
A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) participou do I Webinar de Oncologia Clínica do Conselho Federal de Medicina (CFM), contribuindo para as discussões sobre o cenário atual do câncer no Brasil, os desafios para o controle da doença nas próximas décadas e a necessidade de fortalecer a formação médica em oncologia.
Representando a entidade, a Presidente, Dra. Clarissa Baldotto, e a Presidente de Honrada, Dra. Angélica Nogueira, abordaram temas considerados estratégicos para o futuro da especialidade, desde os impactos das mudanças demográficas na incidência de câncer até a qualificação dos profissionais responsáveis pelo cuidado aos pacientes.
Dra. Clarissa apresentou reflexões sobre como aprimorar a assistência oncológica por meio da formação médica, da regulação profissional e da qualidade assistencial.
Ela defendeu o fortalecimento do ensino da oncologia desde a graduação, passando pela residência médica e pela educação continuada, apresentando dados de um levantamento realizado pela SBOC sobre o ensino da oncologia nas faculdades de medicina brasileiras.
O estudo identificou lacunas importantes na formação dos estudantes, mostrando que mais da metade das escolas avaliadas não contavam com ensino estruturado da especialidade, além de uma concentração da oferta de faculdades e residências nas regiões Sul e Sudeste.
“A incidência de câncer cresce continuamente e precisamos garantir que os futuros médicos estejam preparados para lidar com essa realidade”, destacou. A Presidente apresentou ainda iniciativas da SBOC voltadas à qualificação profissional, entre elas o Programa de Residência Médica em Oncologia Clínica (PROC), a plataforma educacional OncoAcademy, o recém-lançado credenciamento de ligas acadêmicas, entre outras.
Outro destaque foi o Teste de Progresso em Oncologia Clínica (TPOC), iniciativa criada para acompanhar o desenvolvimento dos residentes ao longo da formação e fornecer indicadores que auxiliem na avaliação e no aprimoramento dos programas de residência médica.
Já em sua apresentação, Dra. Angélica Nogueira destacou o panorama epidemiológico da doença no país. Segundo dados apresentados, o Brasil registra cerca de 704 mil novos casos de câncer por ano, enquanto a doença já é a segunda principal causa de morte na população brasileira, atrás apenas das doenças cardiovasculares.
A oncologista chamou a atenção para as projeções da Organização Mundial da Saúde (OMS), que apontam um aumento de aproximadamente 65% na incidência de câncer nas próximas duas décadas, impulsionado principalmente pelo envelhecimento populacional.
“Estamos diante de um desafio que a nossa geração herdou. O Brasil experimentou um crescimento populacional acelerado e um aumento expressivo da expectativa de vida”, introduziu. “O câncer é uma consequência natural desse processo de envelhecimento, e precisamos nos preparar para responder adequadamente a essa demanda crescente”, completou.
A Presidente de Honra da SBOC ressaltou ainda que cerca de 50% dos casos de câncer poderiam ser evitados por meio de estratégias eficazes de prevenção e detecção precoce. Para ela, os avanços observados em países como os Estados Unidos demonstram que é possível reduzir tanto a incidência quanto a mortalidade da doença quando há investimentos consistentes em rastreamento, diagnóstico precoce, prevenção primária e acesso a tratamentos adequados.
Dra. Angélica destacou, ainda, características particulares da epidemiologia brasileira. Segundo ela, o país convive simultaneamente com cânceres mais frequentes em nações de baixa renda, como os de colo do útero, cabeça e pescoço, canal anal e pênis, e com tumores que predominam em países de alta renda, como os de mama, próstata e pulmão.
Ao abordar perspectivas para o futuro, a especialista apontou o potencial da inteligência artificial em diferentes etapas da jornada do paciente, incluindo promoção da saúde, prevenção, detecção precoce, atenção especializada, cuidados paliativos, pesquisa, inovação e gestão dos sistemas de saúde.
Ao final do webinar, as representantes da SBOC reforçaram que enfrentar o avanço do câncer no Brasil exigirá uma combinação de estratégias, incluindo prevenção, incorporação responsável de tecnologias, melhoria da qualidade assistencial e investimentos permanentes na formação de especialistas.
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