
A Presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Dra. Clarissa Baldotto, defendeu nesta quarta-feira, 1.o de abril, a integração de esforços entre ciência, políticas públicas e prática clínica como o caminho fundamental para transformar o cenário do câncer de pulmão no Brasil. Durante o lançamento de um estudo inédito para a implementação do rastreamento da doença no Sistema Único de Saúde (SUS), realizado no Auditório Ivo Pitanguy, no Rio de Janeiro (RJ), a oncologista destacou a complexidade de tirar um projeto dessa magnitude do papel.
Dra. Clarissa ressaltou que, embora o combate ao tabagismo seja a forma mais eficaz de prevenção, o sistema de saúde não pode ignorar a fragilidade das pontas de atendimento, sendo imperativo oferecer tratamento adequado e diagnóstico precoce para quem já necessita de cuidado especializado.
Em sua fala, a Presidente da SBOC enfatizou que o rastreamento de câncer de pulmão é uma das políticas de saúde mais complexas a serem estabelecidas. “É muito inocente a gente achar que é só ter uma tomografia. Temos que ter toda uma linha de cuidado que é mais desafiadora do que muitos outros programas de rastreamento, mas o impacto pode ser substancial”, declarou.
Ela celebrou a união das sociedades médicas e instituições para provar a custo-efetividade da estratégia, afirmando que iniciar essa jornada por meio de um projeto de pesquisa é a forma mais legítima de desenhar uma implantação segura para a realidade brasileira. Dra. Clarissa, por fim, colocou a SBOC à disposição do projeto, reforçando que o impacto de um rastreamento bem executado pode ser decisivo para reduzir a mortalidade da doença.
O estudo
O evento, que reuniu representantes do Ministério da Saúde, INCA, Fiocruz e da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, formalizou o início de uma pesquisa que avaliará a viabilidade da implementação de um programa de rastreamento de câncer de pulmão no SUS.
O estudo será conduzido pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) ao longo de dois anos e terá como foco inicial um grupo de quase 400 pacientes selecionados através do Programa de Cessação de Tabagismo da Secretaria Municipal do Rio de Janeiro. A iniciativa tentar responder aos dados epidemiológicos apresentados no evento, que mostram o câncer de pulmão como a principal causa de morte por tumores no país. Atualmente, cerca de 84% dos casos brasileiros são descobertos em estágios avançados, o que reduz drasticamente as chances de sobrevivência dos pacientes.
A iniciativa, que será financiada pela biofarmacêutica AstraZeneca, busca criar as diretrizes nacionais para o sistema de saúde identificar o tumor em fases iniciais. O protocolo de pesquisa seguirá critérios rígidos de elegibilidade, focando em pessoas entre 50 e 80 anos com histórico de carga tabágica elevada.
O pesquisador principal do projeto será o Dr. Arn Migowski do Santos, médico epidemiologista da Coordenação de Pesquisa e Inovação do INCA e também membro do Comitê de Prevenção e Rastreamento da SBOC. Além dele e da Dra. Clarissa, participaram da cerimônia o diretor-geral do INCA e ex-presidente da SBOC (Gestão 2003-05), Dr. Roberto de Almeida Gil, o subsecretário municipal de Atenção Hospitalar, Urgência e Emergência do Rio de Janeiro, Daniel da Mata, o Presidente da Aliança de Combate ao Câncer de Pulmão – entidade que conta com apoio da SBOC –, Dr. Gustavo Prado, e o diretor médico da AstraZeneca, Dr. Danilo Lopes.
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