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Imunoterapia e oncologia de precisão são destaques do 1º dia do SBOC-AACR Joint Congress Destaque

Notícias Sexta, 30 Outubro 2020 21:34
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A oncologia clínica brasileira e norte-americana está reunida desde a manhã de hoje, 30 de outubro, no SBOC-AACR Joint Congress: A Translational Approach to Clinical Oncology, promovido pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e a American Association for Cancer Research (AACR). Oncologistas, cientistas e profissionais de áreas afins acompanharam as apresentações do primeiro dia do evento, que segue até o fim da tarde de sábado (31), com programação totalmente virtual e interativa.

Os 50 conferencistas de renome internacional que se revezam ao longo dos dois dias de programação, abordando os principais avanços da oncologia clínica global, falam ao vivo à audiência e também respondem questões e reflexões em tempo real, por meio dos recursos de interação da plataforma digital que transmite o evento. “A SBOC precisou se reinventar ao longo da pandemia e, já nos primeiros meses da parceria com a AACR, reconfiguramos todo o Congresso, que ganhou novos recursos para possibilitar que toda a comunidade oncológica não perca nada da programação e, pelo contrário, possa ir além”, conta a presidente da SBOC, Dra. Clarisse Mathias.

Na sessão de abertura, a CEO da AACR, Dra. Margaret Foti, destacou a parceria entre a oncologia clínica norte-americana e brasileira. “Este Joint Congress é a concretização de uma profícua parceria que já vinha sendo empreendida pelas entidades que representam a comunidade oncológica no Brasil e nos Estados Unidos, SBOC e AACR”, comentou. “Apesar de todas as diferenças socioeconômicas e culturais, enfrentamos problemas semelhantes quando o assunto é o combate ao câncer e temos muito a aprender com os avanços e as dificuldades de cada realidade. Este evento é uma celebração desses potenciais, que pretendemos desenvolver juntos”, acrescentou.

Também participaram da sessão de abertura os chairs Dr. Sergio Simon, Dr. Paulo Hoff, Dr. Carlos Gil e Dr. Manuel Hidalgo.

“Quando começamos a planejar este evento, há dois anos, já era claro que a moderna oncologia clínica depende cada vez mais da compreensão das bases moleculares que direcionam o comportamento do câncer”, lembrou Dr. Sergio Simon. “É preciso que avancemos no conhecimento sobre o papel do sistema imune no combate aos tumores, a importância dos fatores genéticos no desenvolvimento da doença e tantos outros temas que impactam diretamente no exercício clínico da oncologia – e aqui estamos, neste importante evento translacional, para avançarmos juntos nesse sentido”, completou o ex-presidente da SBOC.

Para o diretor executivo da SBOC, Dr. Renan Clara, o primeiro dia de evento reafirmou a vocação da entidade para o diálogo. “Todos os nossos esforços foram no sentido de promover uma grande interação entre profissionais de diferentes procedências, mas todos com o mesmo fim: o exercício pleno da oncologia clínica em benefício do paciente e da população em geral. Fizemos isso valorizando o diálogo também entre os diferentes saberes da oncologia, da pesquisa básica à aplicação clínica. A SBOC acredita na abordagem translacional da oncologia, e este congresso é uma celebração de tudo aquilo que é possível através dela.”

Oncologia translacional e medicina de precisão

Um dos principais resultados da abordagem translacional da oncologia, a medicina de precisão aplicada ao controle do câncer, foi um dos temas abordados logo no princípio da programação. Dr. Todd R. Golub, da Faculdade de Medicina de Harvard, nos Estados Unidos, apresentou dados do Cancer Dependency Map, iniciativa do Broad Institute of MIT and Harvard em parceria com o Wellcome Sanger Institute, em Hinxton, Reino Unido, que identifica dependências genéticas e sensibilidades de pequenas moléculas para descobrindo os biomarcadores que as predizem.

Segundo Dr. Golub, tudo parte de uma ideia muito agradável, de que alguém pode analisar o genoma de um tumor e, em princípio, usar aquela informação para selecionar a terapia-alvo para certo paciente que pode resultar em uma resposta duradoura – ou mesmo na cura. “Mas sabemos que isso está longe de ser uma realidade para a grande maioria das populações ao redor do mundo e que, ainda que fosse possível tratar todos com todas as drogas existentes, elas ainda não seriam suficientes, pois não temos uma farmacopeia completa para atacar todas as possibilidades de câncer evidenciadas pelo genoma da célula tumoral”, explicou.

O que o Cancer Dependency Map realiza, diante desse cenário, é uma cooperação entre a experiência do paciente e experiências sistemáticas em laboratório. “Os cientistas do DepMap estão traçando o perfil de centenas de modelos de células cancerígenas com informações genômicas e de sensibilidade a perturbações genéticas e de pequenas moléculas”, conta. Ao triangular informações desses e de outros conjuntos de dados em grande escala, a expectativa é definir um conjunto de alvos genéticos para o desenvolvimento terapêutico, identificar os pacientes que respondem a essas terapias e desenvolver uma melhor compreensão das vulnerabilidades do câncer. “Um verdadeiro mapa”, resume.

Todos os dados gerados pelo projeto, reforçou Dr. Golub, são disponibilizados ao público sob uma licença Creative Commons. Os conjuntos de dados são lançados antes da publicação trimestralmente e estão acessíveis no portal DepMap. “Esse conjunto de dados será fundamental para catalisar uma nova onda de medicamentos de precisão contra o câncer”, acredita.

Imunoterapia avança

Os inibidores de checkpoint imunológico revolucionaram o cuidado de pacientes com câncer avançado na última década; mas, apesar de drogas com esse princípio serem eficientes em induzir respostas profundas e duradouras em alguns cânceres em estágio avançado, particularmente de pulmão e melanoma, ainda há uma grande variedade de outros tumores que não respondem adequadamente a elas.

Isso porque esses medicamentos são direcionados a interações de proteínas-ligantes entre o tumor e células imunológicas, que só agora a ciência compreende ter um papel importante na evasão tumoral imunológica. “Por isso, tornou-se criticamente importante ampliar a compreensão sobre os mecanismos de resposta do organismo, para uma seleção maior de candidatos ao tratamento”, explicou Dra. Katherine Bever, da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore (EUA), responsável pela palestra que encerrou o primeiro dia do SBOC-AACR Joint Congress.

Uma peça importante nesse quebra-cabeça: a identificação da deficiência das enzimas de reparo de DNA, ou instabilidade microssatélite, que tem sido usada como um biomarcador de resposta a essas mediações. “Esse achado aprofundou nosso entendimento da biologia da resposta à imunoterapia de uma maneira que, esperamos, pode expandir o impacto do tratamento a mais pacientes”, acredita.

Ao longo de sua palestra, Dra. Katherine Bever apresentou uma revisão sobre a via de reparo incompatível de DNA, conceituando a instabilidade microssatélite; os mecanismos propostos para imunogenicidade melhorada de tumores em cânceres com deficiência das enzimas de reparo; as evidências clínicas de atividades de inibidores de checkpoint imunológico em cânceres com essa deficiência; e potenciais preditores de resposta, além de possibilidades futuras para ensaios clínicos.

A programação continua

O SBOC-AACR Joint Congress: A Translational Approach to Clinical Oncology ainda tem mais um dia de intensa programação científica, com mais conferencistas internacionais apresentando os avanços em temas como mapeamento de mecanismos de reparo de DNA, diversos tipos de câncer e uma sessão especial sobre “O que aprendemos com a pandemia do novo coronavírus”, com Dra. Monika Safford, da Universidade Cornell, em Nova York (EUA), e os chairs Dr. Sergio Simon e Dr. Paulo Hoff.

Saiba mais sobre a programação e como participar em sbocaacrjointcongress.com.

Última modificação em Sexta, 30 Outubro 2020 21:51

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