SBOC Review

Associação entre reserva ovariana e benefício da quimioterapia adjuvante em pacientes com câncer de mama RH+ HER 2 -negativo com acometimento linfonodal

Título em inglês:

Ovarian reserve as a measure of adjuvant chemotherapy benefit in hormone receptor positive (HR-positive), HER2-negative, node-positive breast cancer in SWOG S1007 (RxPONDER)

Título em português:

Reserva ovariana como medida do benefício da quimioterapia adjuvante em câncer de mama com receptor hormonal positivo (RH positivo), HER2 negativo e linfonodo positivo no estudo SWOG S1007 (RxPONDER)

Citação:

Kalinsky K, Barlow WE, Pathak HB, Puri RV, Mitra A, Home T, et al. Ovarian reserve as a measure of adjuvant chemotherapy benefit in hormone receptor positive (HR-positive), HER2-negative, node-positive breast cancer in SWOG S1007 (RxPONDER). Ann Oncol. 2026. DOI: 10.1016/j.annonc.2026.05.697.

Resumo do artigo:

O estudo RxPONDER (SWOG S1007) demonstrou previamente que mulheres na pós-menopausa com câncer de mama receptor hormonal positivo (RH+), HER2-negativo, 1-3 linfonodos positivos e escore de recorrência (RS, do inglês recurrence score) menor ou igual a 25 não apresentam benefício com a adição de quimioterapia à terapia endócrina. Em contrapartida, nas mulheres na pré-menopausa, houve melhora dos desfechos oncológicos independentemente de RS. Permanece a dúvida, no entanto, se esse benefício decorre do efeito citotóxico da quimioterapia ou da supressão da função ovariana por ela induzida. Esta publicação traz uma análise exploratória, após seguimento de 8 anos, que avalia se marcadores de reserva ovariana poderiam identificar com maior precisão quais pacientes se beneficiam da quimioterapia.

No estudo RxPONDER, 5.083 mulheres foram randomizadas para receber terapia endócrina isolada ou quimioterapia seguida de terapia endócrina. Nesta análise exploratória, foram incluídas aquelas com menos de 55 anos, das quais 1.556 dispunham de amostras de soro coletadas antes do início do tratamento. Foram mensurados estradiol, progesterona, hormônio folículo-estimulante (FSH), hormônio luteinizante (LH), hormônio anti-Mülleriano (AMH) e inibina B. A associação dos biomarcadores com o benefício da quimioterapia adjuvante foi avaliada pelos desfechos de sobrevida livre de doença invasiva (IDFS) e sobrevida livre de recidiva à distância (DRFS), com ajuste conforme RS.

Estradiol, progesterona, FSH e LH não foram capazes de predizer benefício da quimioterapia. Em contraste, o AMH mostrou interação significativa com o tratamento. Entre as mulheres com AMH ≥10 pg/mL, que representavam 64% da população analisada e apresentavam reserva ovariana preservada, a adição de quimioterapia à terapia endócrina resultou em melhora significativa da IDFS (HR 0,46; IC 95% 0,33–0,65; p ajustado = 0,00012). Por outro lado, entre as 36% com AMH <10 pg/mL não houve benefício da quimioterapia (HR 1,27; IC 95% 0,81-1,99; p ajustado = 0,47). Resultados semelhantes foram observados para DRFS. A inibina B, quando avaliada por método ultrassensível, também demonstrou capacidade de predizer o benefício da quimioterapia.

Esses resultados sugerem que o AMH, um marcador da reserva ovariana, pode ser mais preditivo do benefício da quimioterapia do que características como idade, classificação clínica da menopausa (baseada na história menstrual, idade e antecedentes cirúrgicos de ooforectomia), níveis de estradiol, FSH e LH. Dessa forma, é possível que mulheres classificadas como pré-menopáusicas, mas com AMH <10 pg/mL, podem não obter benefício adicional da quimioterapia. Esses achados favorecem a hipótese de que parte importante do benefício observado com a quimioterapia nas mulheres pré-menopáusicas incluídas no RxPONDER esteja relacionada à supressão ovariana induzida pelo tratamento. Um dado que merece atenção é a atenuação do benefício da quimioterapia entre pacientes com menos de 40 anos, apesar dos altos níveis de AMH (HR 0,92, IC 95% 0,41-2,05). Esse achado pode estar relacionado à maior probabilidade de manutenção da função ovariana residual após a quimioterapia nesse subgrupo, particularmente na ausência de supressão ovariana com análogos de LHRH, que não foram utilizados pela maioria das pacientes no estudo RxPONDER.

Os autores concluem que mulheres pré-menopáusicas com AMH <10 pg/mL – 20,6% das pré-menopáusicas com menos de 55 anos no RxPONDER – poderiam omitir a quimioterapia sem prejuízo de IDFS e DRFS, e que a dosagem ultrassensível do AMH pode refinar a decisão quando o status menopausal é incerto.

Avaliadora científica:

Dra. Emmanuely Karla Oliveira Duarte

Oncologista clínica pelo Real Hospital Português de Beneficência – Recife/PE

Oncologista no Hospital Adventista de Manaus e no Hospital Santa Júlia – Manaus/AM

Instagram: @emanuely.duarte.oncologista

Cidade de atuação: Manaus/AM

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Editor
Dr. Ricardo Dahmer
Médico oncologista pelo Icesp. Saiba mais.
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