
O cenário nacional da oncologia testemunhou um marco histórico com a realização do 2026 China-Brazil Anti Cancer Summit. Organizado conjuntamente pela Associação Chinesa Anti-Câncer (CACA), pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), pela Academia Nacional de Medicina (ANM) do Brasil e pela Associação Mundial de Oncologia Integrativa (WAIO), o encontro virtual consolidou a cooperação científica e tecnológica entre as duas nações no combate ao câncer.
O evento superou as expectativas de engajamento, registrando a participação massiva de 13 milhões de pessoas que acompanharam as discussões virtuais, evidenciando o interesse global e o impacto das discussões apresentadas por lideranças de ambos os países.
Durante a abertura, a Presidente da SBOC, Dra. Clarissa Baldotto, ressaltou a responsabilidade compartilhada por duas nações que, juntas, representam fatia significativa da população mundial. Ela contextualizou o tamanho do desafio enfrentado pelo sistema de saúde brasileiro, que lida com uma estimativa de mais de 700 mil novos casos de câncer anualmente.
Em sua fala, a Dra. Clarissa também exaltou o papel da China como um exemplo de transformação científica. “Uma nação que emergiu como líder global na inovação em oncologia, contribuindo com descobertas inovadoras. Ao reunir a experiência brasileira e chinesa, podemos aprender com o sucesso mútuo, acelerar o progresso científico, reforçar a investigação clínica e desenvolver soluções inovadoras que melhorem os resultados para os nossos pacientes”, afirmou.
Também na abertura do encontro, o Presidente da CACA e da WAIO, Prof. Dr. Daiming Fan, destacou o crescimento exponencial da Associação chinesa, que hoje conta com mais de 480 mil membros, e relembrou o sucesso dos mais de 30 encontros internacionais promovidos pela instituição desde 2022.
“Esta forte colaboração trouxe a SBOC junto à CACA. Estamos planejando não apenas realizar uma sessão entre as instituições em novembro deste ano, durante o Congresso Chinês de Oncologia Holística e Integrativa, mas também assinamos um memorando de entendimento para fortalecer ainda mais essa relação no campo da oncologia entre a China e o Brasil”, afirmou o Prof. Dr. Fan.
Pesquisa clínica no Brasil
Um dos grandes destaques do simpósio foi o panorama da pesquisa clínica em território brasileiro. Para abordar o tema, o Presidente Eleito da SBOC, Dr. Fábio Franke, foi o palestrante. Ele abordou o mercado global de pesquisa e as vantagens estruturais do Brasil, como a alta diversidade genética de sua população de 215 milhões de habitantes, ideal para estudos de medicina de precisão, e a capilaridade do Sistema Único de Saúde (SUS).
O ponto central de sua fala foram as recentes mudanças regulatórias conquistada com a aprovação e regulamentação da nova Lei de Pesquisa Clínica no Brasil. Dr. Franke comparou o cenário anterior – fragmentado e imprevisível – com o atual, que tem prazos mais curtos para revisão ética e aprovação pela Anvisa.
Neste novo panorama, Dr. Fábio projetou que o Brasil estará entre os dez principais países do mercado mundial de pesquisa clínica até 2030, impulsionado por um crescimento recente de 12% nos ensaios iniciados. Como prioridades para o futuro, o Presidente Eleito da SBOC listou a descentralização dos centros de pesquisa para além da região Sudeste, a desburocratização na logística de importação de medicamentos e a capacitação contínua da força de trabalho.
Epidemiologia do câncer no Brasil
Ex-Presidente da SBOC, o Prof. Dr. Paulo Hoff também foi um dos palestrantes, abordando a realidade epidemiológica do câncer no Brasil. O oncologista brasileiro iniciou sua aula destacando a importância da reciprocidade no aprendizado entre Brasil e China.
Na sequência, ele apresentou dados atualizados sobre a realidade brasileira. “O Brasil é o segundo país mais populoso das Américas e enfrenta uma população crescente com câncer. Para 2026, estima-se que viremos a ter mais de 780.000 novos casos da doença”, alertou, antes de completar que a extensão territorial do Brasil impõe desafios complexos e heterogêneos aos especialistas locais.
“Devido às disparidades socioeconômicas, o país lida simultaneamente com perfis epidemiológicos de nações de alta renda (onde prevalecem tumores de próstata, mama e colorretal) e de baixa renda (com altos índices de tumores associados a infecções e gargalos de rastreamento, como o câncer de colo de útero e de estômago), variando drasticamente de acordo com a região avaliada”, explicou.
Também participaram do encontro o Diretor Executivo da CACA, Prof. Dr. Caicun Zhou, do Ex-Presidente da CACA, Prof. Dr. Wanqin Chen, a Vice-Presidente da CACA, Profa. Dra. Ying Wang, e o representante da ANM, Prof. Dr. Maurício Costa. Os representantes da entidade chinesa reforçaram o compromisso da instituição em descentralizar o conhecimento científico e expandir os ensaios clínicos globais, transformando a China em um polo de inovação em terapias oncológicas.
Endereço
Avenida Paulista, 2073, Edifício Horsa II – Conjunto Nacional Conj. 1003, São Paulo/SP, 01311-300
Telefone
+55 (11) 3192-9284