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Você sabe quantos oncologistas havia em Roraima dez anos atrás? Nenhum. Hoje são três. E são três também os ensaios clínicos fase 3 em andamento no Estado, dois em Oncologia (avaliação das mulheres que tiveram câncer de colo de útero e pesquisa de imunoterapia para câncer de bexiga) e outro em Infectologia (vacina contra a dengue). O oncologista clínico Allex Jardim da Fonseca, membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) é de Niterói (RJ) e decidiu ir para Boa Vista (RR) depois de sofrer três assaltos no Rio de Janeiro. Ele e a esposa, neurologista, decidiram buscar trabalho longe da violência das grandes cidades. A oportunidade veio por meio do projeto Expande, do Instituto Nacional de Câncer (Inca). “Hoje agradecemos ao ladrão”, brinca o oncologista clínico. Em Roraima desde 2007, ele fez mestrado, doutorado e pós-doutorado. Já soma 15 artigos publicados sobre a experiência no norte do país.
Para uma das pesquisas, o Dr. Allex visitou 13 aldeias indígenas de avião monomotor. Os achados foram impactantes: as variantes genéticas do Papilomavírus Humano (HPV) identificadas nas índias da aldeia Yanomami têm origem asiática, e não europeia. Segundo o oncologista, isso sugere que o vírus vem coevoluindo com esse grupo étnico há milênios. “As civilizações pré-colombianas trouxeram o HPV durante a migração Ásia-América na última era glacial, há aproximadamente 15 mil anos”, conta o Dr. Allex. “Isso quebra um paradigma de que todas as doenças infecciosas dos indígenas haviam sido trazidas pelos europeus”, completa. Leia o artigo aqui.
Outro trabalho publicado buscou elucidar as causas da baixa adesão à vacina contra o HPV. O Dr. Allex ressalta que houve divergências na comparação entre escolas públicas e privadas. “Enquanto nas públicas, onde a adesão foi substancialmente maior, foram mais frequentes posturas passivas dos pais, como desconhecer a vacina, esquecer ou não ter tempo, nas particulares surgiram motivos como percepção de que a vacina é de má qualidade, medo de induzir comportamento sexual de risco ou iniciação precoce da vida sexual”, relata. Confira também esse artigo.
O centro de pesquisa onde trabalha o Dr. Allex Jardim foi inaugurado em 2015 como parte da estrutura da Universidade Federal de Roraima (UFRR). Também atuam lá as doutoras Cibelli Navarro, outra indicada pelo Inca, e Daliane Renale, formada em medicina pela UFRR e em Oncologia Clínica pelo Hospital Amaral Carvalho, de Jaú (SP). “Atuamos juntos na assistência e na pesquisa”, orgulha-se o médico.
Em matéria exclusiva para o portal UOL, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) divulgou que 52% das mulheres no Brasil não fazem o Papanicolau, exame preventivo do câncer de colo de útero. Os Estados com índices mais baixos são Rio Grande do Norte (25%), Roraima (27%), Mato Grosso (27%), Tocantins (27%) e Bahia (29%). Os números fazem parte de uma pesquisa da instituição sobre os hábitos do brasileiro em relação ao câncer. De acordo com as pessoas ouvidas, os principais motivos para não realizar o exame são não ter plano de saúde e falta de tempo. Um quinto das entrevistadas diz não julgar necessário fazer o exame e 10% desconhecem o câncer de colo de útero. “A negligência é preocupante”, afirmou a Dra. Andreia Melo, diretora da SBOC, ao UOL. A oncologista lembra que o exame é capaz de reduzir em até 80% a incidência do câncer de colo de útero. “É um procedimento simples, que consegue rastrear lesões pré-invasoras para que possam ser devidamente tratadas antes que o tumor se desenvolva.” Leia a reportagem (texto): http://bit.ly/2D2K1wP
Veja outras matérias sobre o assunto veiculadas recentemente:
Jornal da Band (vídeo): http://bit.ly/2DCP0BZ
Claudia (texto): http://abr.ai/2FJbQZq
CBN Ribeirão (áudio): http://bit.ly/2D79EJt
Entrevista com a Dra. Maria Del Pilar Estevez Diz no Facebook da VEJA: http://bit.ly/2B9oHkj.
Até hoje, 15 de janeiro, é possível sugerir ao Ministério da Saúde medicamentos oncológicos para transferência de tecnologia e produção nacional. A medida pode garantir custos mais acessíveis das drogas que forem aprovadas e maior chance de incorporação ao SUS. A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) está participando com uma série de sugestões de medicamentos essenciais para o tratamento de qualidade dos pacientes com câncer. Qualquer profissional pode participar da consulta pública pelo link http://bit.ly/2qYay9G.
O presidente da SBOC, Dr. Sergio Simon, lembra que os pacientes atendidos pelo serviço público têm muito menos acesso a medicamentos fundamentais ao tratamento em comparação com os que possuem planos de saúde. “Esta é uma realidade dolorosa para todos: a separação da população em dois grupos de cidadãos: o da saúde suplementar, seguindo o rol da ANS, e o da saúde pública, com muito menos acesso a drogas que realmente podem fazer diferença”, afirma.
“Se o Estado reconhece seu dever constitucional de prover tratamento, bem como o direito do cidadão de ser tratado, como explicar que em 2018 um paciente com melanoma maligno com mutação BRAF V600E tratado no serviço público receba dacarbazina como única opção terapêutica, enquanto um paciente com o mesmo quadro, tratado na saúde suplementar, receba seu bloqueador de BRAF? Ou que um paciente com adenocarcinoma de pulmão com del exon 19 do EGFR seja submetido a quimioterapia e não tenha os benefícios de um dos inibidores de tirosina cinase? (sim, os TKIs teoricamente são aprovados, mas não cabem na APAC!) Ou que um paciente com carcinoma de células renais não tenha à disposição nem pazopanibe nem sunitinibe no serviço público, sendo tratados com interferon?”, questiona o presidente da SBOC.
De acordo com o Dr. Sergio Simon, a SBOC está participando dessa consulta pública para que pelo menos algum tipo de medicamento atual seja introduzido em patologias para as quais o sistema público não proporciona tratamento eficaz. “A expectativa é, assim, poder diminuir o abismo entre a qualidade dos cuidados oncológicos no SUS e na saúde suplementar”, destaca. “Esperamos sinceramente contar com a boa vontade do Ministério da Saúde para que essa desigualdade de acesso diminua nos próximos anos.”
Pertuzumabe: avanço recente
O oncologista cita a incorporação do pertuzumabe em primeira linha para pacientes com câncer de mama HER2+ metastático, associado à trastuzumabe, como um avanço recente. O Dr. Sergio Simon escreveu uma carta ao ministro da Saúde, Ricardo Barros, congratulando-se com a medida.
“Tal passo é fundamental para a melhoria dos resultados do tratamento das pacientes, uma vez que essa associação de anticorpos aumenta significativamente a sobrevida geral em cerca de 16 meses. A iniciativa revela a disposição deste Ministério em melhorar o atendimento das pacientes tratadas no SUS, proporcionando um tratamento eficaz e atual para as mulheres brasileiras com câncer de mama”, diz o texto.
O presidente enfatizou também, no documento, que a SBOC está à disposição para ajudar o Ministério da Saúde a considerar a incorporação de novas terapias para os pacientes portadores de neoplasias ainda sem possibilidade terapêutica no sistema público.
Apesar de o brasileiro conhecer os riscos da exposição solar excessiva, pouco se previne contra o câncer de pele. Em entrevista à CBN Brasília, a Dra. Andréia Melo, diretora da SBOC, explica o porquê dessa dificuldade de converter o conhecimento em atitude. Além disso, a oncologista clínica reforça orientações como proteger-se também nos dias nublados, reaplicar o filtro solar durante o dia, não esquecer das regiões periféricas como orelhas, pés e couro cabeludo, notar manchas e lesões suspeitas em lugares do corpo fora do campo de visão da própria pessoa e não utilizar óleos bronzeadores. A especialista esclarece que pessoas de pele mais escura são igualmente suscetíveis a desenvolver câncer de pele, inclusive o tipo mais agressivo, o melanoma. “A chance de desenvolver melanoma está diretamente relacionada ao número de vezes em que ficamos vermelhos por queimadura solar durante a nossa vida”, afirma a médica. A duração do áudio é de 15 minutos. Confira.
De 26 a 29 de dezembro de 2017, os escritórios nacionais da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) não terão atendimento presencial ou por telefone.
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Desejamos a todos boas festas e um excelente Ano Novo!
Publicar na Brazilian Journal of Oncology (BJO) é um investimento. Esta é a mensagem que o corpo editorial da publicação científica divulgará entre seus pares com veemência a partir de 2018. A força-tarefa tem como objetivo atrair artigos originais de qualidade e, com isso, alcançar a indexação no Pubmed, principal base de dados médicos e científicos do mundo. De acordo com a nova editora executiva do periódico, Dra. Rachel Riechelmann, membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), a expectativa é que todos os trabalhos publicados na BJO, desde a primeira edição, sejam indexados retrospectivamente quando a revista entrar no Pubmed. “É um grande estímulo para que os autores submetam seus artigos desde agora e estejam alinhados conosco para o cumprimento dessa meta”, diz a editora.
O Dr. Gustavo Fernandes, que assume o cargo de editor-chefe de Oncologia Clínica no periódico, explica que a regras atuais contemplam essa indexação retrospectiva de todos os trabalhos publicados. Vice-presidente de Relações Nacionais e Internacionais da SBOC, ele trabalhará ao lado da Dra. Rachel e dos editores-chefes de Radioterapia, Dr. Harley Francisco de Oliveira, e de Cirurgia Oncológica, Wilson Luiz da Costa Jr. A partir de 2018, a BJO aceitará somente artigos em inglês. Aqueles publicados anteriormente em português serão traduzidos.
“Desde o lançamento da Brazilian Journal of Oncology, há um ano, trabalhamos para construir uma revista à altura da oncologia brasileira, de forma que seja também um veículo agregador e impulsionador da nossa pesquisa”, diz a Dra. Cinthya Sternberg, diretora executiva da SBOC e que atuou como editora executiva e editora de Oncologia Clínica da publicação neste período. “É muito gratificante constatar o comprometimento de toda a equipe e passar o agora bastão para os novos editores; certamente terão muito sucesso.”
Oportunidade
De acordo com a Dra. Rachel Riechelmann, a Brazilian Journal of Oncology representa uma oportunidade única para que os autores brasileiros tenham seus artigos aceitos em uma publicação open access – isto é, sem custo para submissão nem para o acesso dos leitores – de grande potencial. “Com a indexação, a visibilidade da revista aumentará dramaticamente, o que fortalece o periódico e, consequentemente, seus autores. Para chegar lá, precisamos de artigos originais de qualidade”, convida a editora executiva.
A união das três especialidades – Oncologia Clínica, Radioterapia e Cirurgia Oncológica – é mais um diferencial da BJO, ao favorecer as submissões de cada uma delas em um periódico mais robusto. “Sabemos que ter um artigo aceito em uma revista internacional é muito mais difícil porque a demanda é maior e a prioridade são autores dos países de origem desses periódicos”, comenta a Dra. Rachel. “A Brazilian Journal of Oncology representa uma excelente oportunidade nesse sentido e também contribui para fortalecimento da pesquisa nacional, refletindo as nossas particularidades”, enfatiza.
Além dos autores brasileiros, a ideia é atrair trabalhos de pesquisadores de outros países da América Latina. Segundo o Dr. Gustavo Fernandes, hoje não existe no continente um periódico de oncologia indexado ao Pubmed. “A mesma energia que dedicamos no sentido de tornar a SBOC mais dinâmica e atraente colocaremos agora para fazer crescer a BJO”, diz o oncologista, presidente da SBOC na gestão 2015-2017. O médico conta que as pessoas que já integraram soluções para outros desafios da SBOC estão sendo convidadas também a participar mais ativamente da revista. “É uma iniciativa que envolve credibilidade. Precisamos alcançar colegas que confiem no futuro da publicação”, resume.
Na opinião das estudantes de medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro Nathalia Lopez Duarte e Aline de Souza Busnardo, falta informação para a população sobre a gravidade do câncer de pele. Elas e outros alunos que integram a Liga Acadêmica de Hematologia e Oncologia (LAHO) e de Dermatologia (LAD) da UFRJ produziram um vídeo animado de menos de três minutos para explicar as principais formas de prevenção primária (evitar a exposição excessiva ao sol) e secundária (identificar precocemente lesões suspeitas). A professora da UFRJ e membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) Maria de Fátima Dias Gaui conta que são frequentes atendimentos a pacientes com carcinomas de pele tão grandes, negligenciados por tanto tempo, que levam a cirurgias mutiladoras e até se tornam irrescecáveis. A iniciativa está alinhada com a campanha Dezembro Laranja.
Embora seja o tipo de neoplasia mais frequente no Brasil, o câncer de pele também é um dos que têm medidas de prevenção mais efetivas. O paradoxo pode ser explicado pela falta de conscientização das famílias, cultura do corpo bronzeado, trabalhadores expostos ao sol durante sua jornada e dificuldade de acesso ao sistema de saúde para rastreio e tratamento. A infância é um período crítico, mas a prevenção deve ocorrer durante toda a vida. Nathalia acredita que os médicos de família deveriam ser treinados para o rastreio e para orientar quanto a medidas de prevenção primária, de acordo com a realidade das pessoas atendidas. A acadêmica conta que, de certa forma, o vídeo serviu de ferramenta para isso. Aline reforça que, além de utilizar uma linguagem simples, o vídeo mostra medidas simples de prevenção como usar mangas compridas e chapéu de aba larga. “O protetor solar é caro e não está disponível pelo sistema público de saúde, infelizmente”, diz Nathalia.
Atitudes transformadoras
O vídeo explica ainda as características das pintas e manchas que podem ser consideradas suspeitas. A ideia é que as pessoas façam o autoexame e procurem o agente de saúde ou uma unidade de saúde se encontrarem uma possível lesão para encaminhamento ao dermatologista. O diagnóstico precoce é essencial para a cura. “Cada vez mais o ensino médico leva em consideração a promoção da saúde e a prevenção da doença”, frisa Aline. “Para nós, internos, é muito gratificante pois já conseguimos aplicar o conhecimento. Não precisamos esperar nossa formação como especialistas para fazer algo de relevante pelos pacientes; conseguimos isso desde já”, pontua.
Na opinião da Dra. Maria de Fátima Gaui, que orientou o trabalho, os alunos ficam muito mais interessados quando estão em contato a real necessidade da população. “O conhecimento se aplica e se consolida. Eles conseguem entender o impacto dessas medidas e ficam bastante sensibilizados”, afirma. “É difícil as pessoas adotarem medidas preventivas em seu dia a dia, mesmo diante da gravidade do câncer de pele. Estamos perdendo algo nessa comunicação. O vídeo é uma iniciativa bem-vinda de esforço para transformarmos essa realidade”, finaliza a professora.
A Globonews noticiou esta semana o início da realização do teste de origem tumoral (TOT) por um laboratório brasileiro. O Dr. Jorge Sabbaga, membro da SBOC, participou ao vivo respondendo dúvidas após a exibição da reportagem. Ele esclareceu que esse teste se aplica aos pacientes com metástase em que a origem do tumor é desconhecida. “As estratégias de tratamento, seja cirúrgico, radioterápico ou quimioterápico, são absolutamente dependentes da origem do órgão onde o câncer se instalou primeiro”, afirmou.
O teste levou sete anos para ser desenvolvido e agora já está disponível, por meio de parceria, aos pacientes do Hospital de Câncer de Barretos que tiverem essa indicação. O resultado sai em 10 dias, tempo bem mais curto do que quando o material genético precisava ser enviado para laboratórios dos EUA. Segundo a reportagem, estima-se que todos os anos, no Brasil, há 30 mil novos casos de câncer de origem desconhecida. “O teste genético utiliza algoritmo e inteligência artificial para avaliar 95 genes e cruzar essas informações com um banco de dados que analisa 4,5 mil padrões genéticos de diferentes tipos de câncer. Serve para o diagnóstico quando não se sabe a origem primária e também para confirmar a origem do tumor em caso de dúvida diagnóstica”, diz a pesquisadora Jeane Tsutsui.
Assista ao vídeo completo: https://glo.bo/2kz7ATz
Em janeiro, os caminhões do programa Cuide-se + Prevenção do Câncer completarão quatro anos de estrada no Paraná. Até o final de outubro, o número de pessoas atendidas era de 46,5 mil. A iniciativa do Sistema Fiep, por meio do Sesi PR, inclui exames de PSA (15,6 mil), avaliação de pele (29,2 mil), Papanicolaou (15,5 mil) e mamografia (9,3 mil). As ações ocorrem em indústrias, cooperativas rurais e espaços organizados por prefeituras e clubes; 948 instituições já participaram. De 2014 a 2016, 884 casos foram encaminhados como suspeitos para centros de referência,13 deles confirmados, todos em estágio inicial. As histórias são emocionantes. Assista a uma delas clicando aqui.
O Hospital Erasto Gaertner, centro de referência no tratamento de câncer no Estado, localizado na capital Curitiba, recebe a maior parte dos encaminhamentos para exames complementares e eventual confirmação do diagnóstico de câncer de próstata, de pele, de colo do útero ou de mama. Outros parceiros do Cuide-se + são o Hospital UOPECCAN, em Cascavel e Umuarama, regiões oeste e noroeste do Paraná, respectivamente, e o CEONC Hospital do Câncer, também em Cascavel.
O Cuide-se + começou com apenas um caminhão. Hoje, o programa, que só existe no Paraná, tem três caminhões rodando de segunda a sexta-feira. Cada equipe é composta por um motorista, duas enfermeiras e um técnico de radiologia, que têm o suporte dos médicos clínicos nas unidades do Sesi. Os laudos dos exames são feitos em laboratórios credenciados. O programa é custeado por recursos do chamado Sistema S (1,5% sobre a folha de pagamento dos trabalhadores da indústria) e por um valor pago a cada exame pela empresa ou instituição que agenda o serviço. A iniciativa não tem fins lucrativos e passa por quatro auditorias anuais.
A coordenadora do programa, Fabiana Tozo, conta que é frequente participarem mulheres de mais de 50 anos que nunca haviam feito um exame como esses (confira nesse vídeo). Os profissionais do Cuide-se + têm notado que, em boa parte das cidades, falta estrutura e incentivo para que os moradores sejam atendidos em outas localidades. “Muitas vezes, o mamógrafo mais próximo está a 120 km; as mulheres têm receio de faltar no trabalho para fazer exames em outra cidade”, relata Fabiana. “Em outros casos, o marido não deixa ela se consultar se o médico for homem”, exemplifica.
Mais que exames
De acordo com o diretor técnico do Hospital Erasto Gaertner, Dr. João Soares Nunes, esse tipo de ação itinerante para rastreamento oportunístico de câncer tem grande valor. As empresas ou instituições que recebem o caminhão desencadeiam uma campanha prévia, conscientizando aquele público sobre a importância da prevenção e criando um ambiente propício para que as pessoas participem, por meio do apoio mútuo entre colegas, amigos e familiares. “A mobilização em torno das carretas contagia as pessoas. Elas se sentem fortalecidas e menos tímidas. Quebra-se uma barreira cultural e cria-se um movimento muito importante em termos de prevenção”, avalia.
O oncologista clínico explica que, na comunidade científica, há críticos do rastreamento oportunístico em razão de estudos publicados nos quais esse tipo de ação não conseguiu atingir seu objetivo principal: reduzir a mortalidade por câncer. “Mas Barretos, por exemplo, onde já atuei, faz esse trabalho há décadas em seu entorno, num raio que abrange cerca de 600 mil habitantes, e os casos de câncer são estádio I na grande maioria, ao contrário do que acontece em outras cidades próximas, mas não assistidas pelas carretas, onde prevalecem os tumores avançados”, relata. O Dr. João Nunes faz uma comparação com o sistema de transporte: “Não dá para afirmar que o trem é mais importante que o ônibus; ambos têm o seu papel, assim como nas estratégias de rastreamento e prevenção”.
Além da realização dos exames, Fabiana Tozo informa que, no Cuide-se +, são fornecidas orientações de saúde, materiais explicativos e preservativos. “Quanto mais as pessoas falarem sobre câncer e aprenderem a se prevenir, mais casos avançados da doença serão evitados”, acredita. O programa tem despertado interesse. Algumas empresas já chamaram os caminhões pelo terceiro ano seguido. Segundo Fabiana, é uma forma de cuidar dos colaboradores quando não oferecem planos de saúde. Há ainda aquelas que ficam sabendo da ação do concorrente e também querem oferecer o serviço aos seus funcionários. “Outra situação comum é trabalhadores que participaram pela primeira vez cobrarem a empresa no próximo ano”, diz a coordenadora.
Está em curso a maior pesquisa sobre prevalência da infecção pelo papilomavírus humano (HPV) e seus tipos na população brasileira e nas diferentes regiões do país. A título de prestação de contas ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (PROADI-SUS), que financia o estudo, o Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre (RS), apresentou resultados preliminares há poucos dias. Até 30 de outubro, 35,2% (n=2.669) das amostras coletadas foram testadas para presença do HPV e analisadas genotipicamente para definição dos tipos virais. A prevalência estimada de HPV foi de 54,6%, sendo que o HPV de alto risco para o desenvolvimento de câncer foi encontrado em mais de um terço dos indivíduos pesquisados (38,4%). Outro dado preocupante é que 16,1% dos participantes do estudo disseram já ter tido uma infecção sexualmente transmissível antes ou apresentaram resultado positivo no teste rápido para HIV ou sífilis.
Até essa fase da pesquisa, a amostra total soma 5.812 mulheres e 1.774 homens de 16 a 25 anos com vida sexual ativa. A médica epidemiologista Eliana Wendland, coordenadora do estudo, conta que 90% das coletas já foram realizadas. Das 27 capitais brasileiras, faltam 10 concluírem as suas metas. A previsão é de que os dados consolidados referentes às amostras genitais e às variáveis sociodemográficas, comportamento sexual, saúde reprodutiva e infecções sexualmente transmissíveis sejam divulgados em abril de 2018. Também estão sendo avaliados o conhecimento e as atitudes acerca do HPV, vacinação e exame Papanicolaou, bem como doenças relacionadas ao vírus.
Embora tenham sido apresentados dados por cidade nessa fase preliminar, a Dra. Eliana explica que a quantidade de amostras processadas até outubro é representativa para o contexto nacional, mas insuficiente para comparações entre as regiões brasileiras, por exemplo.
Vacinação
Outro objetivo do estudo é obter dados para avaliação futura do impacto do Programa Nacional de Vacinação contra o HPV, implantado no Brasil em 2014 e ampliado este ano para os meninos. Os resultados servirão como um painel inicial para comparações e avaliação da efetividade da imunização. “A divulgação dessas primeiras conclusões é mais uma oportunidade para chamarmos a atenção da população quanto à importância da vacina, que é gratuita, segura, protege contra câncer de colo do útero, da vulva, da vagina e de ânus”, frisa a Dra. Andréia Melo, diretora da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC).
A vacina está disponível em todo o país para meninas de 9 a 15 anos incompletos; meninos de 11 a 14 anos; e pessoas de 9 a 26 anos imunodeprimidas. A cobertura tem sido tão aquém da meta de 80% que, em agosto, o Ministério da Saúde autorizou que pessoas de 16 a 25 anos também fossem vacinadas nos locais onde havia estoque próximo da data de validade. Os dados oficiais dão conta de que a cobertura vacinal acumulada para o período de 2014 a junho de 2017 para meninas é de 46,2% (segunda dose). Já a de meninos está em 20,2% (primeira dose).
De acordo com a Dra. Eliana Wendland, a ideia é repetir o estudo em 2020, com pessoas nessa mesma faixa de 16 a 25 anos, para medir o impacto da vacinação. A Dra. Andréia Melo pontua que talvez seja necessário um intervalo de tempo maior para essa aferição. “Mas, com certeza, toda essa iniciativa é muito válida e terá uma repercussão importante, inclusive internacionalmente”, afirma.
Câncer de orofaringe e HPV
Um diferencial do estudo é que foram colhidas amostras orais, além das genitais, para ajudar os cientistas de todo o mundo a entender melhor a relação entre o HPV e as neoplasias da cavidade oral. O Dr. Daniel Sperb, cirurgião de cabeça e pescoço do Hospital Moinhos de Vento, explica que o câncer de orofaringe é historicamente relacionado ao consumo de tabaco e álcool, mas que tem aumentado o número geral de casos pelo forte aparecimento do HPV como fator de risco. “Será fantástico sabermos qual a prevalência e o tipo de HPV mais frequente nessa amostra de população sadia para compararmos com os pacientes que têm o tumor”, afirma. Na visão do especialista, o estudo e seus desdobramentos poderão ajudar a entender cofatores associados ao desenvolvimento desses tumores atualmente relacionados ao HPV.
Segundo a Dra. Eliana Wendland, epidemiologista que coordena a pesquisa, os dados referentes às amostras orais devem ser divulgados até o fim de 2018. “Será muito importante conhecermos melhor essa doença e seus fatores de risco”, comenta a Dra. Fernanda Casarotto, médica do Núcleo de Cabeça e Pescoço do Serviço de Oncologia do Hospital Moinhos de Vento. “Do ponto de vista epidemiológico, as estratégias de prevenção que podem vir a ser traçadas a partir dessas informações poderão ter um enorme impacto clínico, social e econômico”, pontua.
A oncologista acrescenta que, em relação ao tratamento, as conclusões da pesquisa também podem servir de base para novos estudos clínicos de drogas mais efetivas e menos tóxicas. “Já tivemos recentemente novidades no estadiamento, com a nova seção para casos HPV-positivos na classificação TNM. É possível que, em breve, avancemos ainda mais”, diz a Dra. Fernanda.
Atenção primária
O estudo chama a atenção também pela capacidade de articulação de seus organizadores. Para investigar quase 8 mil pessoas nas 27 capitais brasileiras foram envolvidas 119 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e um Centro de Testagem e Aconselhamento, com a colaboração de mais de 250 profissionais de saúde. Cada participante passou por entrevista a respeito de diversos aspectos sociodemográficos e outros relacionados às infecções sexualmente transmissíveis e tem amostras orais e genitais colhidas. “É uma prova de que, quando o tema é de interesse, o sistema de saúde e a comunidade científica conseguem se organizar para um trabalho de fôlego”, comenta a Dra. Andréia Melo. “É uma iniciativa importantíssima do ponto de vista de saúde pública, considerando que o número de casos de câncer relacionados ao HPV é grande e crescente”, destaca.
“Quando tivermos 100% das amostras coletadas e processadas, as informações serão devolvidas às UBSs participantes, aos gestores municipais e às coordenadorias do Ministério da Saúde para a elaboração de estratégias mais eficientes para a prevenção desses diversos tipos de câncer causados pelo HPV”, conclui a Dra. Eliana Wendland, coordenadora da pesquisa.
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