
A Sessão Plenária do Congresso SBOC 2026 reuniu nesta sexta-feira (6) alguns dos principais destaques da atuação científica, educacional e institucional da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica.
A sessão teve início com a apresentação dos melhores trabalhos científicos do Congresso SBOC 2026, destacando pesquisas que refletem a diversidade e a qualidade da produção nacional em oncologia, com a presença dos avaliadores Dr. Jose Sabbaga, Dr. William William, Dra. Andréia Melo, e Dr. Auro del Giglio.
Os finalistas apresentaram seus projetos diante de toda a plateia e o vencedor foi Dr. Jeziel Basso, “Perda de PTEN por imunohistoquímica e desfechos da vigilância ativa no câncer de próstata de baixo risco: resultados da coorte multicêntrica brasileira VigiaSUS”. O vencedor foi contemplado com o Prêmio SBOC de Ciência, entregue ao melhor trabalho submetido ao evento.
Foi celebrado, ainda, o recorde de trabalhos enviados ao Congresso. Ao todo, foram 797 resumos de mais de 3,579 autores de 801 instituições em 25 áreas distintas. Presidente da Comissão Científica do evento, Dra. Daniele Assad ressaltou que esses dados evidenciam a força da comunidade oncológica brasileira, que tem contribuído para a transformação da prática clínica e do tratamento dos pacientes.
Também foram anunciados os projetos contemplados pelo Fundo de Incentivo à Pesquisa (FIP), iniciativa da SBOC voltada ao estímulo da pesquisa. Por meio de estímulos financeiros de apoio à pesquisa, a inciativa visa apoiar o desenvolvimento de estudos e projetos de pesquisa a serem iniciados ou em andamento, no campo da oncologia. Em 2026, o tema foi “Estado da Arte da Oncologia: Pesquisa para Inspirar, Evidências para Transformar”.
Foram contemplados:
Outro destaque da plenária foi a formalização e assinatura de memorando de entendimento da parceria entre SBOC e a Associação Chinesa Anticâncer (CACA), sediada em Tianjin, um passo histórico e de grande impacto para consolidar o papel da oncologia brasileira no cenário médico global.
“Esta nova parceria reforça o compromisso da SBOC com a internacionalização da especialidade e abre novas oportunidades para o desenvolvimento conjunto de pesquisas, formação profissional e produção de conhecimento em benefício dos pacientes”, declarou a Presidente da SBOC, Dra. Clarissa Baldotto.
A sessão também abordou avanços dos programas educacionais da SBOC, que têm buscado oferecer novas ferramentas para apoiar a formação de residentes, especialistas e profissionais em diferentes momentos da carreira. Presidente Eleito da SBOC, Dr. Fábio Franke, foi ao palco para apresentar as inciativas.
Ele abordou as novidades do Exame para o Título de Especialista em Oncologia Clínica (TEOC), que neste ano será virtual, além da criação do Teste de Progresso em Oncologia Progresso, criado neste ano para acompanhar os residentes.
“Além de estimular o estudo contínuo, o TPOC oferece um feedback estruturado sobre o desempenho dos participantes. O exame também contribui para que os programas de residência aprimorem continuamente a qualidade do ensino, contando já com a participação de importantes centros formadores”, explicou Dr. Fábio.
Ele também destacou a Matriz de Competências em Oncologia para Graduação (MCOG), criada para apoiar as escolas médicas na inclusão de conteúdos essenciais de oncologia na formação dos estudantes, abordando temas como epidemiologia, prevenção, diagnóstico precoce, princípios terapêuticos e manejo de emergências oncológicas.
“Complementando essa iniciativa, a Sociedade lançou em 2025 a OncoAcademy, plataforma digital de ensino que reúne trilhas de aprendizado, acervo científico, aulas da MCOG e transmissões de grandes eventos, além de iniciativas como o Board Review, que ultrapassou 17,8 mil acessos em 2026. Juntas, as duas ferramentas reforçam o compromisso da SBOC com a inovação, a educação continuada e a formação de profissionais cada vez mais preparados para oferecer um cuidado qualificado e centrado no paciente”, completou.
A palestra magna da sessão foi conduzida por Maxime Allouch, que discutiu o papel crescente da inteligência artificial na transformação da prática oncológica.
Ao abordar o tema Artificial Intelligence in Oncology: Are We Sculpting the Future?, o especialista apresentou perspectivas sobre como novas ferramentas digitais vêm sendo incorporadas à assistência, à pesquisa e à tomada de decisões clínicas, além de refletir sobre os desafios associados a essa transformação.
A apresentação destacou que a inteligência artificial tende a ocupar um espaço cada vez mais relevante na oncologia, desde a análise de dados até o suporte à decisão clínica, sem substituir o papel central dos profissionais de saúde. Aos médicos mais experientes, fez uma provocação: “Use ferramentas de IA, não porque você precisa, mas porque os seus residentes já estão utilizando e você é quem está treinando essa nova geração. É preciso se adaptar, pois a IA está em todo lugar”.
Dra. Fernanda Capareli foi outra das presenças da Plenária. Ela é médica do guitarrista do Titãs, Tony Bellotto, que seria um dos convidados da Plenária, mas que não pôde vir devido a seu quadro de saúde. A palestrante, que conduziria uma entrevista com o músico, usou o espaço para compartilhar um pouco da sua relação com o artista e sua forma de encarar o diagnóstico do câncer de pâncreas.
Dra. Ana Coradazzi foi convidada para propor uma reflexão que diz respeito a todos os oncologistas, profissionais que dedicam a vida ao cuidado de outras pessoas: “Como continuar cuidando sem se perder de si mesmo?”. “O cuidado oncológico exige dos profissionais uma convivência constante com situações de alta carga emocional, como o sofrimento, a incerteza, as perdas e a comunicação de más notícias”, afirmou.
Segundo a oncologista, prevenir o estresse crônico e o burnout passa pelo reconhecimento dessa vulnerabilidade e pela busca de espaços de elaboração das próprias experiências. Nesse contexto, destacou a arte como uma ferramenta capaz de ampliar a empatia, estimular a alteridade e fortalecer dimensões humanas fundamentais tanto para pacientes quanto para profissionais de saúde. “A arte nos ajuda a enxergar o outro, mas também a enxergar a nós mesmos”, afirmou.
Por fim, foram homenageados os vencedores dos Prêmios SBOC 2026 que já haviam sido anunciados. Receberam a distinção:
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