×

Atenção

JUser: :_load: Não foi possível carregar usuário com ID: 669

Notícias

De Ijuí para o mundo

Notícias Quarta, 27 Junho 2018 20:51
Avalie este item
(47 votos)
Recrutamento, atenção aos pacientes e qualidade dos dados são o foco da equipe médica Recrutamento, atenção aos pacientes e qualidade dos dados são o foco da equipe médica

Cidade de 80 mil habitantes atrai o maior número de estudos clínicos em Oncologia no Brasil

A ideia de mudar o mundo começando por uma real transformação em seu microambiente circula na internet como receita de cidadania. A história de Fábio Franke e de Ijuí representa uma aplicação prática desse conceito na Oncologia brasileira. Sem flertar com assistencialismo. A cidadezinha gaúcha tem 80 mil habitantes. Está a 400 km de Porto Alegre, próxima à fronteira com a Argentina e ao oeste de Santa Catarina. A média de estudos em andamento no Centro de Pesquisa Clínica em Oncologia do Hospital de Caridade de Ijuí (RS) – Oncosite é 20, enquanto unidades de mesmo perfil em São Paulo e no Rio de Janeiro têm de 6 a 10. O aeroporto mais próximo com voo direto para a capital paulista fica a 180 km e já teve avião atolado duas vezes na lama da pista de pouso. Monitores da indústria chegaram a ficar presos nessa situação. Mas eles continuam indo para Ijuí e cada vez mais.

Isso porque, um dia, já especialista em Oncologia Clínica, o Dr. Fábio Franke, filho da terra, voltou para lá. Ajudou a criar no hospital um Centro de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon), em 2003. “O paciente não precisar viajar para longe em busca de um tratamento de câncer, manter o convívio com seus familiares, dormir na própria cama faz toda a diferença”, define. Trabalhando, então, na assistência do Cacon, deparou-se com outra dificuldade: a falta de medicamentos modernos e eficientes para oferecer aos pacientes. “Eu poderia ter me conformado, focado em outra área ou ido embora, mas comecei a pensar em como resolver aquela situação”, narra. E assim nasceu, no ano de 2005, o Centro de Pesquisa Clínica em Oncologia.

Começou a formar, capacitar e treinar pessoas para a equipe. “Você não encontra profissionais de pesquisa clínica no mercado”, constata. Bateu na porta de patrocinadores de estudo, mostrando o que eram capazes de fazer com a estrutura montada. “As pessoas não entendiam muito bem onde era Ijuí, mas, depois de muita insistência, começaram a nos mandar estudos”, lembra. Logo o volume de trabalho cresceu em progressão geométrica. Nesses 13 anos, são 144 estudos registrados no www.clinicaltrials.com e cerca de 2 mil pacientes beneficiados.

De acordo com Franke, a pesquisa clínica é um trabalho de alta pressão. “Você tem que dar respostas rápidas, saber priorizar e não deixar nada para trás.” Para manter a motivação da equipe, passou a incurtir a ideia de que os pacientes atendidos pela pesquisa, com acesso aos mesmos medicamentos de pacientes dos Estados Unidos, da Europa ou do Japão, poderiam amanhã ser os seus familiares ou amigos.

A sensação não se restringiu às enfermeiras, farmacêuticas e demais pessoas da equipe. Ao longo dos anos, toda a cidade já estava identificada com a pesquisa clínica. “Treinamos as equipes de Radiologia, de laboratório, o pessoal da recepção para entenderem que a pesquisa clínica tem toda uma logística diferente. Busquei serviços de transporte de material biológico e para a logística de receber os monitores da indústria farmacêutica”, conta Franke. Segundo o oncologista, desde os funcionários do aeroporto próximo até o motorista de táxi e o garçom do restaurante, todo mundo sabe hoje que tem pesquisa clínica em Ijuí, entende o que é, valoriza e respeita. “O nosso hospital é uma associação, pertence à comunidade. Sempre procuro compartilhar esse orgulho com a população. Construindo e fortalecendo essa rede, as pessoas se sentem parte da conquista.”

Burocracia regulatória

Em 2013, a pesquisa clínica chegou ao fundo do poço no Brasil, na opinião do especialista. “CROs [contract research organizations] fechando, equipes diminuindo, médicos abandonando a pesquisa. O processo regulatório estava extremamente burocrático, difícil e lento. Não conseguíamos participar da maioria dos estudos a tempo.”

Conversando com um paciente sobre essa dificuldade, ouviu dele a sugestão de levar a demanda à senadora Ana Amélia Lemos, com quem tinha amizade. Essa foi a origem do projeto de lei para estabelecer um marco regulatório em pesquisa clínica no Brasil, já aprovado pelo Senado e em tramitação na Câmara.

As idas a Brasília, audiências públicas e todo o diálogo que se abriu com os diversos setores envolvidos fizeram de Franke um defensor da causa e jogaram luz sobre Ijuí como referência em enfrentar as adversidades para fazer pesquisa clínica no país. O oncologista tornou-se vice-presidente para Pesquisa Clínica e Estudos Corporativos da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica na atual gestão e assumiu com a SBOC o desafio de incentivar a criação de centros de pesquisa em outros lugares do Brasil.

A visibilidade para os entraves à realização de pesquisa clínica fez com que os órgãos regulatórios diminuíssem os tempos das aprovações. “Atualmente, conseguimos atrair três vezes mais estudos do que há cinco anos. Mas muito pode melhorar ainda”, enfatiza. O Brasil responde por 2% dos estudos clínicos em Oncologia no mundo. Para Franke, seria possível chegar entre 6% e 8%.

Mesmo em Ijuí, ele considera haver potencial de crescimento, quando ocorrer a desburocratização regulatória e começarem a integrar estudos de fase 1. Com base no parâmetro de países mais desenvolvidos, sua meta é atender 10% dos pacientes oncológicos dentro de protocolos de pesquisa. “É fundamental ter mais tempo para recrutá-los. Ainda recebo estudos com apenas um mês para recrutamento. Já tive três dias, sete dias, 15 dias”, expõe.

Profissionalismo e legado

“Nosso ‘segredo’ em Ijuí é encarar a pesquisa clínica com profissionalismo”, revela o Dr. Fábio Franke. “Não pode ser vista como uma atividade a mais; requer dedicação e foco.” Apesar de ser o coordenador da área assistencial do Centro de Oncologia e preceptor da residência, com uma vaga por ano, na maior parte do tempo atua como investigador principal, gerenciando a equipe, cuidando da qualidade do atendimento e dos dados e buscando novos estudos. “Quando a pesquisa é fragmentada, não se consegue um resultado completo, porque muita coisa se perde.”

O envolvimento direto do investigador principal, segundo o oncologista, é essencial. “Para ter sucesso no recrutamento e ao longo do estudo, você tem que se interessar pelo paciente, conversar com ele, explicar como é aquele protocolo. Também ter a equipe engajada, cada um entendendo o seu papel e o do outro. Isso leva tempo”, relata.

E o crescimento tem seu preço. “Quanto maior o número de estudos, mais somos cobrados em termos de qualidade. É necessário investir em atualização, treinamento; ter força para assumir as responsabilidades.” Outro desafio é não perder o foco do atendimento. “É preciso o tempo todo mostrar para o paciente que você se importa com ele, que ele não é um número.”

Sempre questionam o Dr. Fábio Franke se ele não vai embora. A pergunta até o ofende. “Meu lugar é aqui. Cresci pelo envolvimento com esse trabalho e meu compromisso é com a cidade. Essa é a minha missão e sou muito feliz com tudo o que já fizemos.” Um de seus sonhos é que o trabalho continue sendo feito pelas próximas gerações. Outro é que a pesquisa clínica em Oncologia ganhe novas Ijuís Brasil afora.

Saiba mais sobre as inscrições abertas até 29/06, sexta-feira, a jovens oncologistas para o Programa de Capacitação em Pesquisa Clínica da SBOC, a ser realizado em Ijuí.

Ijui Pesquisa Clinica equipe

Equipe de Pesquisa Clínica em Oncologia: conquistas compartilhadas

Última modificação em Quarta, 27 Junho 2018 20:58

27 comentários

  • Link do comentário Lilian Maria Knack Portella Sexta, 29 Junho 2018 11:12 postado por Lilian Maria Knack Portella

    Estou muito feliz e esperançosa q o centro veio para desmistificar a forma de tratamento..
    Tenho uma pessoa muito px q faz o tratamento e vejo a cada dia sua evolução e muito positiva pq não se olha o cliente como um. Número e sim uma. Cliente.
    Parabéns.

    Relatar
  • Link do comentário Maria de Lourdes Lenz Sexta, 29 Junho 2018 10:04 postado por Maria de Lourdes Lenz

    Parabéns Dr. Fabio pela iniciativa e oportunidade para os pacientes e profissionais!!!

    Relatar
  • Link do comentário João Terra Sexta, 29 Junho 2018 02:18 postado por João Terra

    Parabéns ao Dr. Fábio, é o meu médico, um profissional que transmite confiança e tem uma psicologia toda especial ao tratar o paciente, ele torna o mundo melhor. Só uma observação, tem aeroporto com vôos regulares para POA a 40 km, em Santo Angelo.

    Relatar
  • Link do comentário URIEL VIECILI Quinta, 28 Junho 2018 21:41 postado por URIEL VIECILI

    Meus efusivos parabéns ao Dr. Fábio e toda a equipe do HCI com quem tive o privilégio de compartilhar durante mais de uma década e participando da criação deste CACON que se projeta como expoente e modelo em Oncologia no Brasil.
    Forte abraço a todos.

    Relatar
  • Link do comentário Luiz Carlos Burmann Quinta, 28 Junho 2018 20:21 postado por Luiz Carlos Burmann

    Conheço o Dr Fábio , quando ainda era residente no Hospital Conceição,e já via que era um profissional diferenciado,o que está se confirmando,por isso o sucesso desse profissional era questão de tempo, parabéns Dr.Fabio,pelo que está fazendo pela oncologia, brasileira, abraços.

    Relatar
  • Link do comentário Carin Bogado Petry Quinta, 28 Junho 2018 12:42 postado por Carin Bogado Petry

    Parabéns dr Fábio Franke e equipe!! Além de excelente profissional é um ser humano iluminado. Agradeço imensamente ao tratamento e acolhimento humanitário do Cacon Ijui.

    Relatar
  • Link do comentário Vera regina manica Quinta, 28 Junho 2018 11:24 postado por Vera regina manica

    Agradeço ao cacon...meu pai fez todo o tratamento e acompanhamento da doença no cacon...infelizmente a doença venceu. Mas nao p8r fakta de atendimento ou atenção dos profissionais.E hoje nao diferente minha mae faz acompanhamento e tratamento do câncer no cacon.
    Tmbm sou profissional da saude em um hospital na capital gaúcha mas confio e sei que ela está conosco graças ao tratamento que faz lá no HC.
    Obrigada a toda a equipe CACON!
    ATT.

    VERA REGINA MANICA

    Relatar

Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.

Pesquisar