SBOC Review
Início » SBOC Review » Personalização da duração da quimioterapia neoadjuvante baseada em ressonância magnética no câncer de mama inicial HER2-positivo (TRAIN-3): Resultados primários de um estudo multicêntrico, de braço único, de fase II

Personalização da duração da quimioterapia neoadjuvante baseada em ressonância magnética no câncer de mama inicial HER2-positivo (TRAIN-3): Resultados primários de um estudo multicêntrico, de braço único, de fase II

Título em inglês:

MRI-based personalisation of neoadjuvant chemotherapy duration in HER2-positive early breast cancer (TRAIN-3): primary results from a multicentre, single-arm, phase 2 study

Título em português:

Personalização da duração da quimioterapia neoadjuvante baseada em ressonância magnética no câncer de mama inicial HER2-positivo (TRAIN-3): Resultados primários de um estudo multicêntrico, de braço único, de fase II

Citação:

Louis FM, van der Voort A, van Ramshorst MS, Daletzakis A, Mandjes IA, Kemper I, et al; Dutch Breast Cancer Research Group (BOOG). MRI-based personalisation of neoadjuvant chemotherapy duration in HER2-positive early breast cancer (TRAIN-3): primary results from a multicentre, single-arm, phase 2 study. Lancet Oncol. 2026 Mar;27(3):349-360. doi: 10.1016/S1470-2045(25)00707-7.

Resumo do artigo:

O TRAIN-3 foi um estudo de fase 2, braço único, multicêntrico, conduzido em 43 hospitais na Holanda e publicado no Lancet Oncology, que avaliou se a ressonância magnética (RM) mamária pode guiar, de forma segura, a redução do número de ciclos de quimioterapia neoadjuvante em pacientes com câncer de mama HER2-positivo estágios II e III. Esta é a segunda publicação trazendo dados deste estudo – agora, de sobrevida livre de eventos, o desfecho primário. A primeira publicação (van der Voort A et al. Lancet Oncol 2024) trouxe os dados iniciais de neoadjuvância, demonstrando que uma em três pacientes com tumores receptores hormonais negativos e uma em cada seis pacientes com receptores hormonais positivos tinham resposta patológica completa precoce após apenas três ciclos de quimioterapia neoadjuvante. Também demonstrou que uma resposta radiológica completa na RM predizia resposta patológica completa em 87% das pacientes com doença receptor hormonal-negativa, e em 53% das pacientes com doença receptor hormonal-positiva.

Foram elegíveis pacientes com pelo menos 18 anos, ECOG 0–1 e fração de ejeção ventricular esquerda ≥ 50%. O esquema neoadjuvante consistiu em ciclos de 21 dias com paclitaxel, carboplatina, trastuzumabe e pertuzumabe, por até nove ciclos. RM mamária era realizada a cada três ciclos para avaliação de resposta. A resposta radiológica completa foi definida como ausência de realce patológico por contraste na região tumoral original, e pacientes que a atingissem eram encaminhadas para cirurgia imediata. Após a cirurgia, pacientes com resposta patológica completa (RPC) seguiam com trastuzumabe e pertuzumabe adjuvantes por um ano. Aquelas com doença residual completavam nove ciclos de quimioterapia, seguidos de 14 ciclos de trastuzumabe entansina (T-DM1) – emenda incorporada durante o estudo, de modo que apenas 37% das pacientes com doença residual receberam T-DM1 adjuvante. Radioterapia adjuvante também foi indicada de acordo com a prática local.

Entre abril de 2019 e maio de 2021, 467 pacientes foram incluídas: 235 com receptores hormonais negativos e 232 com receptores hormonais positivos. A mediana de idade foi de 51 anos; 87% tinham tumores cT2–cT3; e 60% eram cN+. O seguimento mediano foi de 40,1 meses.

O desfecho primário, sobrevida livre de eventos (SLE) em 3 anos, foi de 92,2% (IC 95% 88,7–95,9) no grupo RH negativo e 92,0% (IC 95% 88,5–95,6) no grupo RH positivo. Pacientes com resposta radiológica completa após 1 a 3 ciclos tiveram SLE em 3 anos de 96,1% (IC 95% 91,8–100) no grupo RH negativo e 98,6% (IC 95% 95,8–100) no grupo RH positivo. Para 4 a 6 ciclos, as taxas foram de 89,2% e 94,2%; para 7 a 9 ciclos, de 90,6% e 85,4%, respectivamente. A sobrevida global em 3 anos foi de 97,8% (RH negativo) e 98,7% (RH positivo). RPC associou-se à melhor SLE em 3 anos: 94,8% versus 87,5% nos pacientes sem RPC (HR 0,40; IC 95% 0,21–0,75; p = 0,0040).

Os eventos adversos grau 3–4 mais comuns foram neutropenia (40%), anemia (18%), diarreia (13%) e trombocitopenia (10%), com incidência crescente conforme o número de ciclos. Neuropatia periférica grau ≥ 2 foi mais frequente no grupo de 7–9 ciclos (51%) do que nos grupos de 4–6 ciclos (35%) e 1–3 ciclos (13%). Não houve mortes relacionadas ao tratamento.

Os autores concluem que a otimização da duração da quimioterapia neoadjuvante guiada por RM está associada a desfechos favoráveis de SLE em 3 anos, com redução de toxicidade e preservação da qualidade de vida, especialmente no subgrupo de respondedoras precoces.

Avaliadora científica:

Dra. Maria Fernanda Biazotto Fernandes Machado

Oncologista clínica pelo Hospital de Amor de Barretos

Vice coordenadora da Oncologia Clínica do Hospital de Amor de Barretos

Título de Especialista em Oncologia Clínica pela SBOC/AMB

Instagram: @nandabiazotto / @oncoporelas

Cidade de atuação: Barretos/SP

Leia mais artigos

Buscar por
título do artigo
Editor
Dr. Ricardo Dahmer
Médico oncologista pelo Icesp. Saiba mais.
Conheça mais sobre o SBOC Review!
Assine nossa newsletter

Endereço
Avenida Paulista, 2073, Edifício Horsa II – Conjunto Nacional Conj. 1003, São Paulo/SP, 01311-300

Telefone
+55 (11) 3192-9284

2026 © Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC)