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Portal VEJA Saúde destaca discussões do Congresso SBOC sobre a oncologia no pós-pandemia Destaque

Notícias Sexta, 10 Dezembro 2021 13:20
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O XXII Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica, realizado pela SBOC no último mês de novembro, em Salvador (BA), continua tendo destaque na imprensa por levantar discussões de relevância para o aprimoramento do cuidado oncológico no Brasil. Em artigo para a VEJA Saúde, a presidente da Comissão Científica do evento e membro da diretoria da entidade, Dra. Angélica Nogueira, fala das adversidades que o controle do câncer no país enfrenta, agravadas pela maior crise sanitária dos últimos tempos, a pandemia de COVID-19. Os impactos do surgimento do novo coronavírus na oncologia foram um dos temas de destaque do SBOC 2021, e seguem sendo discutidos publicamente pela entidade, que empreende diversas iniciativas para garantir que o cuidado oncológico não seja ainda mais afetado no pós-pandemia.

Leia a íntegra do artigo:

 

Os avanços contra o câncer e os desafios da doença no pós-pandemia

Último Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica pôs em pauta as adversidades atuais e o futuro da medicina após a maior crise sanitária da atualidade

O enfrentamento do câncer é tão complexo quanto desafiador. Felizmente, a cada ano surgem importantes avanços no controle das diversas formas da doença, promissores recursos e alternativas terapêuticas para enfrentar tumores de difícil manejo. No entanto, nos últimos dois anos, houve um impacto importante nessa trajetória otimista. A Covid-19 abriu um flanco de vulnerabilidades, com atrasos em diagnósticos e interrupções no acompanhamento e no tratamento de pacientes.

Todo esse contexto e seus desdobramentos foram temas de discussões no XXII Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica, realizado pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), agora em novembro de 2021. A presidente da entidade de 2019 a 2021 e coordenadora da Comissão Executiva do evento, Clarissa Mathias, reforçou a importância da atualização científica para os mais de 3 mil participantes. “Diante dos desafios do controle do câncer durante e após a pandemia, precisaremos mais do que nunca de tudo o que a ciência pode oferecer para o desenvolvimento do cuidado oncológico”, enfatizou.

Um dos destaques do congresso foi o debate sobre o Consórcio Nacional de Covid-19 em Pacientes com Câncer, o ONCOVID-19, estudo inédito iniciado pela própria SBOC em março de 2020 que teve por objetivo ampliar a compreensão sobre quais tipos de câncer ou tratamentos poderiam favorecer complicações em casos de contágio pelo Sars-CoV-2, além de avaliar e propor medidas estratégicas e protocolos para lidar com isso.

A pesquisa compilou informações vindas de todas as regiões do país sobre as infecções pelo coronavírus de acordo com o tumor e os resultados do tratamento. Oncologistas de 39 instituições reportaram 1.446 casos ao projeto. Nas próximas etapas, serão feitas análises multivariadas para identificação de fatores de risco que levem ao desenvolvimento de formas graves de Covid-19 em pacientes oncológicos. Outros trabalhos apresentados no evento podem ser acessados no periódico médico Brazilian Journal of Oncology (BJO).

Uma das missões da SBOC é contribuir para o acesso a serviços oncológicos e evitar falhas na distribuição de medicamentos no Sistema Único de Saúde (SUS). O empenho é grande também para defender o pleito de que novas drogas e tecnologias cheguem não apenas à rede privada, mas alcancem os pacientes que dependem do serviço público.

Nesse sentido, a entidade conduziu um processo que, após anos, levou à incorporação de um tratamento revolucionário aos pacientes com melanoma na rede pública em 2020, a imunoterapia. Outra vitória, que também contou com participação ativa da SBOC, foi a incorporação dos medicamentos inibidores de CDK (abemaciclibe, palbociclibe e ribocicilibe) ao SUS para pacientes com câncer de mama metastático, aprovada recentemente pelo Ministério da Saúde. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que, até o fim deste ano, o Brasil registre mais de 66 mil casos de tumores mamários.

Mas houve também retrocesso, e ele não passou batido pelo congresso da SBOC. Em julho, um veto presidencial barrou o projeto de lei que tornaria obrigatória a cobertura pelos planos de saúde da quimioterapia oral administrada em casa. Seguimos, assim, nosso compromisso com a saúde brasileira para prover todo tipo de informação técnica ao Congresso Nacional e ao governo a fim de que os pacientes recebam o melhor tratamento possível.

Outra tendência marcante que não podia deixar de comentar são as ações para aumentar a participação das mulheres na área da oncologia, especialmente em posições de liderança, tema também discutido pela SBOC. Apesar da crescente presença feminina na medicina, a ascensão de médicas às funções de liderança no mercado encontra barreiras, de acordo com um levantamento conduzido pelo Comitê de Lideranças Femininas da SBOC.

Nossa agenda (e a do congresso da SBOC) tem, em sua essência, o compromisso de refletir os anseios da sociedade, compartilhar os novos conhecimentos científicos e os avanços na prevenção, no diagnóstico e no tratamento do câncer, assim como encorajar um trabalho multidisciplinar, o acesso aos cuidados e o aprimoramento de políticos públicas. Especialmente no pós-pandemia.

*Angélica Nogueira é oncologista, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e foi presidente da Comissão Científica do XXII Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica.

Última modificação em Sexta, 10 Dezembro 2021 13:28

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