
A Presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Dra. Clarissa Baldotto, participou hoje, 26 de maio, de audiência pública na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), para discutir a atenção integral ao câncer de pulmão no Brasil e os desafios relacionados ao diagnóstico, ao tratamento e ao financiamento da doença no Sistema Único de Saúde (SUS).
A oncologista clínica, que tem forte atuação nesta subespecialidade, realizou um panorama dos 20 anos da doença, que considera que pode dar um panorama da evolução da oncologia neste período, com intervenções efetivas em prevenção primária, com combate ao tabagismo, e secundária, com programas de rastreamento, e com evolução no tratamento, com tratamentos novos e sistêmicos como terapias-alvo e imunoterapias.
Apesar do progresso observado, promover o acesso amplo a essas tecnologias ainda é um desafio. “Temos no Brasil um degrau enorme. Precisamos avançar na oferta de diagnósticos e tratamentos mais efetivos. Não adianta oferecermos uma quimioterapia genérica, sem diagnóstico correto, vamos gastar recursos à toa”, afirmou.
Há drogas hoje, como o brigatinibe – prestes a ser incorporado pelo sistema público – que, segundo Dra. Clarissa, permitem que pacientes com doença metastática vivam por muitos anos com vida plena e produtiva. “São pacientes que recebem diagnóstico correto e recebem a medicação adequada”, apontou.
Entre outros tópicos, a Presidente da SBOC reforçou a necessidade de reforçar a prevenção primária, diante de um cenário de crescimento do tabagismo – convencional ou em dispositivos eletrônicos – e fez um importante alerta: cada vez mais crescem os casos de câncer de pulmão em pessoas que não fumam. Em números absolutos, salientou, é mais provável ter um caso de câncer de pulmão em alguém quem não fuma do que um câncer de pâncreas.
“Parece raro, mas não é. É triste receber um paciente que passou meses em postos e hospitais, mas que por não fumar ninguém pensou que poderia ser câncer de pulmão. Muitos profissionais de saúde ainda não têm consciência desse impacto e essa população, por vezes, fica esquecida com impacto social alto”, completou Dra. Clarissa, que antes de finalizar sua intervenção reforçou a posição da SBOC como parceira do poder público na proposição de soluções para estes problemas.
O debate foi realizado em parceria pelas Comissões de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa; e de Prevenção e Combate ao Câncer, AVC e Doenças do Coração. Segundo o deputado Weliton Prado, responsável pela realização da audiência, o Brasil precisa fortalecer as estratégias de prevenção em relação ao câncer de pulmão, neoplasia que mais causa mortes no país e no mundo.
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