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Elo decisivo: a importância da nutrição no cuidado oncológico

Por Georgia Silveira de Oliveira e Leticia Jesus da Silva

A nutrição oncológica é um componente fundamental no cuidado ao paciente com câncer. Longe de ser apenas um suporte secundário, o estado nutricional do indivíduo dita o ritmo da jornada terapêutica, influencia diretamente a tolerância aos medicamentos, a toxicidade terapêutica, a função imunológica, a velocidade da recuperação e, em última análise, as chances de sobrevida.

É amplamente reconhecido na literatura científica que a trajetória de quem enfrenta o câncer é longa e complexa. Apesar dos avanços tecnológicos, integrando desde a Inteligência Artificial até estratégias multimodais que combinam cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e imunoterapia, o comprometimento nutricional ainda representa uma grande questão. Sem um aporte adequado, mesmo os tratamentos mais modernos podem ter sua eficácia limitada.

Os desafios para manter ou recuperar o estado nutricional são inúmeros e exigem alto nível de conhecimento técnico e habilidade clínica para intervenções precisas. Por isso, a nutrição no cuidado oncológico é uma aliada importante, sustentada pelas principais publicações científicas da área.

O alerta para a sarcopenia e a toxicidade

Entre os pontos técnicos mais relevantes está a toxicidade relacionada aos tratamentos e à sarcopenia, condição frequentemente observada em pacientes oncológicos e associada a desfechos clínicos desfavoráveis. A perda de massa muscular pode comprometer significativamente a tolerância às terapias, aumentar complicações e reduzir a capacidade funcional do paciente.

Nesse contexto, a nutrição é essencial para reduzir a toxicidade dos tratamentos, melhorar a tolerância terapêutica, manter ou recuperar o peso e preservar a massa muscular.

O reconhecimento precoce do risco nutricional e a implementação de intervenções direcionadas — como adequação do aporte proteico, utilização de nutrientes com potencial modulador da inflamação e programas de reabilitação física — ajudam a prevenir e tratar a sarcopenia, melhorar os resultados clínicos e aumentar a capacidade do paciente de completar os regimes terapêuticos propostos.

Para que esses objetivos sejam alcançados, é necessária a atuação integrada de uma equipe multidisciplinar. Essa equipe deve incluir nutricionista clínico com experiência em oncologia, oncologista, psicólogo, fisioterapeuta, farmacêutico e enfermeiros, trabalhando de forma coordenada para oferecer um cuidado abrangente e centrado no paciente.

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