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Recomendações Choosing Wisely em oncologia: uma revisão de escopo

Título em inglês:

Choosing Wisely recommendations in oncology: a scoping review

Citação:

Alves FV, Ferreira EB, de Moraes FY, Karim S, Dos Reis PED. Choosing Wisely recommendations in oncology: a scoping review. Support Care Cancer. 2026 Mar 4;34(3):276. doi: 10.1007/s00520-026-10437-z.

Resumo do artigo:

O estudo teve como objetivo mapear e sintetizar as recomendações da campanha Choosing Wisely em oncologia, com ênfase na redução de intervenções de baixo valor e na promoção de um cuidado mais seguro, eficiente e baseado em evidências. A análise também se alinha à crescente discussão sobre sustentabilidade em saúde, ressaltando que a diminuição de desperdícios na prática oncológica pode gerar impactos positivos tanto do ponto de vista econômico quanto do ambiental. Iniciativas como a redispensação de medicamentos oncológicos orais não utilizados exemplificam essa abordagem, ao demonstrar redução significativa de custos e do impacto ambiental, reforçando a importância de estratégias assistenciais mais sustentáveis. Em paralelo, observa-se uma tendência global à individualização do cuidado, com decisões clínicas orientadas pelo risco do paciente e pela relação entre custo e benefício das intervenções.

Trata-se de uma revisão de escopo conduzida conforme a metodologia do Joanna Briggs Institute e relatada segundo o PRISMA-ScR. A busca incluiu bases de dados como PubMed, Embase, LILACS e Web of Science, além de literatura cinzenta e websites de campanhas internacionais. Foram analisados estudos publicados entre 2012 e 2024, resultando na inclusão de 19 estudos e 20 plataformas institucionais, com a identificação de 220 recomendações em oncologia.

As recomendações foram organizadas ao longo das diferentes etapas do cuidado oncológico, abrangendo rastreamento, diagnóstico e estadiamento, tratamento, cuidados paliativos e vigilância após tratamento inicial. Aproximadamente metade das recomendações aplicava-se a todos os tipos de câncer, enquanto as demais eram direcionadas a neoplasias específicas, como mama, próstata, pulmão e colorretal.

No rastreamento, destaca-se a recomendação de evitar exames em pacientes com baixa expectativa de vida, além de desencorajar o uso indiscriminado de marcadores tumorais e exames de imagem em indivíduos assintomáticos. No diagnóstico e estadiamento, observa-se a orientação para restringir exames de alto custo e baixa utilidade clínica, especialmente em tumores de baixo risco.

No contexto do tratamento, as recomendações enfatizam a importância da tomada de decisão multidisciplinar, do uso racional de terapias sistêmicas guiado por biomarcadores preditivos e da desintensificação terapêutica quando apropriado, incluindo a adoção de esquemas hipofracionados de radioterapia. Nos cuidados paliativos, destaca-se a priorização do controle de sintomas e da qualidade de vida em pacientes com doença avançada e baixo desempenho funcional. Já na fase de vigilância após o tratamento inicial, recomenda-se evitar a realização de exames de rotina em pacientes assintomáticos quando não há impacto comprovado em desfechos clínicos relevantes.

De forma geral, os achados evidenciam um consenso internacional em torno da necessidade de reduzir intervenções desnecessárias na oncologia, promovendo um cuidado mais centrado no paciente, com melhor uso dos recursos disponíveis. Esses princípios são particularmente relevantes em sistemas de saúde com recursos limitados, nos quais a adoção de estratégias baseadas em valor pode contribuir significativamente para a sustentabilidade e a qualidade da assistência oncológica.

Avaliadora científica:

Dra. Fabiola Vasconcelos Alves

Oncologista clínica pelo Hospital Regional do Vale do Paraíba (Rede São Camilo)

Oncologista no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) e no Hospital Regional de Taguatinga (SES-DF)

Preceptora da residência médica em Oncologia Clínica na Secretaria de Saúde do Distrito Federal

Mestrado em Ciências da Saúde pela Universidade de Brasília (UnB)

Instagram: @fabiolavalves

Cidade de atuação: Brasília/DF

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Editor
Dr. Ricardo Dahmer
Médico oncologista pelo Icesp. Saiba mais.
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