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Tumores Germinativos Malignos de Ovário em adultas: Estudo multicêntrico internacional para identificação de fatores prognósticos relevantes em pacientes com estádio IC ou superior

Título em inglês:

Malignant Adult Ovarian Germ Cell Tumors: An International Multicenter Study to Identify Relevant Prognostic Risk Factors for Stage IC and Beyond

Título em português:

Tumores Germinativos Malignos de Ovário em adultas: Estudo multicêntrico internacional para identificação de fatores prognósticos relevantes em pacientes com estádio IC ou superior

Citação:

Bergamini A, Suyanto S, Savva C, Maher E, Kaur B, Sarwar N, et al. Malignant Adult Ovarian Germ Cell Tumors: An International Multicenter Study to Identify Relevant Prognostic Risk Factors for Stage IC and Beyond. J Clin Oncol. 2026 May 6:JCO2500840. doi: 10.1200/JCO-25-00840.

Resumo do artigo:

Os tumores germinativos de ovário correspondem a cerca de 1% a 2% das neoplasias ovarianas malignas. Diferentemente dos tumores germinativos testiculares, amplamente estudados, os tumores ovarianos ainda carecem de dados prognósticos robustos. A quimioterapia baseada em platina permanece como principal tratamento sistêmico, associada à cirurgia em contexto neoadjuvante ou adjuvante. Na literatura, a sobrevida global em 10 anos aproxima-se de 81% para doença estádio IC e 65% para estádio IV, com até 20% de recorrência em doença avançada – reforçando a necessidade de melhor estratificação prognóstica.

Nesse contexto, foi realizado este estudo retrospectivo com 254 pacientes tratadas em centros do Reino Unido e da Itália entre 1971 e 2018, com mediana de idade de 27 anos e seguimento mediano de 6,9 anos. Foram incluídas pacientes com estádios IA/IB com marcadores tumorais persistentemente elevados, além de IC, II, III e IV. A cirurgia primária foi realizada em 87,8% dos casos, com preservação de fertilidade em 50,4%, enquanto 12,2% receberam quimioterapia neoadjuvante; entre estas, 51,6% conseguiram cirurgia preservadora de fertilidade subsequente.

Os esquemas quimioterápicos mais utilizados foram BEP (bleomicina, etoposídeo e cisplatina), em 48% dos casos, predominantemente em doença inicial, e POMB/ACE (cisplatina, vincristina, metotrexato e bleomicina alternados com actinomicina D, ciclofosfamida e etoposídeo), em 42,5%, principalmente em doença avançada. A revisão histopatológica baseada nos critérios da OMS demonstrou 22,4% de disgerminomas e predominância de tumores não disgerminomatosos, sobretudo tumores do saco vitelínico (33,5%), teratoma imaturo grau 2/3 (18,5%) e tumores mistos (17,7%).

A sobrevida câncer-específica em 10 anos foi de 83,2% (IC 95% 77,3–87,7) no total, com 92,3% no estádio IC/M, 79,5% no estádio II, 79,4% no estádio III e 79,4% no estádio IV. Entre os 44 óbitos, 37 decorreram de progressão tumoral e 7 de toxicidades relacionadas ao tratamento.

Na análise multivariada, três fatores associaram-se a pior sobrevida câncer-específica: idade ≥35 anos (HR 2,8; IC 95% 1,4–5,4; p = 0,003), estádio avançado (HR 1,4; IC 95% 1,02–1,9; p = 0,035) e histologia não disgerminomatosa quando comparada a disgerminoma (HR 4,8; IC 95% 1,7–16,9; p = 0,001) ou a teratoma imaturo grau 2/3 (HR 7,3; IC 95% 1,9–64,8; p = 0,001).

Do ponto de vista histológico, disgerminomas e teratomas imaturos graus 2/3 apresentaram desfechos sobreponíveis, com sobrevida câncer-específica em 10 anos de 94,7% e 97,5%, respectivamente. Em contraste, tumores do saco vitelínico, coriocarcinoma e carcinoma embrionário apresentaram pior prognóstico, com sobrevida câncer-específica em 10 anos de 71,7%, 50% e 33,3%, respectivamente. Aproximadamente 78% das recidivas ocorreram nos primeiros dois anos, embora tenham sido observados casos tardios após cinco anos de seguimento. Em pacientes com recidiva, a quimioterapia em altas doses (HDCT) com suporte de células-tronco utilizada na primeira recidiva resultou em SLP em 5 anos de 45%, enquanto a HDCT em recidivas subsequentes (n = 3) não evitou óbito em nenhuma paciente. A sobrevida câncer-específica em 5 anos foi de 34,2% com HDCT, 25,0% com quimioterapia convencional e 29,0% com quimioterapia associada à cirurgia.

Os autores concluem que estádio avançado, idade ≥35 anos e histologia não disgerminomatosa (excluído teratoma imaturo G2/3) são fatores adversos para sobrevida câncer-específica, e que a HDCT deve ser considerada já na primeira recidiva.

Avaliador científico:

Dr. Pablo Bastos Rodrigues

Oncologista clínico pelo Hospital São Lucas – PUC-RS

Oncologista no Grupo Oncoclínicas, Hospital São Lucas e Hospital Nossa Senhora das Graças

Membro do grupo de Tumores Ginecológicos do Hospital São Lucas

Subinvestigador no CPO – RS

Instagram: @pablooorodrigues

Cidade de Atuação: Porto Alegre/RS

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Editor
Dr. Ricardo Dahmer
Médico oncologista pelo Icesp. Saiba mais.
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