
O Congresso SBOC 2026 foi oficialmente aberto nesta quinta-feira (5), no Rio de Janeiro, reunindo oncologistas, pesquisadores, profissionais de saúde, pacientes, autoridades e representantes de instituições parceiras de todo o país. Com o tema “O estado da arte na oncologia: inspiração e precisão”, a cerimônia destacou a importância de aliar excelência científica, inovação, sensibilidade humana e colaboração para enfrentar os desafios atuais e futuros da oncologia.
A abertura foi precedida por uma apresentação especial do maestro Júlio Medaglia, um dos mais reconhecidos nomes da música brasileira. Sobrevivente de um câncer de próstata, Medaglia refletiu sobre a busca pela excelência na música e na medicina, destacando como a precisão é resultado de estudo, disciplina e dedicação contínua. Ao compartilhar experiências pessoais e exemplos da história da música, ressaltou também o papel transformador da arte na formação humana e na sociedade.
Ao dar início oficial ao Congresso, a Presidente da SBOC, Dra. Clarissa Baldotto, destacou que o tema desta edição nasceu da percepção de que arte e ciência compartilham mais semelhanças do que costuma parecer.
Segundo ela, tanto a produção científica quanto a criação artística têm origem na capacidade de questionar a realidade e imaginar possibilidades ainda não existentes. A Presidente lembrou que os avanços da oncologia são fruto não apenas do rigor científico, mas também da curiosidade, da criatividade e da disposição para desafiar conceitos estabelecidos.
Dra. Clarissa também ressaltou a trajetória da SBOC ao longo de seus 45 anos de história e os desafios que permanecem para a especialidade, como a ampliação do acesso ao diagnóstico e ao tratamento, a formação das novas gerações de oncologistas e o fortalecimento do diálogo com pacientes e sociedade.
Ao abordar a presença inédita de pacientes em diferentes atividades do congresso, afirmou que a oncologia precisa ouvir com mais atenção aqueles que vivenciam diariamente as consequências das decisões discutidas nos fóruns científicos.
Presidente da Comissão Científica do Congresso SBOC 2026, Dra. Daniele Assad explicou que a escolha do tema foi inspirada pela percepção de que grandes realizações, seja na arte ou na medicina, exigem a combinação entre talento, técnica e dedicação.
Segundo ela, por trás de uma apresentação musical ou de dança existem anos de estudo, disciplina e aperfeiçoamento. Da mesma forma, o cuidado oncológico moderno exige rigor científico, decisões cada vez mais precisas e, ao mesmo tempo, sensibilidade para compreender as histórias, expectativas e necessidades de cada paciente.
Dra. Daniele apresentou ainda os destaques da programação científica, que reúne mais de 4 mil participantes em atividades distribuídas por 11 salas e duas arenas. Entre as novidades estão novos workshops, ampliação da programação multiprofissional, um dia dedicado às práticas integrativas baseadas em evidências, iniciativas voltadas ao desenvolvimento de lideranças e a inclusão ativa de pacientes em diferentes momentos do congresso.
Encerrando a solenidade, a Diretora Executiva da SBOC, Dra. Marisa Madi, agradeceu aos congressistas, palestrantes, parceiros, patrocinadores, expositores e equipes envolvidas na realização do evento. Ela destacou que cada edição do Congresso SBOC é resultado de meses de trabalho e planejamento e que o esforço coletivo tem um propósito que vai além da realização de um encontro científico.
A programação de abertura foi encerrada em clima de confraternização, com a realização do Happy Poster, atividade descontraída que promoveu a visitação e discussão dos trabalhos científicos apresentados no congresso, estimulando a troca de experiências entre autores e participantes.
No mesmo ambiente, aconteceu o primeiro Show de Talentos da SBOC, momento em que associados subiram ao palco para apresentações musicais, cantando e tocando diferentes instrumentos, em uma celebração que reforçou o espírito de integração e o encontro entre inspiração e precisão que marca esta edição do congresso.
Antes da abertura oficial, a Sala 1 recebeu a sessão especial “Inspiração e precisão: pessoas que ousaram sonhar e conquistaram”, que reuniu especialistas da saúde, da ciência e da cultura para discutir como inovação, conhecimento, humanidade e disciplina impulsionam transformações duradouras.
Abrindo o encontro, Dr, Sidney Klajner, presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, defendeu que a tecnologia só gera impacto quando está alinhada a valores e propósito. Ao abordar a inteligência artificial, destacou aplicações práticas já utilizadas na gestão hospitalar, como previsão de demanda, monitoramento assistencial e identificação precoce de pacientes com risco de reinternação.
Na sequência, Fernanda Tovar Moll ressaltou a importância da pesquisa e da educação para o desenvolvimento de sistemas de saúde de excelência. Ao apresentar a trajetória do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), enfatizou a necessidade de fortalecer a produção científica nacional e investir continuamente na formação de pesquisadores.
O cirurgião torácico Dr. José J. Camargo trouxe uma reflexão sobre a relação médico-paciente, lembrando que os avanços tecnológicos não substituem atributos essenciais como empatia, escuta e sensibilidade. Segundo ele, respeito à individualidade, comunicação cuidadosa e preservação da esperança continuam sendo pilares fundamentais do cuidado.
Encerrando a sessão, o maestro Júlio Medaglia estabeleceu paralelos entre a evolução da música e a busca pela precisão na medicina. Ao revisitar marcos da história da notação musical, destacou como excelência, disciplina e aperfeiçoamento contínuo são elementos indispensáveis tanto para grandes artistas quanto para grandes profissionais da saúde.
Ao concluir o encontro, o coordenador da sessão, ex-presidente da SBOC, Prof. Dr. Paulo M. Hoff, observou que, apesar de partirem de perspectivas distintas, todos os palestrantes convergiram para uma mesma mensagem: o progresso depende da combinação entre conhecimento técnico, propósito, valores humanos e aprendizado contínuo. Segundo ele, inovação, ciência, educação, humanização e cultura são forças complementares na construção de uma medicina cada vez mais precisa e transformadora.












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