Depois da nossa gestão, a filiação da SBOC junto à Associação Médica Brasileira foi concretizada. Passamos a ter uma representação institucional mais forte”, recorda.
Outro exemplo da força do coletivo naquele época ocorreu quando a SBOC articulou discussões que ajudaram a reverter uma medida governamental que poderia dificultar o tratamento oncológico no país, em uma portaria que alterava o valor dos medicamentos na época.
“Conseguimos sensibilizar o então ministro Dilson Funaro sobre os impactos daquela decisão. Isso fez com que toda a comunidade oncológica brasileira respirasse com mais facilidade”, lembra.
Ainda em sua gestão, a SBOC enfrentou desafios financeiros importantes. Mesmo com recursos limitados, o apoio coletivo permitiu a realização do V Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica. “Nós conseguimos mobilizar patrocinadores para apoiar o Congresso e trazer palestrantes internacionais. Foi mais uma demonstração da força do associativismo”, destaca.
Uma década depois, a entidade entrava em uma nova fase de estruturação. Presidente da SBOC de 1995 e 1997, Dr. Artur Katz lembra que, naquela época, a Sociedade não tinha sede própria. “Basicamente, quando havia mudança de Presidente, o que era entregue para a gestão seguinte era uma pasta com documentos. Era uma fase bastante artesanal”, conta. Segundo ele, um dos grandes desafios associativos da época era garantir sustentabilidade financeira para que a instituição pudesse crescer.
“Talvez ali tenham sido construídos os fundamentos que permitiram à Sociedade se estruturar até chegar ao que ela é hoje”, afirma.
Dr. Katz também destaca outros avanços importantes da época, como a participação da SBOC no Conselho do Instituto Nacional de Câncer (INCA), ampliando a representatividade da especialidade nos debates nacionais sobre saúde.
Os recursos eram extraordinariamente limitados. Estruturamos um sistema regular de apoio, o que permitiu criar um caixa mínimo para organizar um grande Congresso e deixar a Sociedade em uma condição mais sólida para as gestões seguintes”, relembra. Foi nesse período que a SBOC estabeleceu sua primeira sede física e iniciou uma fase de amadurecimento institucional.
O associativismo provoca mudanças na sociedade, inclusive mudanças legais, em temas como aprovação de novas drogas, medidas de saúde pública que beneficiem os pacientes oncológicos e nos dá representatividade junto ao Executivo. Isso é muito importante porque resulta em benefício real para os pacientes.”
Para ele, muitas das conquistas alcançadas pela oncologia brasileira só foram possíveis porque os profissionais atuaram de forma organizada e coletiva. Hoje, diante da velocidade dos avanços científicos e da crescente complexidade do sistema de saúde, essa união se mostra ainda mais indispensável.
Entre a consolidação histórica e os desafios do presente, o associativismo também se fortaleceu por meio da aproximação dos associados e da ampliação do alcance institucional da SBOC. Ex-presidente da entidade em 2024, Dra. Anelisa Coutinho, destaca que a força coletiva permitiu encurtar distâncias e criar novas conexões dentro e fora do país.
“Fortalecer o senso de pertencimento do associado foi uma das prioridades da nossa gestão. Com a iniciativa SBOC e Você, visitamos nove estados brasileiros para aproximar os colegas da Sociedade, apresentar nossos projetos e mostrar, na prática, os benefícios do associativismo”, relembra.
Para ele, muitas das conquistas alcançadas pela oncologia brasileira só foram possíveis porque os profissionais atuaram de forma organizada e coletiva. Hoje, diante da velocidade dos avanços científicos e da crescente complexidade do sistema de saúde, essa união se mostra ainda mais indispensável.
Entre a consolidação histórica e os desafios do presente, o associativismo também se fortaleceu por meio da aproximação dos associados e da ampliação do alcance institucional da SBOC. Ex-presidente da entidade em 2024, Dra. Anelisa Coutinho, destaca que a força coletiva permitiu encurtar distâncias e criar novas conexões dentro e fora do país.
Segundo ela, o movimento também ampliou a atuação da SBOC além das fronteiras nacionais. “Começamos a construir parcerias entre sociedades latino-americanas de oncologia, criando oportunidades de integração profissional, colaboração científica e desenvolvimento de projetos conjuntos voltados para educação, diretrizes, dados epidemiológicos e políticas públicas”, afirma.
A ex-presidente destaca ainda que o fortalecimento institucional da Sociedade permitiu ampliar o diálogo com órgãos públicos, entidades médicas e representantes do setor de saúde. “Questões como acesso responsável aos tratamentos, boas práticas assistenciais e defesa do paciente exigem construção coletiva. O associativismo é o que transforma necessidades comuns em ações concretas”, diz.
“Fortalecer o senso de pertencimento do associado foi uma das prioridades da nossa gestão. Com a iniciativa SBOC e Você, visitamos nove estados brasileiros para aproximar os colegas da Sociedade, apresentar nossos projetos e mostrar, na prática, os benefícios do associativismo”, relembra.
Entre os legados de sua gestão, Dra. Anelisa cita iniciativas como a implementação do Índice de Priorização para Incorporação de Medicamentos e a revisão dos mecanismos de compliance da entidade, reforçando o compromisso da SBOC com decisões técnicas, éticas e baseadas em evidências.
Para ela, o impacto do associativismo vai muito além da representação profissional. “Quando profissionais se unem em torno de um propósito comum, ampliam sua capacidade de gerar conhecimento, reduzir desigualdades e melhorar o cuidado oferecido aos pacientes.”
O associativismo médico é a principal ferramenta que temos para garantir não apenas a defesa e a valorização da nossa especialidade, mas também a excelência no cuidado ao paciente com câncer.”
A atual presidente da SBOC, Dra. Clarissa Baldotto, destaca que a força da oncologia brasileira está diretamente ligada ao engajamento de seus profissionais e à capacidade da entidade de representar as demandas da especialidade.
Segundo ela, caminhar sozinho é uma opção muito mais difícil em uma área que evolui tão rapidamente. “Estar associado à SBOC é ter uma voz coletiva que nos representa perante órgãos governamentais e na formulação de políticas públicas”, diz Além disso, é o que nos permite criar uma rede de apoio, fomentar a pesquisa e ditar os rumos da nossa prática diária de forma ética e baseada nas melhores evidências disponíveis.”
Dra. Angelina também ressalta a relevância de estar próxima de grandes nomes da oncologia, ampliando a visão dos residentes. “Observar trajetórias inspiradoras são importantes para identificar valores e competências que desejo incorporar à minha formação, ajudando a construir uma carreira pautada pela excelência”, complementa.
Ao ouvir diferentes gerações da oncologia brasileira, dos pioneiros que ajudaram a estruturar a SBOC aos jovens profissionais que hoje iniciam sua trajetória, fica evidente que a história da especialidade foi construída pela força do coletivo.
Foi o associativismo que permitiu consolidar a representação institucional da oncologia, fortalecer sua sustentabilidade financeira, ampliar sua influência nas políticas públicas e criar oportunidades de educação e desenvolvimento para milhares de médicos.
Fazer parte da Sociedade aproxima o residente das discussões mais atuais da oncologia, facilita o acesso a conteúdo científico e permite a conexão com colegas e especialistas de diferentes regiões do país”, avalia.
