
Presidente da SBOC, Dra. Clarissa Baldotto, explica que resultados observados em laboratório representam etapas iniciais e não são suficientes para validar tratamentos em pacientes
Reportagem do Estadão abordou estudo publicado na revista científica JAMA Network Open que identificou aumento nas prescrições de ivermectina e medicamentos benzimidazólicos para tratamento de câncer nos Estados Unidos após declarações do ator Mel Gibson associando os medicamentos à cura da doença. A matéria destacou que, apesar de estudos laboratoriais e em animais apontarem potencial anticancerígeno dessas substâncias, não há comprovação científica de eficácia ou segurança em humanos.
A reportagem contou com a participação da Presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Dra. Clarissa Baldotto, que explicou que resultados observados em laboratório representam apenas etapas iniciais da pesquisa científica e não são suficientes para validar tratamentos em pacientes. “Muitas substâncias que parecem promissoras em laboratório não se confirmam em estudos clínicos. Apenas uma pequena parte das moléculas que entram em pesquisa pré-clínica, em laboratório e animais, chega a ser testada em humanos”, afirmou a especialista.
A oncologista clínica também comentou sobre o impacto da desinformação e do consumo de conteúdos sem respaldo científico nas redes sociais. Segundo Dra. Clarissa Baldotto, é cada vez mais frequente que pacientes procurem tratamentos alternativos com base em relatos e promessas divulgados na internet. “O paciente não deve ser tratado com julgamento, mas com acolhimento e informação qualificada. A melhor resposta à desinformação não é simplesmente dizer ‘não’, mas explicar por que determinada intervenção ainda não pode ser considerada um tratamento e quais são os potenciais riscos envolvidos”, destacou.
A matéria ainda reforçou os riscos relacionados ao atraso ou abandono de terapias oncológicas comprovadas cientificamente. Nesse contexto, Dra. Clarissa Baldotto alertou que “em oncologia, tempo e sequência de tratamento importam muito”, ressaltando que o uso de terapias sem eficácia comprovada pode comprometer diretamente o tratamento, a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes.
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