SBOC Review

HERIZON-GEA-01: Bloqueio biespecífico de HER2 em câncer gastroesofágico

Título em inglês:

Zanidatamab with and without Tislelizumab in HER2-Positive Gastroesophageal Cancer

Título em português:

Zanidatamabe com e sem Tislelizumabe no Câncer Gastroesofágico HER2-Positivo

Citação:

Shitara K, Elimova E, Liu T, Tabernero J, Lee KW, Schenker M, et al. HERIZON-GEA-01 Investigators. Zanidatamab with and without Tislelizumab in HER2-Positive Gastroesophageal Cancer. N Engl J Med. 2026 May 28;394(20):2002-2014. doi: 10.1056/NEJMoa2517729.

Resumo do artigo:

O HERIZON-GEA-01 foi um estudo internacional, fase III, aberto e randomizado, que avaliou se o zanidatamabe, anticorpo biespecífico direcionado a dois epítopos distintos do HER2, poderia superar o tratamento padrão baseado em trastuzumabe na primeira linha do adenocarcinoma avançado de estômago, junção esofagogástrica ou esôfago HER2-positivo. O racional é a maior capacidade do zanidatamabe de promover internalização e degradação do HER2 em relação ao trastuzumabe, além de potencializar a resposta imunológica.

Foram incluídos 914 pacientes com doença irressecável, recorrente ou metastática, sem tratamento prévio para doença avançada, HER2-positivo confirmado centralmente (imuno-histoquímica 3+ ou 2+ com hibridização in situ positiva) e ECOG 0-1. Os participantes foram randomizados (1:1:1) para receber zanidatamabe associado à quimioterapia e ao tislelizumabe; zanidatamabe com quimioterapia; ou trastuzumabe com quimioterapia. O backbone quimioterápico foi escolhido pelo investigador, predominando capecitabina com oxaliplatina (89,5%). O estudo foi desenhado antes da incorporação da imunoterapia para pacientes HER2-positivos. Os desfechos primários foram sobrevida livre de progressão (SLP), avaliada por revisão central independente, e sobrevida global (SG).

Após seguimento mediano de 25,9 meses, ambos os braços contendo zanidatamabe atingiram o desfecho primário de SLP. A mediana foi de 12,4 meses nos braços com zanidatamabe, versus 8,1 meses com trastuzumabe + quimioterapia (HR 0,63; IC 95% 0,51–0,78; p < 0,001 e HR 0,65; IC 95% 0,52–0,81; p < 0,001, respectivamente). A taxa de SLP em 18 meses praticamente dobrou em relação ao controle (43,9% e 38,0% versus 20,9%). Análises exploratórias sugeriram benefício consistente nos principais subgrupos avaliados, incluindo aqueles definidos pelo status de PD-L1.

Na primeira análise interina de SG, apenas o braço de zanidatamabe, tislelizumabe e quimioterapia demonstrou ganho estatisticamente significativo em relação ao controle, com mediana de 26,4 versus 19,2 meses (HR 0,72; IC 95% 0,57–0,90; p = 0,004). O braço com zanidatamabe e quimioterapia apresentou mediana de SG de 24,4 meses (HR 0,80; IC 95% 0,64–1,01; p = 0,06), não atingindo significância estatística nesta análise interina. A taxa de resposta objetiva foi de 70,7%, 69,6% e 65,7%, respectivamente, mas as taxas de resposta completa (19,6%, 17,1% e 11,0%) e a duração mediana da resposta (20,7, 14,3 e 8,3 meses) foram maiores nos esquemas com zanidatamabe.

Quanto à segurança, eventos adversos grau ≥3 ocorreram em 83,3% dos pacientes tratados com zanidatamabe, tislelizumabe e quimioterapia; 73,8% daqueles tratados com zanidatamabe e quimioterapia; e 74,5% no grupo controle. Eventos adversos graves foram registrados em 58,5%, 49,2% e 42,4%, respectivamente. Diarreia foi mais comum com zanidatamabe (grau ≥3 em 24,8%, 20,0% e 12,9%), apesar da profilaxia obrigatória com loperamida no primeiro ciclo. A descontinuação da terapia anti-HER2 por toxicidade ocorreu em 13,3%, 10,5% e 5,6% dos pacientes.

Os autores reconhecem como principais limitações o desenho aberto; o seguimento ainda imaturo para caracterizar a SG do braço zanidatamabe-quimioterapia; e a ausência de participantes dos Estados Unidos ou do Oriente Médio. Por fim, concluem que zanidatamabe com quimioterapia, com ou sem tislelizumabe, prolongou a SLP em relação ao trastuzumabe, e que a associação ao tislelizumabe também prolongou a SG.

Avaliadora científica:

Dra. Luana Alencar Fernandes Sampaio

Oncologista clínica pelo Hospital Sírio-Libanês – São Paulo/SP

Oncologista assistente no Hospital Sírio-Libanês

Título de Especialista em Oncologia Clínica pela SBOC/AMB

Instagram: @luanaaalencar

Cidade de atuação: São Paulo/SP

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Editor
Dr. Ricardo Dahmer
Médico oncologista pelo Icesp. Saiba mais.
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