
Associada SBOC em Brasília (DF) Dra. Gabriele Scattolin comenta impacto de novas ferramentas de IA no rastreamento e diagnóstico do câncer
Matéria do Correio Braziliense destacou os avanços da inteligência artificial no apoio ao diagnóstico e rastreamento oncológico, apresentando estudos internacionais que demonstram o potencial da tecnologia para identificar tumores em estágios iniciais e ampliar a precisão das análises clínicas. A reportagem trouxe pesquisas relacionadas ao câncer de pâncreas e ao câncer de mama, evidenciando o uso de ferramentas de IA no desenvolvimento de estratégias mais precoces e individualizadas para detecção da doença.
Em entrevista ao veículo, o coordenador do Comitê de Tecnologia e Inovação da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, Dr. Felippe Lazar afirmou que algoritmos de inteligência artificial podem ser aliados no sistema público de saúde, onde há alta demanda. “A redução de diferenças de acesso ao diagnóstico levará, consequentemente, à redução de diferenças de acesso a tratamento”, disse.
O especialista alertou, porém, que é importante garantir segurança e equidade no cuidado do paciente após a implementação de ferramentas de IA. “Não adianta uma IA otimizar um processo dentro do ambiente oncológico se as suas taxas de erro não são suficientemente baixas ou se ela apresenta um viés de treinamento que prioriza um tipo específico de população em relação a outra. Por exemplo, em um algoritmo de IA que acerta 99% das vezes, mas o 1% das vezes que erra é sempre direcionado a um grupo específico de pessoas, apesar de uma alta taxa de acertos, o seu uso pode levar a uma acentuação da inequidade do cuidado. Por isso é fundamental a validação desses algoritmos em cenários controlados antes da sua implementação na rotina clínica”, adicionou.
Também participou da matéria a associada da SBOC em Brasília (DF) Dra. Gabrielle Scattolin comentou sobre o potencial da ferramenta MechanoAge na avaliação de risco para câncer de mama. De acordo com a especialista, a tecnologia pode contribuir para um rastreamento mais personalizado, especialmente em mulheres sem mutações genéticas conhecidas ou histórico familiar da doença. “Uma ferramenta celular como o MechanoAge poderia permitir rastreamento mais individualizado, reduzindo tanto exames desnecessários quanto subdiagnóstico”, afirmou.
Gabrielle também ressaltou a importância de validar ferramentas de inteligência artificial levando em consideração as especificidades da população brasileira. “Não basta importar o algoritmo. É essencial testá-lo na população daqui, incluindo diferentes ancestralidades, faixas etárias, regiões, perfis socioeconômicos e padrões de acesso à saúde. Um algoritmo treinado fora do Brasil pode errar se não representar nossa diversidade genética e ambiental”, explicou.
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