
Reportagem da Folha de S.Paulo destacou os resultados apresentados no Encontro Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) 2026 sobre o daraxonrasib, nova terapia oral voltada ao tratamento do câncer de pâncreas metastático com mutação KRAS. Segundo o estudo de fase 3, o medicamento reduziu em cerca de 60% o risco de morte em comparação à quimioterapia padrão e praticamente dobrou a sobrevida global dos pacientes, sendo apontado por especialistas como um dos avanços mais promissores para um dos tumores de maior letalidade da oncologia.
A matéria contou com a participação da Presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Dra. Clarissa Baldotto, que destacou o caráter inédito dos resultados apresentados. “Não havia registro de outro estudo com resultados tão consistentes e positivos nessa doença”, afirmou. A especialista ressaltou ainda que os dados representam uma mudança concreta no prognóstico de pacientes com câncer de pâncreas avançado e que o estudo de fase 3 abre caminho para futuras etapas de aprovação regulatória e eventual incorporação da terapia à prática clínica.
Ao explicar o mecanismo de ação do medicamento, Dra. Clarissa destacou que o daraxonrasib atua diretamente na proteína RAS, responsável pela transmissão de sinais que estimulam a proliferação celular. Segundo a Presidente da SBOC, o fármaco bloqueia um dos principais mecanismos que sustentam a progressão da doença, interferindo em uma via molecular considerada estratégica no desenvolvimento do câncer de pâncreas.
A porta-voz da SBOC também destacou que a proteína RAS é um dos principais alvos da oncologia moderna e que, durante décadas, foi considerada extremamente difícil de ser bloqueada por medicamentos. Segundo a especialista, o desenvolvimento de terapias direcionadas a essa via molecular representa a concretização de uma busca científica de longa data.
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