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Benefício de ADC com anti-PD-1 em câncer de mama triplo-negativo PD-L1 positivo

Título em inglês:

Sacituzumab Govitecan Plus Pembrolizumab For Advanced Triple-Negative Breast Cancer

Título em português:

Sacituzumabe govitecana mais pembrolizumabe para câncer de mama triplo-negativo avançado

Citação:

Tolaney SM, de Azambuja E, Kalinsky K, Loi S, Kim SB, Yam C, et. al. ASCENT-04/KEYNOTE-D19 Clinical Trial Investigators. Sacituzumab Govitecan plus Pembrolizumab for Advanced Triple-Negative Breast Cancer. N Engl J Med. 2026 Jan 22;394(4):354-366. doi: 10.1056/NEJMoa2508959.

Resumo do artigo:

O ASCENT 04/KEYNOTE-D19 foi um estudo de fase III, prospectivo, randomizado, aberto, que avaliou a combinação de sacituzumabe govitecana com pembrolizumabe para pacientes com câncer de mama triplo-negativo metastático, PD-L1 positivo (CPS ≥10), em primeira linha. O desfecho primário foi sobrevida livre de progressão (SLP), e desfechos secundários chave incluíram sobrevida global (SG) e taxa de resposta.

As pacientes elegíveis foram randomizadas para receber (1) sacituzumabe govitecana na dose de 10 mg/kg (D1, D8) e pembrolizumabe 200 mg (D1) a cada 21 dias, ou (2) quimioterapia da escolha do investigador (paclitaxel, nab-paclitaxel, ou gencitabina e carboplatina) com pembrolizumabe. Foi realizado até progressão de doença ou toxicidade limitante, sendo permitido crossover se progressão de doença. Foram estratificadas de acordo com o status da doença – metastática de novo, recorrência após término de tratamento curativo: entre 6 a 12 meses e após > 12 meses; área geográfica (Canadá, EUA, Oeste da Europa vs. mundo inteiro) e exposição prévia ao anti-PDL1/PD1 no tratamento adjuvante ou neoadjuvante.

Foram randomizadas 443 pacientes em uma proporção 1:1, com estratificação por status da doença (metastática de novo, recorrência 6-12 meses após o término do tratamento curativo, ou >12 meses); região geográfica; e exposição prévia a imunoterapia. A idade média foi de 54 anos no grupo experimental e 55 anos no grupo controle. 34% eram metastáticas de novo, 18% recorreram entre 6-12 meses e 48% após 12 meses. Apenas 9 pacientes receberam previamente anti-PD-1/PD-L1 no grupo experimental e 11 no grupo controle. O follow-up mediano foi de 14 meses (0,1-28,6 meses).

A SLP média foi de 11,2 meses no grupo experimental (IC95%, 9,3-16,7) e 7,8 meses (IC95%, 7,3-9,3) no grupo controle (IC95% HR 0,65, 0,51-0,84, p<0,001). O benefício do ADC foi consistente entre os grupos. A análise de sobrevida global ainda estava imatura no momento da análise, com óbito em 26% das pacientes randomizadas.

Em relação à resposta objetiva por RECIST 1.1, foi observada em 60% das pacientes que receberam o ADC (IC 95%, 53 a 60) e em 53% no braço controle. Resposta completa ocorreu em 13% e 8%, respectivamente. A duração de resposta mediana foi de 16,5 meses com sacituzumabe govitecana versus 9,2 meses no grupo que recebeu quimioterapia.

Efeitos adversos foram relatados em 99,5% dos pacientes em ambos os braços, sendo 71% grau ≥ 3 no grupo que recebeu ADC e 70% no grupo experimental. Diarreia (70%), náuseas (68%) e neutropenia (63%) foram os principais eventos adversos no grupo experimental e neutropenia (59%), anemia (51%) e fadiga (5%) no grupo controle. Eventos adversos levando à redução de dose ocorreram em 35% do braço intervenção, com descontinuação do tratamento por eventos adversos em 12%. Das 119 pacientes do braço controle que receberam algum tratamento após descontinuação da QT, 96 receberam sacituzumabe govitecana como linha subsequente.

Os autores concluem que os dados embasam o uso de sacituzumabe govitecana com pembrolizumabe como potencial opção de tratamento para pacientes com câncer de mama metastático triplo-negativo, PD-L1 CPS 10 ou maior, sem tratamento prévio no cenário avançado.

Comentário da avaliadora científica:

O atual padrão na primeira linha do câncer de mama triplo-negativo metastático, PD-L1 positivo (CPS maior ou igual a 10), foi estabelecido pelo KEYNOTE-355, que demonstrou ganho em sobrevida livre de progressão e de sobrevida global com a adição de pembrolizumabe à quimioterapia. Usando o regime do KEYNOTE-355 como braço controle, o ASCENT-04 foi capaz de demonstrar ganho de sobrevida livre de progressão. Os dados de sobrevida global ainda estão imaturos, mas, considerando que uma proporção considerável das pacientes não consegue receber tratamento após a primeira linha, trazer o ADC para o tratamento inicial parece fazer sentido. O aumento do PFS mediano em 3,4 meses é clinicamente relevante.

Na análise de subgrupo, o benefício de sacituzumabe govitecana pareceu ser mais pronunciado em pacientes que apresentaram recorrência em mais de 12 meses, com HR 0,52 (0,35-0,76); previamente tratadas com platina – HR 0,52 (0,36-0,75); sem metástase hepática – HR 0,59 (0,44-0,80); e com sistema nervoso central – HR 0,65 (0,5-0,84). Vale ressaltar que este estudo incluiu poucas pacientes com metástases em SNC, e que a grande maioria das pacientes não tinha recebido imunoterapia no cenário localizado.

Avaliadora científica:

Dra. Ana Ester Fernandes Diógenes Nunes

Oncologista clínica pela UNIFESP

Oncologista assistente no HCOR – São Paulo/SP

Título de Especialista em Oncologia Clínica pela SBOC/AMB

Mestrado em andamento – Unifesp

Instagram: @anaesterfdn

Cidade de atuação: São Paulo/SP

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Editor
Dr. Ricardo Dahmer
Médico oncologista pelo Icesp. Saiba mais.
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