Nesta sexta-feira, 28 de novembro, a Presidente Eleita da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Dra. Clarissa Baldotto, representou a instituição no segundo dia do seminário Controle do Câncer no Século XXI – desafios globais e soluções locais. O evento, realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro (RJ), começou ontem, em referência ao Dia Mundial de Combate ao Câncer, celebrado no dia 27.
Ao longo de dois dias, o encontro reuniu pesquisadores brasileiros e internacionais, profissionais de saúde, tomadores de decisão e comunicadores em seis mesas temáticas dedicadas a discutir conquistas, fragilidades e paradoxos do cenário do câncer no Brasil e no mundo, além de seus impactos nos sistemas de saúde.
Dra. Clarissa integrou a mesa que discutiu “Formação Profissional e Prática no Cuidado Oncológico” e falou sobre possibilidades de mudança e perspectivas na formação dos profissionais de saúde.
Ela destacou a importância de discutir a formação de especialistas em oncologia, especialmente diante do aumento global dos casos de câncer. “Se olharmos um retrato do que vem acontecendo em pesquisa clínica, os estudos em oncologia predominam. Então é improvável que um médico, no futuro, não precise lidar com a doença ou trabalhar com inovação, desenvolvimento tecnológico e tudo que estamos falando aqui”, disse. “A gente pensa em formar médicos para a assistência, mas é importante lembrar que também formamos profissionais para a produção de conhecimento”, adicionou.
Mesmo sendo uma especialidade complexa, Dra. Clarissa reforçou que a multidisciplinaridade é essencial para uma boa formação. “É muito desafiador se formar em oncologia. Por isso falamos tanto da graduação e da residência médica, mas elas não existem sem formação multidisciplinar e educação continuada. É uma área em que o conhecimento muda a cada minuto”, pontuou.
Em 2020, a SBOC produziu o artigo “Educação oncológica nas escolas médicas brasileiras”, que apontou uma lacuna na formação em oncologia na graduação médica no país. O estudo analisou programas curriculares e planos pedagógicos das escolas de medicina, avaliando a oferta de disciplinas de oncologia.
“No artigo, conseguimos observar 254 faculdades. A distribuição é heterogênea, com predominância no Sudeste. Há um equilíbrio entre instituições públicas e privadas que oferecem ensino de oncologia”, introduziu Dra. Clarissa. “As ligas de oncologia têm substituído a oferta de certas disciplinas dentro da faculdade. Precisamos olhar por que os alunos estão buscando fora do que as instituições oferecem e, talvez, promover transições dentro da graduação”, analisou.
Entre os desafios identificados pela SBOC na graduação estão a falta de profissionais capacitados, dificuldade de integração multidisciplinar no currículo, conflitos de práticas e opiniões entre profissionais, disparidades no acesso a tecnologias, definição de currículo mínimo e necessidade de uma abordagem multidimensional.
A residência médica também enfrenta gargalos. “Olhando para a residência, a distribuição é semelhante, concentrada nos eixos Sul e Sudeste. Houve um aumento importante no número de vagas ao longo dos anos, mas ainda temos 455 vagas ociosas em 2025. Precisamos ficar de olho no mercado e observar o que o profissional está buscando na oncologia clínica”, explicou Dra. Clarissa.
A Presidente Eleita também mencionou o Título de Especialista em Oncologia Clínica (TEOC), emitido anualmente pela SBOC e pela Associação Médica Brasileira (AMB), que neste ano registrou 311 inscritos. “Estamos profissionalizando o processo, com workshops e cursos para quem aplica para o Título. Nossa meta é evoluir para a prova de progresso. Estamos trabalhando para que o TEOC seja feito nesse formato”, antecipou.
A SBOC mantém diversas iniciativas voltadas a educação continuada e ao desenvolvimento da carreira, como a atualização do Programa de Residência Médica em Oncologia Clínia (PROC), a expansão do Programa de Pesquisa Clínica, o acesso a Biblioteca Virtual, entre outros. Entre as novidades, está a nova plataforma educacional da entidade.
“A OncoAcademy, criada este ano, é mais um projeto da SBOC na busca por fortalecer essa formação, com o intuito de firmar parcerias com outras entidades, oferecer atualização científica, preceptoria a distância e programas de mentoria. É um desafio, mas queremos a melhoria dos nossos profissionais”, finalizou Dra. Clarissa.
O seminário também contou com a presença do Ministro da Saúde, Dr. Alexandre Padilha, do diretor do Instituto Nacional de Câncer (Inca) e ex-presidente da SBOC (Gestão 2003-2005), Dr. Roberto Gil, do coordenador do Comitê de Diversidade da SBOC, Dr. Jessé Lopes, da Presidente do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC-Abrale), Dra. Catherine Moura, entre outras autoridades.

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