
Representantes da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) deram um relevante passo na disseminação do “Índice de Priorização e Direcionamento da SBOC para Incorporação de Medicamentos no SUS e Saúde Suplementar”, ao apresentarem o documento na 11ª reunião administrativa Comissão de Atualização do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde Suplementar (Cosaúde) nesta quinta-feira, 30 de abril.
Foi uma ocasião importante para que os oncologistas clínicos pudessem mostrar aos membros da Comissão o trabalho que tem sido desenvolvido internamente na Sociedade, como declarou a Diretora-Executiva da Sociedade, Dra. Marisa Madi. “Este é um processo de amadurecimento e qualificação da participação dos especialistas nos fóruns de avaliação de tecnologias em saúde e o Índice tem sido muito importante para o nosso objetivo”, analisou.
Presidente da SBOC, Dra. Clarissa Baldotto, reforçou a posição e lembrou que o Índice é resultado do trabalho e da demanda de diversos membros da entidade. “Nós temos Comitês Técnicos que estão no processo de avaliação e aprimoramento do documento, que é um projeto sempre em construção. Por isso, sugestões são sempre bem-vindas”, afirmou a oncologista clínica, antes de colocar a Sociedade à disposição da Cosaúde para colaborações.
A Cosaúde é composta por representantes indicados pelos membros da Câmara de Saúde Suplementar (CAMSS) e seu principal objetivo é assessorar a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) na definição da amplitude da cobertura assistencial no âmbito do setor privado.
O Índice de Priorização
A apresentação do “Índice de Priorização e Direcionamento da SBOC para Incorporação de Medicamentos no SUS e Saúde Suplementar” ficou a cargo do diretor da Sociedade e coordenador da publicação, Dr. André Sasse. O especialista fez uma exposição abrangente sobre o documento, que foi originalmente publicado em dezembro de 2024 e teve uma revisão em julho de 2025.
Os princípios do Índice são, conforme apresentou: tudo é baseado em evidência clínica robusta; a busca por necessidades clínicas não atendidas; se o medicamento já foi considerado essencial para a indicação e está na lista da Organização Mundial de Saúde (OMS); avaliação de custo-efetividade; e impacto orçamentário.
Com bases nesses tópicos, as tecnologias são avaliadas em escalas. A mais relevante é a análise do benefício clínico. “Não recriamos a roda em termos de ferramentas de avaliação crítica. Buscamos sociedades no mundo que já fizessem esse processo, para não sermos nem redundantes, nem lentos”, detalhou Dr. André. Neste caso, foi selecionada a escala de magnitude da European Society of Medical Oncology (ESMO), que é aplicada em conjunto com as recomendações das Diretrizes SBOC.
Ao fim da avaliação de todos os critérios, as tecnologias atingem uma pontuação de 1 a 18 e são divididas entre quatro níveis de prioridade, que irão guiar a atuação da SBOC entre: agir, apoiar, monitorar ou reavaliar a incorporação.
“Esse momento de discussão com vocês é muito interessante para mostrar que estamos debatendo isso dentro da própria SBOC”, disse o diretor da instituição. “Chamamos todos os Comitês para serem claros sobre como lidar com incertezas e limitações de acesso, tendo cuidado com recomendações únicas, pois isso muitas vezes cria falsas necessidades clínicas não atendidas”, explicou.
A apresentação foi seguida de uma conversa com os membros da Cosaúde e debates importantes sobre o processo de incorporação de tecnologias. O Índice de Priorização e Direcionamento foi coordenado por Dr. André Sasse e tem como membros no grupo de trabalho, além de Dra. Marisa Madi e Dra. Clarissa Baldotto: a Presidente de Honra, Dra. Angélica Nogueira, a ex-Presidente (Gestão 2024), Dra. Anelisa Coutinho, o membro do Comitê de Dados de Vida Real e ex-ministro da Saúde, Dr. Nelson Teich, e o assessor jurídico Tiago Farina Matos.
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