE

O programa de especialização em tumores neuroendócrinos (TNE) da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) é inédito e voltado a jovens oncologistas. Os interessados podem inscrever-se até 13 de janeiro. Será selecionado um candidato para participar durante um ano do programa, com carga horária de 20 horas semanais. Nesse período, o participante terá treinamento em manejo de pacientes, acompanhando os atendimentos no ambulatório no AC Camargo Cancer Center, sob supervisão da Dra. Rachel Riechelmann, chefe do Departamento de Oncologia Clínica da instituição. Haverá também tempo reservado para pesquisa e produção científica na área.

A SBOC oferecerá uma bolsa mensal de R$ 4,1 mil. Se o selecionado não morar em São Paulo (SP), terá ainda uma ajuda de custo no total de R$ 4 mil pagos no início do programa. Para participar da seleção, o candidato deve ser oncologista clínico, membro adimplente da SBOC e proficiente em inglês. Outras informações sobre as inscrições estão disponíveis no edital do programa.

De acordo com a Dra. Rachel Riechelmann, o programa de especialização em tumores neuroendócrinos foi desenhado para jovens oncologistas que têm interesse nesse grupo complexo e heterogêneo de doenças. Dados americanos mostram que os TNE tiveram sua incidência aumentada em 6,5 vezes na última década. “Cada vez mais, os oncologistas terão pacientes com tumores neuroendócrinos no Brasil também. Ao mesmo tempo, essa área ainda não está sendo aprofundada nos programas de residência médica”, explica a supervisora.

Foco em pesquisa

No treinamento, o bolsista participará de tumor boards com cirurgiões, radiologistas, médicos nucleares e patologistas especialistas em TNE. Terá ainda aulas teóricas a respeito desse grupo de doenças e sobre metodologia científica. Ao final, deverá produzir um artigo científico como primeiro autor, a ser publicado na Brazilian Journal of Oncology, e mais um artigo, como primeiro autor ou coautor, de um projeto de pesquisa em tumores neuroendócrinos que já esteja acontecendo ou que ele desenvolva em parceria com um dos colegas na instituição. Esse último deverá ser publicado em um periódico indexado internacionalmente.

“O perfil do candidato que buscamos é alguém que goste de pesquisa, goste de estudar e que queira crescer profissionalmente na área de tumores neuroendócrinos e na área acadêmica, independentemente da região onde mora”, diz a Dra. Rachel, lembrando que as inscrições estão abertas a jovens oncologistas de todo o Brasil. “Temos a expectativa de que o participante depois esteja apto e motivado a disseminar esse conhecimento e essa experiência. A ideia é que seja uma árvore que dê frutos, que vão gerar sementes e novas árvores”, finaliza a supervisora.

 

Cronograma TNE

 

 

Levantamento da Global Lung Cancer Coalition (GLCC) mostra que 21% dos entrevistados de 25 países afirmam ter menos simpatia por indivíduos com câncer de pulmão do que em relação a pacientes com outras neoplasias. O estigma refere-se à associação da doença ao tabagismo. No Brasil, o percentual é acima da média mundial: 29%. Desde 2010, quando havia sido realizada a última pesquisa, houve crescimento de um ponto percentual. De acordo com os pesquisadores, o preconceito tem impacto muito negativo nas pessoas que vivem com câncer de pulmão e em seus familiares, além de gerar desinformação. Para Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia, parceiro do GLCC no Brasil, as pessoas que fumaram podem se sentir culpadas e demorar a falar com seu médico sobre possíveis sintomas. Ela lembra também que 15% a 20% dos pacientes com câncer de pulmão nunca fumaram.

A pesquisa aponta ainda que homens têm menos simpatia que as mulheres e que a faixa etária que mais julga negativamente esses pacientes vai de 35 a 44 anos. Foram ouvidas pelo menos mil pessoas em cada país entre julho e agosto deste ano. Segundo o Instituto Nacional de Câncer, os tumores malignos de pulmão são os que causam mais mortes no Brasil. Sua incidência é de 28,2 mil novos casos anualmente. “Precisamos nos aliar aos esforços globais para combater esse estigma, que é terrível”, afirma a Dra. Clarissa Mathias, secretária geral da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e representante da América Latina na diretoria da International Association for the Study of Lung Cancer (IASLC). “O fumante tem um vício provocado por uma adição no cérebro. A nicotina foi engendrada para isso. Precisamos não apontar dedos, mas dar as mãos”, ressalta.

Desinformação e diagnóstico tardio

Outro dado preocupante do levantamento da GLCC é que metade dos brasileiros sequer consegue citar um sintoma do câncer de pulmão. Globalmente, o índice é de 42%. Entre os brasileiros que conseguem nomear um sintoma, os mais citados são falta de ar (34%), tosse (30%) e dor torácica (16%). “A pesquisa mostra a importância de levar ao público informação adequada. Quanto mais precoce o diagnóstico, maior é a chance de um tratamento bem-sucedido”, afirma Luciana, do Oncoguia.

Os dados foram apresentados durante um fórum temático promovido pelo Instituto em São Paulo, no dia 27. A advogada Iane Cardim, de 48 anos, fumante desde os 18, veio da Bahia especialmente para contar sua história. Ela levou seis meses desde o aparecimento do primeiro sintoma – tosse persistente – até o diagnóstico de adenocarcinoma de pulmão. Nesse período, passou por sete médicos de consultórios diferentes, entre otorrinolaringologistas, pneumologistas e alergologistas, fez uma série de exames e só via seu estado de saúde se agravar até ser internada na UTI. Somente depois de uma primeira consulta no Núcleo de Oncologia da Bahia, Iane teve o diagnóstico de câncer e iniciou a quimioterapia em 20 dias.  

Hoje, quase dois anos após o início do tratamento, a advogada convive com a doença, fazendo aplicação de imunoterapia a cada 15 dias custeada pelo plano de saúde. “Quando me perguntam se sou ex-fumante, digo que deixei de fumar, mas ainda me considero uma fumante porque sonho com o cigarro. É um vício, tal qual o álcool para o alcoolista. Vivo um dia de cada vez sem ele”, explica.

 

Confira um resumo da pesquisa da GLCC no Brasil 

Acesse os dados do levantamento em 25 países  

Segundo pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) este ano, um em cada quatro brasileiros admite que poderia se proteger do sol, mas não o faz. O índice aumenta para um a cada três entre os mais jovens (18 a 29 anos). Além disso, 6% da população demonstra forte resistência à prevenção, afirmando que não adotaria o hábito. O câncer de pele é um dos mais conhecidos, sendo citado por 89% dos entrevistados. A sua causa direta também é identificada pela maioria: 83% dos brasileiros relacionam a exposição ao sol com o câncer. O grande problema é converter esse conhecimento em atitude. O Dr. Sérgio Jobim de Azevedo, vice-presidente de Organização, Planejamento e Administração da SBOC, explica a seguir qual o papel do oncologista neste desafio.

Qual a importância do Dia Nacional de Combate ao Câncer de Pele?

Nesta data (2/12) e durante todo o mês, o chamado Dezembro Laranja, é reforçada a divulgação de medidas preventivas para a população. A prevenção primária é evitar o sol das 10h às 16h e expor-se à radiação solar nos outros horários com proteção. A prevenção secundária envolve acesso frequente a dermatologistas para avaliação e detecção precoce de lesões malignas.

As recomendações de evitar a exposição ao sol têm sido cada vez mais específicas em relação às crianças, por exemplo?

O conceito permanece o mesmo. Reduzir ou limitar a exposição solar é a forma de prevenção mais adequada. Os anos críticos são na infância e as queimaduras pelo sol aumentam muito as chances de desenvolvimento de câncer de pele, mas os cuidados valem para todos. O sol é importante para a saúde, mas somente na medida certa.

O brasileiro tem se prevenido adequadamente?

Acredito que não. A incidência de câncer de pele é alta no país. Procuramos sempre trabalhar em parceria com os colegas dermatologistas em campanhas educativas. A prevenção secundária é mais complexa, porque depende da conscientização da população sobre a importância de procurar o médico regularmente e também do acesso a esses especialistas. Se não tem dermatologista, a prevenção secundária não acontece.

E quanto ao melanoma?

Além da exposição solar inadequada, são fatores de risco para melanoma o fenótipo (pele clara e olhos azuis) e o histórico familiar de pessoas com a doença. Pessoas com esse perfil devem estar atentas e consultar o dermatologista para avaliações periódicas.

O melanoma é uma doença agressiva?

Sim, mas quando identificado no início, se for de baixa profundidade, tem potencial de cura. Infelizmente, os atendimentos mais frequentes pelos oncologistas são de doença avançada. Quando um caso desse chega ao oncologista, já não é mais detecção precoce. O sistema já falhou.

Qual é o papel do oncologista na prevenção do câncer de pele?

Sair à comunidade e participar da rede de profissionais que se dedicam a divulgar as medidas de prevenção e a importância da detecção precoce, como fazemos no GBM [Grupo Brasileiro de Melanoma] por exemplo. Os malefícios do sol em horários inadequados e sem proteção deveriam ser ensinados na escola, como se faz com o tabagismo.

Durante o atendimento de um paciente com melanoma, o oncologista pode alertar sobre a importância de seus familiares serem avaliados?

Sim, fazemos isso e é claro que a orientação é benéfica para aquela família. Mas, em termos de sociedade, o impacto é limitado. É uma gota no oceano.

Os familiares de pacientes com melanoma devem passar por algum teste genético?

Ainda não existe essa indicação por não haver uma ação correspondente, isto é, uma medida a ser tomada ou uma medicação a ser prescrita, caso seja detectada uma mutação relacionada ao melanoma. O que vale é o acompanhamento periódico mesmo. Não existe nenhuma forma de rastreamento genético relacionada ao melanoma hoje. O rastreamento, ou seja, a prevenção secundária, é feita pelo exame repetitivo de toda a pele.

A aprovação do genérico acetato de abiraterona pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no dia 20, renovou as esperanças dos oncologistas clínicos quanto à incorporação do medicamento no Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento de pacientes com câncer de próstata. Pela legislação, a droga genérica deve custar, no mínimo, 35% menos que a de marca, o que aumenta suas chances de aprovação pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).

Pelos planos de saúde, no caso de câncer de próstata resistente à castração, a abiraterona está disponível desde 2014 para pacientes assintomáticos ou levemente sintomáticos previamente tratados com docetaxel e após falha à terapia de privação androgênica e, desde 2016, para os pacientes que progridem à hormonioterapia inicial e ainda não têm indicação para iniciar a quimioterapia. Na saúde pública, o medicamento não é oferecido sob nenhuma hipótese até hoje.

“Se aplicada inicialmente para todos os pacientes com câncer de próstata, a abiraterona pode aumentar significativamente a sobrevida livre de progressão e a sobrevida global”, destaca o Dr. Roberto Gil, vice-presidente de Assistência Médica e Defesa Profissional da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC). “Uma das formas de reduzir o custo do tratamento oncológico é aumentar a competição no mercado. Com a aprovação do genérico, amplia-se a possibilidade de utilização do medicamento, ainda mais no câncer de próstata, que é bem frequente, e da abiraterona, cuja indicação é de uso contínuo”, completa o oncologista.

Acesso e qualidade

De acordo com o Dr. Roberto Gil, a entrada de genéricos no mercado de medicamentos oncológicos é uma tendência mundial para tornar os tratamentos mais acessíveis. “São aprovações muito bem-vindas, que incentivam a inovação por parte da indústria e permitem maior custo-efetividade para os tratamentos já padronizados; devem surgir cada vez mais drogas genéricas para vários tipos de câncer”, avalia.

Contudo, o diretor da SBOC frisa que a diminuição de preços com a fabricação de genéricos não pode ser associada à queda na qualidade. “Não há qualquer justificativa para que as drogas não tenham a mesma eficácia, pois os custos subtraídos referem-se justamente ao lançamento do produto, que já foram absorvidos anteriormente pelo medicamento de marca, ou seja, não têm nada a ver com o processo de fabricação”, salienta.

O oncologista lembra o caso da bleomicina para tratamento de câncer de testículo e linfoma de Hodgkin. Foram constatados problemas de qualidade na fabricação do genérico e a produção teve de ser interrompida, gerando desabastecimento no mercado. “É um absurdo. Existe o medicamento, que permite um tratamento curativo para esses pacientes, mas não se encontra para comprar”, diz o Dr. Roberto Gil. “Cabe aos fabricantes e aos órgãos fiscalizadores a responsabilidade de cumprir a legislação no quesito qualidade para que situações como essa jamais se repitam”, alerta.

As novas diretrizes da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) para câncer de pulmão foram lançadas oficialmente em São Paulo, no dia 27, durante fórum temático do Instituto Oncoguia. A Dra. Clarissa Mathias, secretária-geral da SBOC, ressaltou que as recomendações de conduta são classificadas de acordo com a sua evidência científica. “O diferencial das diretrizes da SBOC é que foram escritas em português por especialistas renomados e são adaptadas à realidade brasileira, incluindo alternativas que podem ser adotadas conforme o contexto socioeconômico”, frisou a oncologista clínica durante o lançamento.

São três diretrizes ao todo. Câncer de pulmão pequenas células foi elaborada por Clarissa Baldotto (Americas Centro de Oncologia Integrado), Clarissa Mathias (NOB e Hospital Português), Eldsamira Mascarenhas (NOB e Hospital Português), Robson Ferrigno (Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo) e Tiago Kenji Takahashi (Icesp e HSL). Câncer de pulmão células não-pequenas: doença localizada e localmente avançada teve como autores Pedro Aguiar Jr., Bruno Filardi, Gustavo Girotto e Gilberto Lopes. Câncer de pulmão células não-pequenas: doença metastática  foi escrita por Tatiane Montella, Bruna Carvalho, Rafael Jacob e Carlos Gil Ferreira, todos do Grupo Neotórax/Oncologia D’Or.

Versões preliminares das diretrizes ficaram à disposição dos associados da SBOC para receber comentários, sugestões e pedidos de inclusão ou exclusão. “Definimos que essa seria a melhor forma para que as recomendações sejam representativas da oncologia clínica brasileira”, reforça a Dra. Clarissa Mathias. De acordo com a especialista, o objetivo principal das diretrizes é seu cunho educacional, no sentido de dar segurança aos oncologistas clínicos em suas condutas.

A Dra. Clarissa Mathias destaca também que as diretrizes são um posicionamento da SBOC sobre o tratamento a ser oferecido no Brasil aos pacientes com câncer de pulmão. A oncologista cita como exemplo o crizotinibe para pacientes ALK-positivos, recomendado em primeira linha. Embora o medicamento tenha sido aprovado nos Estados Unidos em 2011, somente em 2016 foi autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e será coberto, a partir de 2018, pelos planos de saúde. Não há perspectivas de quando possa ser oferecido no Sistema Único de Saúde. “É muito triste que seja assim. Vivemos uma era promissora no tratamento de pessoas com câncer de pulmão, mas as barreiras de acesso são enormes e absurdas”, critica.

Outras diretrizes da SBOC

Ovário e cabeça e pescoço são as novas diretrizes disponibilizadas pela SBOC. Os associados podem consultar essas versões preliminares no site e opinar sobre o seu conteúdo. Todas as críticas e sugestões serão avaliadas antes da publicação das versões finais.

Outras cinco diretrizes continuam abertas para receber as contribuições dos associados: adenocarcinoma de pâncreas, câncer de pênis, câncer de testículo, câncer de canal anal e hepatocarcinoma. As próximas a serem apresentadas devem ser tumores neuroendócrinos, sarcomas de partes moles e gliomas malignos.

Além disso, a SBOC publicou as versões finais de 2017 das seguintes diretrizes: adenocarcinoma colorretal, adenocarcinoma de estômago, bexiga, cabeça e pescoço metastático, carcinoma de mama, colo do útero, melanoma, próstata, pulmão células não-pequenas: doença localizada e localmente avançada, pulmão células não-pequenas: doença metastática, pulmão pequenas células e rim.

A distribuição dos oncologistas clínicos no Brasil é preocupante. Três quartos desses profissionais estão no Sudeste, enquanto as outras regiões brasileiras concentram 55% da população do país. A criação de programas de residência médica poderia ser um instrumento para equilibrar essa equação, mas não tem sido assim, conforme mostra estudo publicado este ano na Brazilian Journal of Oncology. Embora o total de vagas no país tenha passado de 75 em 2006 para 253 em 2014 – um aumento de 237% em oito anos – elas continuam concentradas no eixo São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A região Sudeste responde por 68,7% dos programas de treinamento em oncologia clínica. O Sul fica com 16,2%, enquanto o Nordeste (6%), o Norte (3,1%) e o Centro-Oeste (2,3%) têm as menores partes.

O Ministério da Educação, ao qual pertence a Comissão Nacional de Residência Médica, admite não ter nenhuma ingerência sobre a abertura de novas vagas em locais estratégicos. “A quantidade de programas de residência médica em todas as especialidades depende de pedido das instituições ofertantes das vagas. Não cabe ao MEC a decisão em aumentar um tipo de residência médica”, afirma a assessoria da pasta.

O Centro-Oeste é a região mais desabastecida de oncologistas clínicos, conforme o estudo. A proporção de novos casos de câncer por médico oncologista será de 576 em 2020, crescimento de 68,7% desde 2014. Lá havia apenas três vagas de residência em oncologia clínica em 2006 e agora são seis.

No restante do país, a proporção média será de 346. Não existe um consenso sobre o número ideal de pacientes com câncer para cada oncologista. Estudo publicado há três anos sobre o cenário da oncologia na Europa também em 2020 revela uma proporção bem menor que a brasileira em países como Áustria (77), Hungria (79), Suécia (108), Itália (114), Alemanha (146) e Portugal (175). Mas França e Reino Unido têm médias até maiores: 416 e 569, respectivamente.

Por outro lado, nos Estados Unidos, a falta de oncologistas é considerada um problema concreto. Dez anos atrás, um trabalho com base em dados da American Society of Clinical Oncology (ASCO) já projetava escassez de 3,8 mil oncologistas em 2020. A pesquisa considerou fatores como idade e tipo de vínculo com o sistema de saúde, que podem influenciar na produtividade do oncologista, assim como projeções de aposentadoria e menor carga de trabalho priorizada pelos especialistas mais jovens. Esses dados não foram avaliados nos estudos brasileiros e europeus.

Regionalização

O que os números absolutos muitas vezes não mostram são as desigualdades dentro das regiões e dos Estados. Segundo o Dr. João Soares Nunes, membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), a maioria das capitais está bem servida de oncologistas, mas há carência nas cidades médias e pequenas. Fixar médicos em locais afastados dos grandes centros é um problema comum a todas as especialidades. Acontece o mesmo com a criação de programas de residência. “A residência em oncologia necessita de estrutura de alta complexidade e de tecnologia que, muitas vezes, o interior não consegue suprir”, diz.

De acordo com o oncologista, a solução passaria por uma política nacional de atenção à oncologia focada na regionalização. “É preciso criar centros de referência em raios de 200 a 300 km. As doenças raras e os casos mais complexos continuariam sendo atendidos nos centros maiores, mas conseguiríamos dar acesso ao tratamento a muitos pacientes”, afirma o Dr. Nunes. “Também é importante diminuir a necessidade de viagens e deslocamentos para expor menos os pacientes, principalmente com a cronificação da doença”, alerta.

O pembrolizumabe (Keytruda®) foi aprovado, em 20 de novembro, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o tratamento de pacientes com carcinoma urotelial, cujo sítio de localização mais comum é a bexiga, localmente avançado ou metastático. A indicação é para a segunda linha, após falha da quimioterapia à base de platina. “A disponibilização desse imunoterápico preenche uma lacuna importante porque há 30 anos não se tinha uma terapia com eficácia tão boa a ser oferecida aos pacientes nessa situação”, destaca o Dr. Volney Soares Lima, diretor da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC).

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer, ocorrem no Brasil 9,6 mil casos de câncer de bexiga ao ano, sendo 74% em homens. O número de mortes em 2013 foi de 3,6 mil, também a maioria do sexo masculino (69%). Segundo o diretor da SBOC, em torno de 20% a 30% dos pacientes chegam ao estágio metastático da doença e estariam aptos a receber o pembrolizumabe na segunda linha. O estudo que serviu de base para a decisão da Anvisa é o Keynote 045 (fase 3), publicado em março no New England Journal of Medicine e atualizado no ESMO 2017.

A aprovação no Brasil foi rápida em comparação a outros medicamentos oncológicos. O Food and Drug Administration (FDA) havia aprovado o pembrolizumabe para essa indicação em maio e a European Medicines Agency (EMA) em setembro. Os oncologistas podem prescrever o medicamento desde agora, pois ele já estava sendo comercializado no país para tratamento de câncer de pulmão e melanoma. Por ser intravenoso, o imunoterápico está automaticamente coberto pelos planos de saúde. Contudo, para os pacientes do Sistema Único de Saúde, não há perspectivas de que seja disponibilizado em curto prazo. “Como médicos, devemos sempre explicar que existe a opção de tratamento”, ressalta o Dr. Volney.

Novidade também na primeira linha

No início de outubro, a Anvisa aprovou o atezolizumabe (Tecentriq®) como opção em primeira linha de tratamento para pacientes com carcinoma urotelial inelegíveis à cisplatina. O Dr. Volney explica que esses casos representam em torno de 40% do total e estão relacionados principalmente com o comprometimento da função renal. A indicação foi baseada em um estudo fase 2 publicado em janeiro no Lancet. Neste caso, será preciso aguardar a definição do preço do medicamento pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) antes que possa ser prescrito, o que deve levar alguns meses.

 

 

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