SBOC Review

TROPION-Breast02: ADC anti-Trop2 em primeira linha em mama triplo-negativa

Título em inglês:

Datopotamab deruxtecan in patients with untreated, advanced triple-negative breast cancer (TROPION-Breast02): a randomised, open-label, international, phase III trial.

Título em português:

Datopotamabe deruxtecana em pacientes com câncer de mama triplo-negativo avançado não tratado (TROPION-Breast02): um estudo randomizado, aberto, internacional, fase III.

Citação:

Dent R, Shao Z, Schmid P, et al. Datopotamab deruxtecan in patients with untreated, advanced triple-negative breast cancer (TROPION-Breast02): a randomised, open-label, international, phase III trial. Ann Oncol. Published online April 3, 2026. DOI: 10.1016/j.annonc.2026.03.008.

Resumo do artigo:

O estudo TROPION-Breast02 comparou datopotamabe deruxtecana (Dato-DXd), um conjugado droga-anticorpo (ADC) anti-TROP2, com a escolha de quimioterapia do investigador como terapia de primeira linha em câncer de mama triplo-negativo (CMTN) localmente recorrente inoperável ou metastático, sem tratamento sistêmico prévio para doença avançada e para o qual a imunoterapia não era uma opção.

O TROPION-Breast02 foi um estudo randomizado, de fase III, aberto, multicêntrico e internacional, com randomização 1:1 para Dato-DXd (6 mg/kg, intravenoso, a cada 3 semanas) ou quimioterapia à escolha do investigador, incluindo paclitaxel, nab-paclitaxel, capecitabina, eribulina ou carboplatina.

Os desfechos primários de eficácia foram sobrevida livre de progressão (SLP) avaliada por revisão central cega e sobrevida global (SG) e, entre os desfechos secundários, taxa de resposta objetiva (TRO) e duração da resposta. Entre maio de 2022 e junho de 2024, 644 pacientes foram randomizadas, das quais 323 para o braço Dato-DXd e 321 para o braço quimioterapia.

A randomização foi estratificada por localização geográfica (Estados Unidos, Canadá e Europa versus outras regiões), intervalo livre de doença (ILD: doença de novo versus ILD de 0–12 meses versus ILD >12 meses) e status de PD-L1. A escolha da quimioterapia dependia do ILD e da exposição prévia a taxano. Não foi permitido crossover; após progressão ou descontinuação, pacientes de ambos os braços puderam receber terapias subsequentes, incluindo ADCs aprovados, a critério do investigador.

A mediana de follow-up do estudo foi de 27,5 meses. Os resultados demonstraram ganho em SLP, com mediana de 10,8 meses com Dato-DXd versus 5,6 meses com quimioterapia, reduzindo em 43% o risco de progressão ou morte (HR 0,57; IC 99% 0,44–0,73; p < 0,0001). O benefício em SLP foi consistente entre os subgrupos avaliados. Para SG, a mediana foi de 23,7 meses para Dato-DXd versus 18,7 meses para o braço quimioterapia (HR 0,79; IC 95,01% 0,64–0,98; p = 0,029). Dentre os desfechos secundários, houve benefício em TRO, de 63% (202 pacientes) com Dato-DXd versus 29% (94 pacientes) com quimioterapia, bem como na mediana de duração da resposta, de 12,3 versus 7,1 meses, respectivamente.

Os eventos adversos relacionados ao tratamento (EA) de qualquer grau ocorreram em 93% (Dato-DXd) versus 83% (quimioterapia), e os de grau ≥3 em 33% versus 29%. Os EA mais comuns foram estomatite (57%), náusea (45%), alopecia (41%) e olho seco (24%) no braço Dato-DXd e, no braço quimioterapia, alopecia (31%), neutropenia (29%) e fadiga (28%). Doença pulmonar intersticial/pneumonite adjudicada como relacionada à droga ocorreu em 9 pacientes (3%) do braço Dato-DXd, incluindo um evento grau 5, cuja morte foi atribuída pelo investigador ao câncer de mama. A descontinuação por toxicidade foi menor com Dato-DXd (4% versus 7%), sem mortes relacionadas ao tratamento em nenhum dos braços.

Como limitações, os autores apontam o desenho aberto, o cenário terapêutico do CMTN em rápida evolução – apenas cerca de 5% das pacientes de cada braço haviam recebido anti-PD-(L)1 prévio – e a baixa proporção de pacientes negras incluídas (cerca de 4%).

Os autores concluem que o Dato-DXd promoveu melhora significativa em SLP e SG em comparação à quimioterapia, com perfil de segurança consistente com o já conhecido para a droga, sustentando seu uso como opção de primeira linha nesse cenário.

Avaliadora científica:

Dra. Vanessa Vila Nova

Residência em Oncologia Clínica pelo Hospital Santa Izabel / Santa Casa da Bahia.

Oncologista clínica da Clínica AMO e do Hospital da Bahia.

Cidades de atuação: Salvador (BA) e Alagoinhas (BA).

Instagram: @dra.vanessavilanova

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Editor
Dr. Ricardo Dahmer
Médico oncologista pelo Icesp. Saiba mais.
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