SBOC Review

Dados de longo prazo para respondedoras excepcionais a inibidores de PARP em câncer de ovário

Título em inglês:

Long-Term Outcomes in Patients With Recurrent Ovarian Cancer and Exceptional Response to PARP Inhibitors

Título em português:

Desfechos de longo prazo em pacientes com câncer de ovário recorrente e resposta excepcional aos inibidores de PARP

Citação:

Haggstrom L, Lee YC, Barretina-Ginesta MP, Jaeger A, Woelber L, Woopen H, et al. Long-Term Outcomes in Patients With Recurrent Ovarian Cancer and Exceptional Response to PARP Inhibitors. JAMA Oncol. 2026 Jun 25:e261924. doi: 10.1001/jamaoncol.2026.1924.

Resumo do artigo:

Este estudo publicado no JAMA Oncology avaliou retrospectivamente 320 pacientes com câncer de ovário recorrente sensível à platina que apresentaram resposta excepcional ao tratamento de manutenção com inibidores de PARP. A resposta excepcional foi definida como sobrevida livre de progressão (SLP) igual ou superior a 5 anos a partir do início do inibidor de PARP (iPARP). As pacientes foram tratadas com olaparibe, niraparibe ou rucaparibe, em 41 centros de 14 países, com seguimento mediano de 6,8 anos. O objetivo principal foi descrever os desfechos de longo prazo, incluindo SLP, sobrevida global (SG), toxicidades tardias e eventos mieloides, além de explorar associações genótipo-fenótipo.

A população incluída tinha idade média de 56,4 anos, e a duração mediana do tratamento com iPARP foi de 75 meses. Das 320 pacientes, 233 (72,8%) apresentavam variante patogênica em BRCA1 ou BRCA2, somática ou germinativa; 40 (12,5%) eram BRCA selvagem e 47 (14,7%) tinham status desconhecido. Poucas pacientes tinham teste formal de deficiência de recombinação homóloga (HRD), o que limitou análises específicas, embora todas tivessem doença sensível à platina. A SLP estimada foi de 88,8% em 7,5 anos e de 78,7% em 10 anos, enquanto a SG em 10 anos foi de 90,5%.

Um aspecto relevante foi a análise da continuidade do tratamento. Entre as 320 pacientes, 211 (65,9%) permaneciam em uso do inibidor de PARP, enquanto 109 (34,1%) haviam interrompido a medicação por diferentes motivos, incluindo recomendação médica, progressão após cinco anos, toxicidade, preferência da paciente, comorbidades ou outras causas. As 85 pacientes (26,6%) que interromperam o tratamento por razões diferentes de progressão apresentaram SLP em 10 anos de 90,1%, em comparação com 72,5% entre aquelas que continuaram em uso do inibidor de PARP. Esses dados sugerem que a descontinuação em pacientes altamente selecionadas, sem progressão, não pareceu comprometer os desfechos; no entanto, por se tratar de estudo retrospectivo e sujeito a vieses de seleção, não é possível concluir que a interrupção seja superior ou universalmente segura. Entre as pacientes que interromperam o tratamento antes da progressão, a progressão ocorreu entre 1 e 64 meses após a suspensão, com mediana de 8 meses.

Na análise genômica, as variantes BRCA1/2 foram classificadas conforme localização, impacto molecular previsto e escore de gravidade alélica, sendo o escore 0 o mais grave (proteína não produzida ou completamente disfuncional) e o escore 2 o menos grave (proteína com função normal ou próxima do normal). As pacientes com resposta excepcional apresentaram enriquecimento de variantes no domínio RING de BRCA1 e no domínio de ligação ao DNA de BRCA2, além de menor frequência de variantes de menor gravidade alélica. Os autores levantam a hipótese de que alelos mais graves possam ter menor probabilidade de desenvolver mutações de reversão, mecanismo capaz de restaurar a função de BRCA e favorecer resistência aos iPARPs. Apesar desses achados, não houve diferença de SLP conforme status BRCA1/2, duração do tratamento, escore de gravidade alélica ou tipo de variante. A única característica basal associada a SLP prolongada foi intervalo entre o diagnóstico inicial e a recorrência igual ou superior a 18 meses (HR 0,28; IC 95% 0,14–0,58; p < 0,001). Cinco pacientes (1,6%) desenvolveram síndrome mielodisplásica ou leucemia mieloide aguda (SMD/LMA), incidência numericamente inferior à descrita em estudos pivotais.

Avaliadora científica:

Dra. Larissa Emanuella da Silva Costa

Oncologista clínica pelo Hospital Santa Rita de Cássia (HSRC) – Vila Velha/ES

Fellow em Tumores Femininos (Instituto Oncoclínicas) e em Pesquisa Clínica (UFMG)

Membro Titular da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA) e do Grupo Brasileiro de Estudos do Câncer de Mama (GBECAM)

Instagram: @larissaemanuella.onco

Cidade de atuação: Belo Horizonte/MG

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Editor
Dr. Ricardo Dahmer
Médico oncologista pelo Icesp. Saiba mais.
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