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Efeitos da ablação ou supressão ovariana na recorrência e sobrevida no câncer de mama: metanálise com dados individuais de 15.000 mulheres em 23 estudos randomizados [▶ Comentário em vídeo]

Título em inglês:

Effects of ovarian ablation or suppression on breast cancer recurrence and survival: patient-level meta-analysis of 15000 women in 23 randomised trials

Título em português:

Efeitos da ablação ou supressão ovariana na recorrência e sobrevida no câncer de mama: metanálise com dados individuais de 15.000 mulheres em 23 estudos randomizados

Citação:

Early Breast Cancer Trialists’ Collaborative Group (EBCTCG). Electronic address: [email protected]; Early Breast Cancer Trialists’ Collaborative Group (EBCTCG). Effects of ovarian ablation or suppression on breast cancer recurrence and survival: patient-level meta-analysis of 15 000 women in 23 randomised trials. Lancet. 2026 May 2;407(10540):1699-1711. doi: 10.1016/S0140-6736(26)00313-2.

Resumo do artigo:

Esta metanálise colaborativa do EBCTCG avaliou o impacto da supressão da função ovariana (SO), por ablação cirúrgica, radioterapia ou análogos de GnRH, em mulheres pré-menopáusicas com câncer de mama inicial receptor hormonal positivo ou desconhecido. Foram incluídos dados individuais de 15.075 pacientes tratadas entre 1948 e 2014, provenientes de 23 estudos randomizados, com mediana de seguimento de aproximadamente 11 anos e mediana de idade de 42 anos.

O desfecho primário foi recorrência de câncer de mama invasivo, incluindo doença local, contralateral ou à distância, além de mortalidade específica por câncer de mama e mortalidade global. A análise mostrou que a adição de SO reduziu significativamente a taxa de recorrência (RR 0,82; IC 95% 0,77–0,87; p < 0,00001), correspondendo a uma redução absoluta em 15 anos de 5,4% (36,5% vs. 41,9%). Houve também redução na mortalidade por câncer de mama (RR 0,86; IC 95% 0,80–0,93; p = 0,0009), com benefício absoluto de aproximadamente 3% em 15 anos. Os efeitos foram consistentes em termos de redução proporcional do risco, independentemente do método de supressão ovariana, do estadiamento linfonodal, do tamanho tumoral ou do estado de HER2. Contudo, como os RRs foram similares entre os subgrupos, o benefício absoluto tende a ser maior nas pacientes de maior risco de recorrência, reforçando a importância da estratificação de risco na indicação da SO.

O benefício da SO variou conforme o contexto terapêutico, analisado em dois cenários distintos. No primeiro, mulheres foram randomizadas para SO versus nenhuma hormonioterapia – nesse grupo, a redução de recorrência foi expressiva (RR 0,61; IC 95% 0,52–0,71; p < 0,0001), com risco absoluto em 15 anos de 39,1% versus 56,5%, e impacto relevante também em mortalidade por câncer de mama (RR 0,65; IC 95% 0,56–0,76; p < 0,0001). No segundo cenário, todas as pacientes receberam tamoxifeno, e a randomização foi para adição ou não de SO – mesmo nesse contexto, a SO promoveu redução adicional de 21% nas recorrências (RR 0,79; IC 95% 0,70–0,91; p = 0,0008), com benefício absoluto de aproximadamente 6% em 15 anos, demonstrando que a SO agrega benefício sobre o tamoxifeno.

O efeito foi mais pronunciado em mulheres com menos de 45 anos, especialmente naquelas que permaneceram pré-menopáusicas após quimioterapia. Nesse subgrupo, a SO associada ao tamoxifeno reduziu recorrência à distância (RR 0,77; IC 95% 0,64–0,93; p = 0,0067), mortalidade por câncer de mama (RR 0,74; IC 95% 0,58–0,94; p = 0,012) e mortalidade global (RR 0,72; IC 95% 0,57–0,90; p = 0,0045). Nas mulheres entre 45 e 54 anos que receberam tamoxifeno, o benefício não atingiu significância estatística (RR 0,95; IC 95% 0,75–1,21; p = 0,67).

Nas pacientes em que o estado pré-menopáusico não foi confirmado após quimioterapia, refletindo provável menopausa induzida pelo tratamento, a SO reduziu modestamente a recorrência (RR 0,91; IC 95% 0,84-1,00; p = 0,042), sem impacto significativo na mortalidade por câncer de mama (RR 0,96; IC 95% 0,88-1,05; p = 0,38). Não houve aumento de mortalidade por outras causas nem evidência consistente de eventos adversos graves adicionais, embora sintomas climatéricos tenham sido mais frequentes com SO.

Avaliadora científica:

Dra. Marina Henkin Behar

Oncologista clínica pelo Hospital Sírio-Libanês – São Paulo/SP

Oncologista clínica no Hospital Sírio-Libanês – São Paulo/SP

Instagram: @marinabehar

Cidade de atuação: São Paulo/SP

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Editor
Dr. Ricardo Dahmer
Médico oncologista pelo Icesp. Saiba mais.
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