Ciência & Prática
Com recomendações inéditas para sarcomas e melanoma uveal, Diretrizes SBOC são atualizadas

A SBOC atualizou, em agosto, o seu Índice de Priorização de Medicamentos para Incorporação no SUS e Saúde Suplementar, documento criado para auxiliar na análise e incorporação de terapias oncológicas.

A atualização visa aprimorar a clareza e a aplicabilidade do Índice, após um semestre de utilização, reforçando sua função como ferramenta técnica para apoiar a tomada de decisões na saúde. As modificações, segundo a presidente da SBOC, Dra. Angélica Nogueira, refletem o compromisso da entidade com a transparência e a excelência técnica, buscando contribuir para um acesso mais equitativo e eficiente para pacientes com câncer no Brasil.

Os principais ajustes foram realizados com o objetivo de refinar o processo de avaliação dos medicamentos, tornando a metodologia ainda mais justa e alinhada às especificidades do cenário oncológico. “Retiramos a variável que considerava a carga global da doença, pois ela penalizava os tumores raros”, explica Dra. Angélica. “Além disso, essa variável não levava em conta que tratamentos genéticos podem dar características raras a tumores que são, na verdade, comuns, o que tornava a análise menos precisa”, completa.

Outra mudança significativa foi o ajuste no peso do parâmetro de custo-efetividade. Segundo o coordenador do documento, Dr. André Sasse, essa alteração foi necessária porque a saúde suplementar não possui parâmetros definidos, e o SUS apresenta situações específicas que precisam ser consideradas.

Por fim, o Índice agora oferece um detalhamento maior das possíveis ações da SBOC. “A nova versão deixa mais claro e previsível quais serão as nossas ações com base na pontuação de cada tecnologia analisada, garantindo mais transparência ao processo”, adiciona Dr. Sasse, que também é membro da Diretoria da SBOC.

O documento se baseia nestes critérios principais para priorizar os medicamentos: benefício clínico, observância à lista de medicamentos essenciais da Organização Mundial da Saúde (OMS), necessidade clínica não atendida, parâmetros de custo-efetividade e impacto orçamentário.

Além da Dra. Angélica Nogueira e do Dr. André Sasse, o Índice tem como autores a presidente de honra da SBOC, Dra. Anelisa Coutinho, o coordenador do Comitê de Políticas Públicas, Dr. Nelson Teich, o assessor jurídico, Tiago Farina Matos, e a diretora executiva da SBOC, Dra. Marisa Madi.

 

A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) concluiu, em maio, a atualização anual de suas Diretrizes. Estes documentos reúnem recomendações terapêuticas inteiramente baseadas em evidências clínicas, funcionando como guias de orientação de conduta que servem como referência aos especialistas no tratamento dos pacientes oncológicos.

Um dos principais diferenciais das Diretrizes SBOC é que o acesso é livre e gratuito a qualquer interessado. Isso faz, por exemplo, com que a página onde estão disponíveis seja a mais visitada no site da SBOC. Até a publicação desta edição da revista, as 42 novas Diretrizes já contavam com mais de 135 mil acessos.

“Com as Diretrizes, nós temos indicações claras e precisas que podem auxiliar um especialista que não tem tanta familiaridade com um tipo específico de tumor”, diz a presidente eleita da Sociedade, Dra. Clarissa Baldotto. “Ou mesmo um médico generalista, em uma pequena cidade, que se depara com um paciente oncológico. Elas servem como guias para muitos profissionais da saúde”, completa a oncologista clínica.

 

Relevância clínica e impacto econômico

As condutas apresentadas nas Diretrizes SBOC são classificadas de acordo com as evidências clínicas disponíveis na literatura. Além de estarem em português, elas se diferenciam por refletir a realidade brasileira, considerando a relevância clínica e o impacto econômico.

Antes da publicação final dos materiais, há a divulgação de uma versão preliminar, elaborada pelos membros dos Comitês Temáticos e de Especialidades da SBOC. Esses documentos são disponibilizados no site da entidade, e os associados têm um período para contribuir com sugestões amparadas em dados científicos.

Após esse processo, há uma análise dos autores para incorporar ou não as recomendações enviadas pelos colegas. Com essa decisão, é feita uma revisão e, depois, a publicação final do documento. Todos os associados que contribuem e têm sugestões aceitas têm seus nomes incluídos na seção de agradecimento das Diretrizes.

Em 2025, foram produzidas, de forma inédita, as Diretrizes de sarcomas de partes moles, de sarcomas gástricos (GIST), de sarcomas ósseos e de melanoma uveal.

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