
O cenário da oncologia no Brasil para os próximos anos revela um desafio de saúde pública de proporções crescentes, de acordo com o relatório “Perfil Epidemiológico da Incidência de Câncer no Brasil e Regiões”, divulgado pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) em 4 de fevereiro deste ano, em ocasião do Dia Mundial do Câncer.
As estimativas para o triênio 2026-2028 indicam que o país deve registrar 781 mil novos casos anuais da doença. Retirando desse cálculo o câncer de pele não melanoma – que possui alta incidência, mas baixa letalidade –, o volume total de novas ocorrências atinge a marca de 518 mil diagnósticos por ano.
De acordo com o INCA, seis cânceres respondem por aproximadamente 65% de todos os diagnósticos: de mama, de próstata, colorretal, de pulmão, de estômago e de colo do útero. Os dois primeiros com especial destaque, com cerca de 15%, cada um, das ocorrências anuais.
Presidente de Honra da SBOC, Dra. Angélica Nogueira considera os dados recentes “um chamado à ação” por parte das instituições competentes. “Esse relatório confirma que o câncer é, atualmente, um dos maiores desafios sociais e econômicos no Brasil”, diz. “Precisamos de políticas públicas céleres na alocação de recursos, garantindo que o diagnóstico seja feito precocemente e o tratamento democratizado”, completa.
O documento destaca também o aumento dos casos de câncer colorretal e de pulmão – tendência ligada ao envelhecimento populacional e a práticas como alimentação rica em ultraprocessados, sedentarismo e consumo de tabaco. Outro ponto crítico revelado pelo estudo é a desigualdade regional.
Enquanto as regiões Sul e Sudeste apresentam um perfil de tumores mais associado ao envelhecimento e à urbanização, as regiões Norte e Nordeste ainda lidam com uma carga elevada de cânceres relacionados a causas infecciosas e vulnerabilidades sociais, como o câncer do colo do útero e o de estômago.
A SBOC tem papel fundamental neste cenário, atuando na atualização dos especialistas e disseminando as melhores evidências científicas disponíveis, avalia a Presidente da SBOC, Dra. Clarissa Baldotto. “Reforço o compromisso ético da Sociedade, atuando ao lado das autoridades e da sociedade civil, em busca de equidade no cuidado oncológico e do fortalecimento da rede de assistência em todo o Brasil”, afirma.
